Review – Thor

A-há! Vocês realmente acharam que eu  não ia fazer um review do filme nerd sensação de todos os tempos da última semana? Pois se equivocaram-se-se! Após duas assistidas no cinema (sim, antes do filme estreiar em solo estadunidense eu já havia assistido ao filme DUAS vezes). Então, sem mais delongas, Cocô na Cuia agora orgulhosamente aspresentcha um review cheio de contchudo do filme da paquita marteluda, também conhecida como Thor.
Lembro quando minha mãe foi assistir o Avatar e perguntei o que ela tinha achado do filme. Ela me respondeu “Eu achei um amorzinho!”. Pensei “pô, melhor descrição de uma palavra que já ouvi desse filme!”. Realmente, o que é o Avatar de James Cameron senão “um amorzinho”? Uma porra duma Pocahontas com Thundercats Smurfs?! Mais amorzinho que isso não existe.
Quando ela assistiu Thor, tornei a perguntar “Mãe, o que achou do filme?”. E ela respondeu: “Foi o filme mais maravilhoso que já vi em toda minha vida”. Não à toa na real, afinal, a véia é fan da Loiraça desde criancinha (já contei que comecei a ler quadrinhos pq ela incentivou?).
Primeiro a pergunta mais crucial em todas as adaptações de quadrinhos / games / etc.: “Eu preciso acompanhar os quadrinhos para entender?” – NÃO. “Mas ajuda?” – SIM, e MUITO! Mas é bom o espectador saber que se trata de uma adaptação de histórias em quadrinhos, do Thor da MARVEL, e não do da mitologia nórdica praticamente dita. Há inúmeras referências aos quadrinhos para os nerds de plantão – como eu – babarem em cima, mas não é nada que comprometa a diversão!
O começo do filme é centrado no núcleo de Asgard, com Thor (Chris Hemsworth) sendo um Deus poderoso e arrogante , almejando o trono de um já morimbundo Odin (Anthony Hopkins – bem convincente no papel). Depois de Asgard ser atacada pelos gigantes de gelo de Jotunheim (é isso?), Thor fica putinha e resolve levar seus miguxos Fandral, Hogun, Volstagg, Lady Sif e o seu meio-irmão e pau-no-cu profissional (só que ninguem  sabe disso ainda) Loki pra dar uns sopapos nos Avatares de James Cameron Gigantes. Só que rola uma treta feia, Odin tira os poderes da paquita por sua desobediência e manda ele de castigo pra Terra pra pensar no que fez e aprender a ser humilde.
Apesar do roteiro dessa adaptação cinematográfica ser assinado pelo conceituado roteirista de quadrinhos  J. Straczynski (é isso?), essa primeira parte do filme lembra – e muito – o excelente arco de histórias Thor – Age of Thunder, do Matt Fraction (publicado por aqui em Marvel Apresenta #15, de novembro de 2009, leitura recomendada).
Não quero entrar muito no mérito da história até pra não largar spoilers adoidado, mas chegando na terra, Thor  conhece uma galerinha do barulho: O dr. Selvig (Stellan Saasgard) e as cocotinhas Jane Foster (Natalie Portman) e Darcy (Kat Dennings, junto com Volstagg o alívio cômico da película). 
Essa segunda parte do filme é mais amarrada, mas não menos interessante. Enganado por Loki que não poderia retornar de seu exílio, Thor tem que aprender a conviver entre os humanos. Aí que entra a parte legal: o Thor do filme não é nem aquele Thor clássico da Marvel (do universo 616) nem aquele hipponga ativista doidão do Ultimate. Ele é uma mistura de tudo que os dois têm de melhor. Aliás, até Thor ser digno de empunhar o martelo Mjolnir novamente (ui) e toda aquela lenga-lenga que sempre rola em filme de heróis, fica aquele lance meio K-Pax, de 2001 (que ninguem sabia se o Kevin Spacey era um ET de verdade ou era só um maluco). E a credibilidade que os atores passam nesta incredulidade fazem até você pensar mesmo se o loirão não é meio doido de pedra e cheirou umas meias usadas pra enxergar Asgard.
Destaque para a atuação de Tom Hiddleston no papel de Loki. Ele não apenas ficou fisicamente parecido com o vilão, como também ficou bem à vontade no papel. Não foi dessas interpretações macarrônicas, que ele conta uma lorota pro Loirão, depois vira para a câmera e dá aquele sorrisinho malévolo. Não, o feladaputa continua com aquela poker face como se nada tivesse acontecido. Você por um momento chega até a ficar com dó dele!
Os coadjuntes também não fazem feio: o Heimdall afro-negão, que era o pé atrás de muita gente, convence com uma imponência ímpar. Um amigo meu falou que ele lembrou muito o Aldebaran de Touro dos Cavaleiros do Zodíaco (né Gordo?), se existisse um filme dos cavaleiros. Os três guerreiros também estão muito bem caracterizados (apesar do Hogun ser meio diferente, mais com cara de japonês do que de mongol, e o Volstagg estar meio magro). Jaimie Alexander também provou que tem todos os atributos necessários para encarnar Lady Sif.
