Review – Fable III

Fala saguizada! O recesso CnC está oficialmente encerrado, e uma semana (e um torrão na praia depois), nada melhor para comemorar o retorno que um review de jogo não é mesmo? Há muito tempo não pintava um desses por aqui! E a vítima da vez é o ultimo jogo do titio Molyneaux, o RPG da Lionhead em parceria com a Micro$oft, Fable III!
O Omelete fez uma crítica bem contemplativa do jogo, dizendo que você cresce e os contos de fadas não são mais os mesmos, que você vê que a princesa está no castelo ao lado, que você percebe que uma poção mágica não faz mas o mesmo efeito sem umas gotinhas de álcool e bla bla bla. Mas como o CnC não tem tempo pra essas viadagens, você pode conferir esta crítica aqui.
Antes de falar do jogo gostaria de voltar um pouquinho no tempo e fazer uma breve retrospectiva dos dois jogos anteriores.
Fable I (que eu joguei ainda no PC) foi uma revolução. Não apenas por ser um RPG bem fácil e acessível até aos não tão nerds, tendo um estilão bem parecido com Zelda, mas como também a forma como você interagia com os demais personagens do jogo, no melhor estilo The Sims (com direito a casar, ter filhos e tudo mais), e também pelas suas escolhas morais não afetarem só o desfecho do jogo, como o reação das pessoas em relação a você e até mesmo sua aparência (!!!), isso mesmo se você fosse bonzinho ficava com cara de bonzinho, agora se você fosse mal, ficava com os olhos vermelhos e até chifres começavam a brotar de sua cabeça! Isso tudo no mundo medieval riquíssimo e colorido de Albion que dava vontade de explorar até o talo. O resultado? Nascia um clássico moderno!
Não é à toa que criou-se muita expectativa acerca de Fable II, que seria lançado alguns anos depois (este já no X360). Fable II foi um bom jogo? Sim. Mas está à altura do original? Não. Desta vez, revisitamos Albion, agora na época do Renascimento, arco e flecha foi substituído por mosquetes e por aí vai. Você é um descendente dos heróis do primeiro jogo que começa criança nos subúrbios de Bowerstone e deve crescer para virar um herói, reunir outros companheiros para destronar o rei malvado, Lucian. A parte ‘The Sims’ continuou, praticamente inalterada, nesta continuação. Acho que o problema maior foi a história, rasa demais e mal aproveitada, e com um final EXTREMAMENTE decepcionante. Destaque para a parte do jogo que você fica anos (no jogo) trabalhando como um soldado da Spire (a base inimiga), em que você tem que tomar difíceis decisões de moral extremamente duvidosa para sobreviver. Fable II teve uma recepção extremamente morna, tanto pelos fãs como pela crítica especializada, e o próprio Molyneaux falou que o jogo não saiu da maneira esperada e que ele corrigiria todos os problemas no terceiro jogo… será?
Logan, o rei mal igual ao Pica-pau!

O que nos traz de volta ao presente, ao terceiro jogo da franquia! E aí, Peter Molyneaux cumpriu o prometido? Sim e não.
Nenhum jogo é bom se não tiver uma hora de mortos-vivos!

Desta vez estamos em Albion durante a Revolução Industrial (aliás, essa passagem por várias eras no decorrer dos jogos foi GENIAL). Você é o príncipe / princesa de Albion, descendente do herói / heroína do segundo jogo (ele importa o jogo salvo de Fable II, se você tiver algum), e tem que aturar seu irmão mais velho e rei Logan (não, não é o Wolverine), um tirano que abusa da população com altos impostos, trabalho infantil e blá blá blá. Logo no começo do jogo você se vê às voltas com algumas escolhas bem difíceis, e resolve tacar um foda-se em tudo, fugir do castelo e começar… LA REVOLUCIÓN!!!
Seus aliados…
… que ajudam a tocar o terror (os personagens são meio caricaturizados, mas possuem algumas das melhores expressões faciais que já vi!)

Tá, tá, até aí muito parecido com Fable II. Então qual a diferença? Bom amiguinho, nesta primeira parte do jogo, sinceramente, não muita. Você sai por aí, ajudando as pessoas, fazendo quests, fodendo prostitutas, bebendo um pouco, fazendo amigos / inimigos, ganhando um cascalho e, principalmente, forjando as alianças que lhe permitirão usurpar o trono de Albion.

