Especial CnC – Retrospectiva Fallout

“War. War never changes…” – Assim começava a narração de abertura de Fallout (na voz de Ron Perlman), jogo que viria a se tornar uma franquia de sucessos e conquistar uma legião de fãs – inclusive este quem vos fala. E, para comemorar que acabei de zerar o módafocka Fallout: New Vegas, último jogo desta fantástica série, preparei uma especialíssima retrospectiva só para você, intrépido leitor do CnC! Yay! Aguarde a review do New Vegas em breve!

Wasteland (Electronic Arts, 1988)
QUEM? Não é uma retrospectiva sobre Fallout porra? Sim, meu caro newba, mas sabia você que Wasteland foi nada mais nada menos que a inspiração para toda, toda, TODA a série Fallout? Então, agora tá sabendo, juvenil! Foi o que inaugurou esse gênero de RPG pós apocalíptico no melhor estilo Mad Max, que todos amamos e conhecemos!






Fallout 1 (Interplay, 1997)
Fallout 1 é o mais estimado título da série. Após uma guerra nuclear fulminante, a humanidade quase foi extinta. Os que não conseguiram se refugiar nos abrigos atômicos foram dizimados ou expostos à radiação. Você está no papel do Vaultdweller. Seus pais sobreviveram num desses imensos abrigos atômicos subterrâneos chamados Vaults. É o lugar onde você nasceu e tudo o que conhece. Uma pane no chip que controla o abastecimento e a reciclagem de água obriga o Vault a abrir suas portas, seladas há anos. Para deixar a segurança do abrigo e enfrentar o desconhecido e destruído mundo pós-apocalíptico, foram selecionados alguns membros com o objetivo de encontrar outro Vault e assim conseguir um novo waterchip. Depois de algumas tentativas sem retorno, cabe a você a missão. É uma corrida contra o tempo. Todos os habitantes do abrigo atômico estão condenados à morte sem água potável. E todos estão proibidos de deixar o Vault. O mundo lá fora está de cabeça para baixo. Além da radiação, sobrou da Califórnia apenas ruínas das antigas cidades, umas mais anárquicas, cheias de violência e desorganização geral, outras tentando se reerguer; intrigas e disputas entre grupos militares e membros de seitas obscuras agitam a poeira das wastelands, uma invasão de soldados mutantes provoca pânico nos mais avisados, povoados esparsos, um deserto inóspito, cheio de perigos, animais estranhos, bandos e ladrões atacando caravanas, sem deixar de fora os famosos encontros especiais e suas referências. Apresentando uma história fantástica e não-linear, visão retro futurista original, um editor de personagens flexível e poderoso, combate em turnos muito bem entrosado no jogo, diálogos complexos e gráficos bem desenhados, Fallout ganhou de cara prêmios como melhor RPG de 1997 e é sem dúvida um dos melhores para PC.

Primeiro jogo da série, dispensa comentários!





