Review – Castlevania Lords of Shadow

Olha, prometi a mim mesmo que pararia de lenga lenga e hoje realmente postaria algo sobre zumbis. Pois bem, menti pra mim mesmo, me processem! Mas vou aproveitar que hoje estou de molho em casa, tendo um dia de rei para fazer este review há muito prometido (não lembra? clique aqui!) antes que ele caduque. E de certa forma tem um pouco a ver com zumbis, afinal, que bom jogo sobre monstros e afins não tem um zumbizinho ou outro né? E o Castelo da Vânia não poderia ser diferente!

Chefes gigantescos? Confere.
Bom, uma palavra de sobreaviso antes de começar: me perdoem se eu soar um pouco mala neste review, mas sou fã da série desde criancinha, então estou exercendo meu direito de fã chato.

Então, a história, mais clichezenta impossível: Você é Gabriel, um paladino da Ordem de não sei o que lá, que perdeu sua amada Marie para as Criaturas da Noite e jurou livrar a terra de todo Mal (no caso, os tais Lords of Shadow) e ainda de lambuja ver se arranja um jeito de trazer sua amada Marie de volta e dar uns cutucos.

Na primeira hora de jogo, torci meu nariz 360 graus: Já foi um festival de porradarias e QTEs e golpes de chicote / cruz varrendo a tela inteira. Pensei “Meu Deus NÃO! Transformaram meu clássico de infância em um God of War genérico!”. Ainda bem que resolvi continuar dando uma chance ao jogo e consegui me surpreender. Se você consegue passar daquela odiosa e gratuita fase do pântano logo no começo, o restante do jogo flui e funciona muito bem. Aliás, se você conseguir chegar no primeiro dos Lords of Shadow aí sim a coisa esquenta e o jogo engrena bem.

O sistema de combos e magias funciona surpreendentemente bem e os upgrades são bem fáceis e acessíveis. A narrativa do jogo também é impecável, levando uma história relativamente simples, mas muito bem contada, de maneira extremamente cinematográfica (filme de Castlevania, alguém?). Alie isso à uma trilha sonora foderosa (já praxe da série) e paisagens de tirar o fôlego e voilá! Não temos um clássico moderno, longe disso, mas pelo menos sobra uma produção caprichada e um jogo bem divertido que vai te ocupar bem durante suas 15 a 20 horas de duração (!!!).
  

Agora e o grande vilão? Não, não é nenhum dos Lords of Shadows, e sim a câmera estática – e desagradável do jogo. Morri trocentas vezes por causa da maldita câmera me pregando peças. E se a nota desse review não for maior, meu amigo, pode crer que foi por causa disso! É por vezes extremamente frustrante e irritante. 

O destaque fica por conta dos belos gráficos e pela dublagem: Robert Carlyle (Extermínio) dubla Gabriel, Patrick Stewart (O Professor Xavier dos X-men) dubla Zobek e Jason Isaacs dubla o último chefão que não posso contar quem é aqui senão estraga a surpresa.
Bem interessante também a evolução de Gabriel durante o jogo. Como já dizia Friedrich Nietzsche, ao combater monstros você acaba se tornando um deles, e esse drama de Gabriel fica bem claro no decorrer da partida, fazendo com que você também sinta na pele o dilema dele. 

Outro ponto positivo é a presença de alguns puzzles inteligentes e bem colocados. Eu sou o crítico número um de como os jogos ultimamente tem ficado fáceis demais, sem nenhum tipo de desafio intelectual, o famoso “efeito massaveístico” começado com quem com quem com quem? Com o símbolo da geração “massavéio” de games, lógico, o infame God of War. Mas Castlevania consegui me surpreender com alguns puzzles interessantes. Por exemplo, a fase que você tem que jogar um xadrez vivo contra a vampirinha eu achei maneirassa!

Ah, também fiquei boquiaberto com o final do jogo, aberto e ao mesmo tempo confuso e ousado, dá pano pra manga para uma boa discussão depois, ainda mais se eles pretendem lançar uma continuação. Lendo na internet vi que o pessoal em geral tem umas teorias parecidas com as minhas sobre o que cargas d’água se sucede no final. E você, o que achou?

Ah, teve um chefe no jogo lááááá bem perto do final que é tipo um dragão zumbi, me lembrou muito uma costela assada gigante! Me deu uma fome danada e já era tipo umas 2 horas da manhã, mas infelizmente neste horário não achei nenhuma alma caridosa para me acompanhar até o costelão 24h mais próximo!

Enfim, um jogo cheio dos altos e baixos, nem de longe se compara aos meus favoritos da série (a saber, Castlevania 3 – NES, Castlevania Symphony of the Night – PS1 e Castlevania Curse of Darkness – PS2 e XBOX), e também nem de longe é o recomeço que a série merecia, mas é um bom jogo e um bom sinal de que a série Castlevania ainda dá pano pra manga pra muita coisa boa!
* Quem avisa amigo é: esse jogo é extremamente foda, é capaz de você penar até pra zerar no Normal!
Nota 8,2.