E aí, o que vai ser? Trabuco?
Ou espada?
Ou hadouken?
Agora, numa segunda parte do jogo, você realmente usurpa o trono e passa ser o rei / rainha. Inclusive com toda a agenda de um rei. Você descobre que está às vésperas de uma iminente invasão e precisa preparar o reino para tal. De quebra você ainda tem que escolher cumprir ou quebrar as promessas que você fez enquanto formava novas alianças! Lembrando que todo dinheiro que você tira do tesouro é dinheiro a menos para treinar um exército, e com isso, mais casualidades civis você terá durante a invasão.
Partidas co-op, um dos pontos altos do game!
Realmente, Fable III é permeado por decisões delicadas, e se você jogou o jogo normalmente até essa segunda parte, você não vai ter grana pra cumprir todas as promessas e ainda manter o reino! Ou seja, mesmo que você pretenda ser bom, você VAI precisar QUEBRAR algumas promessas feitas. Com grandes poderes, vem grandes responsabilidades.
Olha! Um cachorro POOOOODL criado à base do leite moça!

Mas eu, como jogador macaco velho de Fable, desde o início fui comprando casas, comércios e afins e construindo um império. Ou seja, quando efetivamente virei rei,  já não tinha mais onde enfiar tanto dinheiro de tanto que rendeu, e acabei podendo cumprir todas as promessas e ainda salvar o reino para fazer o GOODY GOOD ending.
Santa Claus está no game! Ei, mas o Natal já passou!

Então, Fable III é superior ao segundo em (quase) todos os aspectos, o sistema de combate, com magia, espada ou armas de fogo é excelente (ainda que um tanto fácil – combo de vortex com qualquer outra magia não dá nem chance para os inimigos), existem alguns finishers bem cinematográficos e variados durante as lutas, o sistema de navegação do jogo é simplesmente O MELHOR que já vi nos últimos tempos (você pode se mover livremente ente pontos no mapa que você já visitou, se você seleciona alguma quest ele já te leva ao checkpoint mais próximo e por aí vai). Existe também o Sanctuary, que nada mais é que uma navegação live-action de menu, onde você pode trocar armaduras, armas, magias, ver os achievements, configurações, salvar o jogo e etc.
Jogue Lute Hero para ganhar alguns trocados!

Tudo muito bonito, tudo muito legal né? Mas e agora? O que o jogo tem de ruim será? Lembra que falei que o jogo supera em quase tudo o segundo? Pois bem! QUASE tudo, ele pisa na bola feio exatamente em dois pontos chaves que também eram defeitos no segundo jogo. Primeiro: História e final apressado. Fable III não aprendeu com o antecessor e resolve seus conflitos finais de forma  muito apressada, quase que feita nas coxas. Isso tanto na conquista do trono quanto na luta final. Você espera aquela batalha épica e… fué! O segundo é exatamente isto, cadê as batalhas épicas?! Cadê os chefões? Simplesmente não tem. Já não bastasse o combate extremamente fácil, ainda falta uma batalha épica! Cadê o monstro da altura de um prédio? Isso é uma Fábula afinal de contas, não é?! Fable II não tinha e reclamaram. Fable III continua não tendo. Será que eles esqueceram do primeiro? Das lutas contra Trolls gigantescos? Escorpião gigante na arena? O próprio Jack of Blades em forma de dragão? Ou da épica luta contra o kraken na fuga da prisão?
Mas relevando seus defeitos, Fable III continua sendo um excelente jogo, e, definitivamente um dos melhores de 2010 conforme apontei na retrospectiva. Recomendo a todos, fãs novos e antigos, e que venha Fable IV!
Uh vamo invadir!

Ah, em tempo: Fable III, a exemplo do segundo, permite que você “importe” um herói de outra Albion, ou seje, você pode jogar cooperativo com um coleguinha pela Live ou usando um segundo controle se os dois perfis estiverem no mesmo vídeo-game. Não testei, mas definitivamente interessante!
Nada melhor do que cortejar uma bela dama!

Nota 8,8.
(Ah, pra quem está se perguntando… sim, ainda dá pra peidar na cara dos outros neste Fable também! =D)