Review – Show Ozzy Osbourne



Neste último sábado, dia 02/04, este que vos fala foi conferir o show do Madman lá em Sumpaulo na Arena Anhembi. Aí obóviamente fiquei na obrigação de tecer um singelo review para vocês, prezados leitores do CnC.

Primeiro, queria deixar claro que nunca fui lááááááááá muito fã do Ozzy, respeitava muito o cara pelo trabalho que ele fez no Black Sabbath, mas sempre achei a voz dele meio grunhida e estranha. Sempre achei o Dio anos-luz melhor que ele, mesmo na época do Sabbath.

Então, definitivamente não sabia o que esperar desse show… e não é que eu fui surpreendido – e muito?

Apesar da forte chuva que castigava São Paulo, comprei uma daquelas capinhas de chuva vagabundas que os ambulantes vendem no local e assim que os portões foram abertos lá pelas 5 e meia da tarde, eu e meus amigos de bonde nos posicionamos bem em frente ao palco. E esperamos. Meus joelhos estão doloridos até agora, acho que não tenho mais idade pra esse tipo de coisa! Porque não fazem esses shows em estádios? Hehehehehe!

A abertura ficou por conta do Sepultura – banda que também não sou lá grande fã, mas tenho que admitir que eles bateram um bolão. Com seu frontman Djavan Derrick Green arriscando palavras – e palavrões – em português, a banda destrinchou um repertório bem variado, desde novas canções até as clássicas “das antigas” que até eu conhecia (War for Territory, Roots Bloody Roots). O show de abertura foi longo, com mais de uma hora de duração – e com direito a encore! Ao final, os fãs, já impacientes, gritavam pelo nome do madman.




Sinceramente, estava um tanto quanto desconfiado da longa duração do show de abertura, achava que era um prenúncio de que a atração principal iria atrasar. Mas que nada, às 21h30, com pontualidade britânico, o véinho maluco beleza subia ao palco.


Tenho que admitir que assim que Ozzy subiu ao palco, já virei um pouco mais fã dele. O madman é muito mais simpático e humilde ao vivo do que aparentava em vídeo. Prova disso que ele já entrou sorrindo e saudando os fãs.


E o show já começou com uma chapoletada: Bark at the Moon logo de cara, para bombar a adrenalina de todos os presentes! Em seguida, a única música do novo álbum, Let Me Hear You Scream, uma boa música e com um refrão mega-pegajoso!


Durante as músicas, Ozzy sempre tinha à mão uma mangueira de espuma para “lavar” o pessoal da pista premium (como se já não bastasse a chuva). Bom, ele forneceu o sabão, São Pedro forneceu a água, todo mundo saiu do show de banho tomado… eu acho…


Depois, veio a introdução de teclado que foi de arrepiar os cabelos da nuca: era hora de Mr. Crowley. Na música deu pra sentir bem o entrosamento dos músicos de Ozzy, ela foi reproduzida com perfeição. Logo em seguida, a banda já emendou um I Don’t Know, outro clássico da carreira solo do véio.


A essas alturas, a chuva castigava a platéia novamente, e Ozzy, simpático como sempre chegou na beira do palco para também se encharcar e ser solidário com o público, e então entoou em alto e bom som “You know what? Fuck the Rain!!!”, para o delírio dos presentes.


Logo em seguida, Ozzy mandou Fairies Wear Boots, clássico do Sabbath, e aí sim percebi que o show valeria – e muito – a pena. Na seqüência, Suicide Solution e Road to Nowhere, War Pigs (também do Sabbath, muito foda), Shot in the Dark, Rat Salad (Sabbath, destaque para o foderoso solo de bateria do Chiclete com Banana Tommy Clufetos.


Destaque também para o atual guitarrista de Ozzy, Gus G, que teve a árdua tarefa de substituir Zakk Wylde. Apesar de um ou outro fã mais xiita vaiar o guitarrasta e dizer que ele não é o Zakk,  Gus G conseguiu cativar a maior parte do público em seu solo de guitarra, principalmente ao tocar o choro de ‘Brasileirinho’ seguido por Eruption do Van Halen.


Logo após o solo de bateria, era hora de Iron Man. Todo o Anhembi cantou junto com o madman a música a plenos pulmões.

Para fechar essa parte da apresentação, Ozzy mandou uma dobradinha foda: I don’t wanto to change the world seguida por Crazy Train, duas de suas músicas solo mais famosas, que tirou todo mundo do show e “encerrou” a apresentação.


Para o encore, todos os músicos saíram do palco menos o próprio madman, que continuou agitando a platéia e fazendo todo mundo entoar o mantra “One more song, one more song”. Ozzy, respeitando o pedido dos fãs mandou Mama I’m coming home, uma balada que não necessariamente se encaixa muito no espírito do encore, normalmente formado por músicas mais agitadas.

Mas a calmaria não durou muito, logo em seguida já se ouvia o riff do começo de Paranoid. E com chave de ouro, o madman fechou – agora sim – sua apresentação.

Os fãs ainda pediam por No More Tears, que não foi tocada. E nem fez falta.

O madman Ozzy provou que ainda tem disposição pra deixar muito garotão com inveja. A idade e o estilo de vida que ele levou tiveram seu preço, mas nem por isso ele deixou de animar a galera e fazer o que faz de melhor.

Antes do show, eu não poderia me considerar exatamente como um fã do Ozzy. Após este show sim.


SEPULTURA
1. Arise
2. Refuse/Resist
3. Dead Embryonic Cells
4. Convicted In Life
5. Choke
6. Seethe (música nova)
7. Troops Of Doom
8. Septic Schizo
9. Escape To The Void
10. Meaningless Movements
11. Territory
12. Inner Self
13. Roots Bloody Roots

OZZY OSBOURNE
1. Back At The Moon
2. Let Me Hear You Scream
3. Mr. Crowley
4. I Don’t Know
5. Faires Wear Boots (BLACK SABBATH)
6. Suicide Solution
7. Road To Nowhere
8. War Pigs (BLACK SABBATH)
9. Shot In The Dark
10. Rat Salad (BLACK SABBATH)
11. Iron Man (BLACK SABBATH)
12. I Don’t Want To Change The World
13. Crazy Train
14. Mama I’m Coming Home
15. Paranoid (BLACK SABBATH)
  • Diz que nesse show um escoteiro foi fazer uma boa ação e se ofereceu para ajudar o Ozzy a atravessar a rua.