Fallout 2 (Interplay, 1998)
Fallout 2 é o tipo “mais do mesmo”. Mundo muito maior, mais cidades, mais diálogos, missões mais complexas, mais opções de jogo, mais armas e itens, NPCs melhorados, tema adulto às vezes exagerado etc. Em certos aspectos é bem melhor que o primeiro título, em outros é bem pior (mais bugs!). A história do jogo se passa em 2241, 80 anos depois dos acontecimentos narrados em Fallout 1. Você é um descendente do Vaultdweller, o habitante do abrigo atômico que foi obrigado a partir em busca de outro Vault (leia a seção Fallout 1). Após cumprir sua missão e ser expulso do abrigo, o Vaultdweller sai vagando sem rumo pelo deserto da Califórnia, encontra outras pessoas também sem rumo, índios, forasteiros e gente que abandonou os abrigos, e ali forma uma simples e pequena comunidade agrícola. Aos poucos, os primeiros que fundaram a comunidade morrem, novos vão chegando e ela se transforma quase numa espécie de aldeia indígena chamada Arroyo. Uma terrível seca assola a região. A aldeia está de luto: crianças, velhos famintos, fome generalizada, doenças. Os habitantes ignorantes, já isolados da civilização e sem convivência com tecnologia, acham indícios de que no passado havia um item “milagroso” que poderia salvá-los da seca. Este item se chama GECK (Garden of Eden Creation Kit – Kit de Criação do Paraíso). Na verdade, é um artefato tecnológico que contém sementes, fertilizantes e dados importantíssimos sobre agricultura, construção etc, projetado pela Vault-Tec, a mesma empresa que construiu os Vaults, para ser usado pelos habitantes quando eles deixassem os abrigos. Cabe a você abandonar a aldeia e partir em busca do GECK numa região destruída pelas bombas atômicas. Em certos aspectos, Fallout 2 foi além de Fallout 1. As missões são bem mais complexas, permitem mais opções de jogo e mais caminhos a seguir; o SPECIAL foi mais balanceado – muitas das Perícias meio inúteis no primeiro título foram mais bem aproveitadas no segundo, as opções de melee-combat foram melhoradas; mais armas e upgrade de armas; os NPCs, além de poderem subir de nível, agora também recebem mais instruções e são bem mais customizáveis (você pode dizer a eles quando atirar, como atirar, quais os tipos de armas usar, quando se recuperar, quando e quais itens usar, a quem atacar, quando correr, etc.); enfim, o mundo é duas vezes maior. Em contrapartida, o jogo apresenta mais bugs que o primeiro e, em certas partes, é possível perceber que algo ficou incompleto;, além disso, Fallout 2 foi muito criticado por não apresentar melhorias nos gráficos nem na engine, a mesma do primeiro título. Tirando isso, ainda há o excesso de temas “sujos”: sexo, drogas e prostituição estão bem mais presentes que no primeiro. O jogador pode inclusive se prostituir, ganhar dinheiro e conseguir facilidades através do sexo. Há um estúdio pornô e o uso de drogas é regra em muitas cidades. Ainda assim, todos os que jogaram Fallout 1 devem jogar o segundo (e vice-versa). No que o primeiro título é bem melhor na história, o segundo vai além no mais. Utilizou o SPECIAL ao máximo e conferiu ao jogo um nível de liberdade que não havia no Fallout 1. É um clássico, assim como o primeiro, e ambos devem ser jogados por aqueles que querem conhecer a série. 

Fallout 2 foi o primeiro jogo a apresentar o Enclave, organização que ocupou o papel de governo dos Estados Unidos. Muitas referências à este jogo são feitas em Fallout: New Vegas.



(Olha o Marcus…)

Fallout Tactics: Brotherhood of Steel (Microforte, 2001)
QUEM?! Fallout TacticsBrotherhood of Steel é o terceiro jogo da franquia Fallout, entretanto não se trata de um RPG tradicional, Tactics utiliza um sistema de jogo baseado no combate em tempo real utilizando esquadrões. No jogo você assume o papel de um líder do esquadrão Brotherhood of Steel, um grupo com a missão de resgatar a tecnologia perdida durante o holocausto nuclear. Não confundir este título com Fallout: Brotherhood of Steel, para o PS2 e Xbox (vide abaixo). 

Na real, esse até cheguei a jogar, mas era uma pilha fumegante de bosta. Tentaram transformar Fallout em um joguinho genérico de estratégia, pero… FAIL!!!






Fallout 3: Van Buren (Interplay, Black Isle, 2003)
QUEM?! Sim meu caro newba, o Fallout 3 que você conhece não foi o primeiro Fallout 3 produzido!

