Review – Dragon Age 2

Aê bando de chibungada lazarenta! Depois de um longo e tenebroso inverno, minhas férias chegaram! E junto com ela, CnC está de volta! E para re-inaugurar essa trozoba com chave de ouro, nada melhor que um review de um dos principais responsáveis por esse “feriado prolongado” do CnC, Dragon Age 2 da Bioware!
Confesso que sou putinha do primeiro Dragon Age (o Origins, de 2009) e fiquei com os três pés atrás quando anunciaram esta continuação. Primeiro, por ser muito em cima do primeiro ainda (a expansão, Awakenining, saiu ano passado), o que me passou a impressão que seria mais um dessas continuações “caça-níqueis”. Segundo, pelo teaser trailer que foi liberado por primeiro, a saber:
Bonitão né? Também achei, mas esse trailer também me dizia duas coisas: primeira que você controlaria um personagem já pré-determinado, sem chances de customização, o que tiraria parte do “roleplay” do jogo. Segundo que estariam transformando o personagem principal, Hawke, em um personagem massaveístico ao extremo para agradar essa “nova geração”, transformando-o em um genérico de Dante ou Kratos (do meu tão odiado God of War).
Dragon Age II Picture
Felizmente me enganei, afinal de contas, in Bioware we trust.
Caras, sério, não consigo lembrar de nenhum jogo da Bioware que tenha sido ruim. A empresa tem no currículo alguns clássicos da nova geração, como Neverwinter Nights, Knights of the Old Republic, Jade Empire e o fodassaralho Mass Effect. Então realmente, não tem como sair coisa ruim daí (acho que o fato dos dois CEOs da Bioware serem gamers convictos ajuda – e muito – isso).
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Enfim, Dragon Age 2 tá aí pra provar que quando se trata de Bioware é qualidade garantida. E ela conseguiu de volta. A exemplo de Mass Effect 2, conseguiu criar um jogo que vai agradar tanto a gamers inverterados e viciados em RPG como eu, como a nova geração “massavéio” criada à base de Ovomaltine, guaraná light e leite de pêra. Ela conseguiu novamente criar um exemplo do que eu chamo de “nova geração dos RPGs”, onde o mais desavisado pode até nem perceber que está jogando um “jogo de nerds”, tão ‘seamless’ que são a ação e o roleplay do jogo.
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A história de Dragon Age 2 começa justamente no meio da história do primeiro, mostrando Hawke e sua família fugindo de Ferelden por causa da ‘Blight’, a guerra entre humanos e monstros do primeiro jogo. Assim, como Hawke naquela época ainda era level 1, ficou com medinho e resolveu fugir para a longínqua Kirkwall, em outro continente. Lá ele conhece uma turminha do barulho e começa a aprontar 1001 confusões em ritmo de azaração total! Depois alguns anos se passam, a guerra do Blight acaba e a história mostra o caminho de Hawke para se tornar o campeão de Kirkwall. De pé-rapado a herói de uma nação! Wohooo!
Dragon Age II Screenshot
A história é toda narrada por Varric, seu companheiro anão e seu “biógrafo”, ao ser interrogado por uma investigadora templária. Essa narrativa mais cinematográfica dá um charme à trama. Não vou entrar em muitos detalhes pra não ter maiores spoilers.
As raças de Kirkwall: Qu’nari, Humanos, Elfos e Anões.
Voltando à mecânica, logo na criação do personagem (SIIIIM, você pode criar seu personagem), você escolhe o sexo, a classe (warrior, rogue ou mage) e a aparência. Independente do personagem que você criar, você sempre será Hawke, a exemplo do comandante Shepard de Mass Effect. O sistema de criação de personagem foi bem simplificado em relação ao primeiro jogo. Mas assim como em Mass Effect, é um mal necessário, e o resultado não poderia ser melhor.
Hawke pode ser tanto um barbudo como uma cocota.
Subir de nível também é bem fácil, são três pontos pra gastar entre cinco atributos e um ponto para gastar nas suas ‘skill trees’, também bastante simplificadas. Para os preguiçosos de plantão que nem isso querem fazer, o jogo ainda conta com um espertinho sistema de “auto level up”. A maioria dos equipamentos e armaduras dos seus companheiros também é fixa (salvo por armas e acessórios, e armaduras possuem alguns upgrades que podem ser comprados), fazendo com que você basicamente só se preocupe com o equipamento de Hawke.