Fallout 3 codinome Van Buren começou a ser produzido pelo estúdio Black Isle logo após o término de Fallout 2. Quando foi cancelado, em 2003, o projeto estava em fase final, com 95% da engine concluída, quase todas as áreas já desenvolvidas, mais da metade dos diálogos e mapas já prontos. Era possível criar personagens, entrar em modo combate, viajar pelos mapas, etc. No decorrer do projeto, várias mudanças importante foram feitas por pressão da Interplay, visando um jogo mais comercial. Em consequencia disso, eram previstos dois modos de combate — um real-time e o combate em turnos — além da opção multiplayer. O Van Buren apresentava também uma versão bem modificada do SPECIAL. As skills, por exemplo, foram reduzidas de 18 para 13 — mudanças bem criticadas. Outra novidade era a presença de veículos nos mapas da cidades: seria possível usá-los em combate. Nada disso foi implementado efetivamente porque o Van Buren foi engavetado. O cancelamento do projeto Fallout 3 pela Interplay foi um balde de água fria nos já bastante desconfiados fãs. A série agora está nas mãos da Bethesda
Obs.: Os gráficos apresentados nas screenshots são crus, não são os que iriam na versão final do jogo.




Fallout: Brotherhood of Steel (PS2, Xbox) (Interplay, 2004)
QUEEEEEM?! O ano é 2004. A franquia Fallout, que tinha feito sucesso com os excelentes Fallout e Fallout 2 estava com graves problemas. O prometido Fallout 3 já havia sido feito e refeito diversas vezes, o Fallout Tactics, para PC, havia fracassado como um game de estratégia tosco e muito inferior aos RPGs da série. A Interplay e a Black Isle, responsáveis pelos primeiros games estão sofrendo, principalmente depois que a TSR, detentora dos direitos de Gamma World e Alternety, cenários onde se passa a narrativa de Fallout, havia sido comprada pela Wizards of the Coast, e seus cenários haviam sido postos a venda.
Com a popularização dos consoles PS2 e Xbox, a Interplay resolveu usar a engine de Fallout Tactics e produzir um RPG para console, focando novamente a Brotherhood of Steel, irmandade de guerreiros do universo de Fallout. 

Caceta! Nem sabia da existência dessa trozoba até hoje! As críticas dizem que o jogo era uma merda, mas extremamente divertido. Vai saber…





Fallout 3 (Bethesda, 2008)
 Esse sim! O jogo passa-se na cidade de Washington D.C. em 2277, 35 anos após o final do segundo Fallout, num mundo pós guerra, totalmente devastado por uma violenta e devastadora guerra nuclear entre osEstados unidos e a China. Você é um morador do Vault 101 e precisa de encontrar o seu Pai, que saiu de lá sem dar notícias.
Em 2077, a humanidade estava a beira de um colapso; O Petróleo estava acabando, o Aquecimento Global destruía o planeta e a economia, os recursos naturais terminavam, e uma violenta Epidemiamatava milhões de pessoas. Temendo o pior, o governo americano construiu Vaults, uma espécie de abrigos ou cofres construídos dentro de montanhas, para abrigar uma pequena parte da população americana, caso acontecesse uma possível guerra mundial envolvendo armas nucleares. A China então, desesperada pelos últimos pontos de recursos, resolveu invadir o Alasca, mas foi expulsa pouco tempo depois pelos Estados Unidos. Com a derrota em outros conflitos entre os dois países, os Chineses lançaram mísseis nucleares contra os Estados Unidos. O ataque durou apenas 2 horas, mas o suficiente para causar uma monstruosa destruição. A energia libertada pelas bombas percorreu todo o mundo em poucos dias, e contaminou boa parte da água e comida existente no planeta com radiação, matando uma quantidade enorme de pessoas.
Mesmo vivendo em um mundo devastado, muitos humanos ainda continuaram a viver nas ruínas das cidades, em comunidades isoladas ou individualmente. Sem governo e sem ordem, as leis sumiram, e com isso, houve o surgimento de facções, grupos e exércitos militares. Um vírus chamado FEV causou uma mutação descontrolada em alguns humanos; Surgia os Super Mutantes, humanos enormes, verdes e fortes. Eles se organizaram em uma poderosa facção e se fixaram por vários locais dos Estados Unidos, incluindo em Washington D.C. As poucas espécies de animais que sobreviveram ao ataque nuclear, sofreram mutações, surgindo escorpiões gigantes, moscas gigantes, baratas gigantes, e várias outras espécies novas. Já outros humanos sofreram mutações pela radiação e sofreram deformações físicas e psicológicas, dando origem aos Ghouls. Tornando o mundo num lugar perigoso e sem lei.
Mais de 200 anos depois da guerra Nuclear, 90% dos Vaults não funcionam. Eles foram usados em experiências sociais que falharam terrivelmente, matando todos os seus moradores, ou obrigando eles a saírem e viverem por contra própria. Pela história do jogo, é possível ouvir comentários do tipo “os Vaults nunca foram feitos para proteger as pessoas”, implicando o facto de que os EUA construíram-nos apenas para realizar experiências sociais e psicológicas com seus moradores, para observar como a humanidade iria proceder na reconstrução da civilização depois da guerra.
Fallout 3 foi foda. Junto com os DLCs (Operation Anchorage, The Pitt, Broken Steel, Point Lookout e Mothership Zeta), foi um jogo que me fez perder horas e horas de convívio social. Horas muito bem empregadas por sinal. Quando soube que Fallout 3 seria em primeira pessoa, usando o mesmo engine de Oblivion, torci o nariz. Achei que iria descaracterizar totalmente a série. Graças aos deuses eu errei! Temos em mão um novo clássico moderno!!!

Fallout: New Vegas (Bethesda, Obsidian, 2010)
Para a continuação de Fallout 3, nada melhor do que chamarem a especialista em continuações, Obsidian! Tudo bem que a crítica reclama, reclama e reclama que é mais do mesmo de Fallout 3, mas eu lhes pergunto: “e daí?”. Se for mais do mesmo já não está ótimo!?
O jogo se passa em Las Vegas pós-apocalíptica, em uma visão retro-futurista. Las Vegas foi atingida durante a Grande Guerra entre os Estados Unidos e a China, que causou um ataque nuclear no dia 23 de outubro de 2077 com uma duração de apenas duas horas, mas o suficiente para causar uma massiva destruição. Antes da Grande Guerra, houve a Guerra dos recursos, que causou o colapso das Nações Unidas, uma praga de vírus paranóia nos Estados Unidos e fez com que o Canadá fosse anexado pelos americanos.
A cidade de Las Vegas passou a ser chamada de New Vegas. Ao contrário do que se pensavam, New Vegas não foi atingida diretamente pelas bombas nucleares, o que ajudou na reconstrução e fez com que muitas estruturas permanecessem intactas, parte da vegetação continuasse viva e o céu azul e limpo. A represa Hoover Dam continuou funcional e passou a ser usada para fornecer eletricidade e água para boa parte da região, mas também passou a ser disputada por várias facções militares e criminosas.

A história sucede algumas partes da história do Fallout e Fallout 2, mas não tem nenhuma ligação com o que aconteceu no Fallout 3, inclusive alguns personagens de Fallout 2 reaparecem em New Vegas, como o mutante Marcus.
Fallout: New Vegas passa no ano de 2280, 3 anos depois dos eventos do Fallout 3 e 39 anos depois dos eventos do Fallout 2. A New California Republic é a principal facção do jogo, e está em uma guerra que envolve a Caesar’s Legion e os habitantes locais de New Vegas. As duas facções do jogos estão disputando domínio de território e pelo controle da represa Hoover Dam. Os Super mutantes e os habitantes locais de New Vegas também travam uma guerra por território, continuando a velha guerra entre Humanos e Super mutantes.
O jogador joga com um mensageiro que foi deixado em um cemitério abandonado depois de levar um tiro, que na beira da morte, foi socorrido por um robô chamado Victor, e foi levado para a casa de um doutor chamado Mitchell, que acabou salvando sua vida.
Enfim, mais um Fallout lançado, mais 30 horas de convívio social perdidas… (porém muito bem gastas!)
(… e olha o Marcus ai de novo!)
E aguardem o review!!!

Filmografia recomendada para quem quer ficar com vontade de jogar Fallout:

E se voce acha que eu sou viciado demais em Fallout, saca so esse cara ai embaixo!
Cheers!!!