Dragon Age II Screenshot
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A navegação de tão simples dá raiva. Eu havia falado na minha review que o sistema de Fable 3 era o melhor que eu já tinha visto. Pois bem, ERA. O de DA2 é tão simplificado e intuitivo que durante o jogo inteiro só pensava “como ninguém pensou nisso antes?!” A navegação é feita através de um mapa da cidade de Kirkwall (e seus arredores), e você pode selecionar noite e dia (no caso do XBOX, com os botões RT e LT), e as respectivas quests já ficam marcadas em cima dos locais no mapa. Cara, se eu abri o journal uma vez o jogo inteiro foi muito! Melhor impossível hein?
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O sistema de batalha é bem semelhante ao primeiro, mas foi refinado para ter uma abordagem mais “real time”, agora você aperta A e o boneco dá porrada, não fica esperando seu turno. O mesmo vale para poderes e skills.
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Flemeth voltou para encher o saco! Ops, ela não tinha morrido?
A trilha sonora? Épica como sempre!
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A violência? Sangrenta como sempre! Se bobear, até um pouco mais! Com algumas skills você pode até exprudir alguns inimigos!
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Violento? Eu?
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Ah, e antes que me perguntem, sim, ainda dá pra comer umas cocotinhas (ou uns bofes) no jogo! Hawke pode passar o peru em quase tudo que tenha duas pernas (e às vezes ele nem é tão exigente assim)
“Nossa, mas que maravilha! Só melhorias! Fizeram um jogo ainda melhor que o primeiro” você diz. Não, não é bem assim. Os problemas, apesar de poucos, ainda existem.
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O primeiro são as dungeons geradas aleatoriamente que são todas iguais. Sério, você vai cansar de passar pelo mesmo trecho de montanha, pelo mesmo esgoto, pela mesma caverna… sério, eles aproveitam os mesmos cenários (mal) disfarçando-os usando caminhos aleatoriamente diferentes. Entendeu? Nem eu! Mas enfim, lembra que Mass Effect 1 que toda nave espacial que você entrava era igual, só mudava um pouco a distribuição das coisas? Então, o que Mass Effect evoluiu nesse ponto, Dragon Age involuiu.
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Segundo a história. Por ser um RPG mais ‘urbano’, com a história focada na guerra civil primeiro entre humanos e Qu’naris e depois entre templários e magos, DA2 perde um pouco daquele teor épico de seu antecessor. Não leve a mal, ainda tem dragões gigantes em montanhas e tudo mais, mas parece que o quesito exploração ficou meio comprometido por se limitar a Kirkwall e seus arredores (sim, no jogo só tem uma cidade).
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A longevidade do jogo também me deixou com um gostinho de quero mais. Em 20 horas você consegue zerar o jogo de cabo a rabo, fácil! Mas o primeiro Dragon Age também tinha mais ou menos isso de duração! Estou aguardando ansiosamente por uma expansão! =D
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Roliúgui dá o Ken…
Ah, e pode esperar! Se teve uma característica inalterada do 1 para o 2 foi a dificuldade! O jogo continua foda bagarai! Mas, nada como um bom desafio, não é mesmo!?
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… roliúgui dá Ryu!
Enfim, os problemas de Dragon Age 2 são completamente ofuscados por suas qualidades, o que torna deste jogo um novo clássico moderno e mais um acerto da Bioware, que cada vez mais, nos mostra como serão os RPGs do futuro. Recomendadíssimo!
Ah, em tempo! Você pode importar seu jogo salvo do primeiro Dragon Age, mas sinceramente, não vi grandes diferenças… Só uma citação ou outra dos personagens nos diálogos, e talvez uma quest que você encontra Nathaniel Howe, filho do Arl Howe e personagem jogável no Awakening.

Nota 9,3.

Como já coloquei o trailer na review,  segue  um trailer de gameplay!