Eu ouvi várias críticas dizendo que inseriram doses de humor desnecessárias no filme. Eu discordo. Nos gibis os guerreiros (principalmente Volstagg) servem como alívio cômico nas HQs do Loirão, e mesmo Darcy (personagem inexistente nas HQs) tem esparsas tiradas de humor, e nada exagerado.
Falam muito que o clima entre o Loirão e Jane Foster é meio forçado. Também discordo. Pessoas apaixonadas ficam babonas e bobonas daquele jeito mesmo, ou estou errado?
Se tenho alguma queixa sobre o filme é sobre o pequeno papel da armadura (ui) do Destruidor. Se por um lado, ele é visualmente igual tanto em aparência e poderes ao das HQs, por outro ele não faz jus à fama que tem nas HQs. Ela foi concebida como uma armadura capaz de matar deuses, e no filme deixaram isso meio de lado. Aliás, quando o Thor fica boladão, detona a armadura em dois instantes. Para o espectador que nunca leu um gibi do Thor da vida, pode ter parecido que ela ficou meio largada ali no meio da trama, sem função. Acho que se tivessem mostrado ela logo no comencinho, naquela primeira guerra dos Jotuns contra os Asgardianos tocando o horror na gigantarada pra mostrar seu poder, eu estaria mais satisfeiro. (Mas em compensação, aquela cena que o Destruidor se vira todo do avesso pra acertar a Lady Sif é foda, fala sério!).
Eu não sei mais o que falar de mal do filme, sinceramente. Apenas algumas alfinetadas nos efeitos especiais, que ora parecem sensacionais, ora parece que faltou refinamento (principalmente nas voadinhas do Thor com o martelo). E como esse é o primeiro filme da Marvel Studios a abordar uma natureza completamente diferente, a magia (Homem de Ferro e Hulk, apesar de filmes de super-heróis, são baseados na ciência), pode gerar uma certa estranheza. Na real, acho que ele é como um filme dos anos 80 feito hoje. Esse clima de magia chega a ser até um tanto saudosista. Aquele meu mesmo amigo também falou que o filme lembrou muito aquele do He-Man do Dolph Lundgren na década de 80 (né gordo?).
Enfim, como já assisti o filme duas vezes, posso fazer uma review mais concisa e menos tendenciosa devido ao hype da estréia, como fiz com Sucker Punch (se fosse hoje, acho que daria nota 7 praquele filme e olhe lá!). Então, não é o filme mais maravilhoso que já vi na minha vida, longe disso. Thor está longe de ser uma obra de arte. Mas nem por isso deixa de figura no ranking de melhores filmes de super-herói já feitos. Acho que a palavra chave é o equilíbrio. Boa direção, atuações inspiradas, o roteiro, se não é genial, ao menos cumpre sua parte e os efeitos, pelo menos na maioria do tempo, são de encher os olhos. Kenneth Brannagh, J. Straczynski e os outros roteiristas e os atores fizeram um bom trabalho em trazer mais essa parte da mitologia Marveca para as telonas. E que venham os Vingadores! (E o Capitas nesse meio tempo – medo, muito medo).
Ah sim, a cena pós-créditos está lá, bem como a sempre presente pontinha do Stan Lee… mas você não quer que eu estrague a surpresa, quer?
Nota 8,5.
E vamos às referências nerds (ou “easter eggs”, se você é um nerd descolado) encontradas no filme! Alguém achou mais alguma?!
SALA DE TESOUROS DE ASGARD: Tem um artefato na sala de tesouros que parece muito, MAS MUITO com o Olho de Agamotto (do Dr. Estranho). Essa informação já foi desmentida pelo próprio Kevin Feige, e parece que o tal artefato era o Olho de não-sei-la-quem das primeiras histórias da paquita.
DONALD BLAKE: No filme é referenciado com um dos ex-namorados de Jane Foster, nos quadrinhos ele é o alter-ego humano de Thor.
 
J. STRACZYNSKI: O gordacha que assina o roteiro do filme é o primeiro a tentar puxar o martelo da pedra.
HULK: Dr. Selvig menciona um certo cientista especialista em radiação gama que se envolveu com a S.H.I.E.L.D. Essa é fácil, é obóvio que se trata do Dr. Bruce “Hulk” Banner.
DR. HANK PYM: Na mesma cena, Dr. Selvig também fala que vai mandar um e-mail para um “amigo”. Isso foi meio que limado do filme, mas reza a lenda que o tal amigo era ninguém menos que Dr. Hank Pym (vulgo Gigante, Homem-Formiga, Jaqueta Amarela, Vespo, entre outros – um dos Vingadores originais)
GAVIÃO ARQUEIRO: Essa qualquer nerd que se preze matou. Quando Thor está tentanto chegar até o martelo, o agente Coulson manda um tal de agente Barton atrás do Loirão. Barton ao invés de pegar uma arma, saca seu inseparável arco-e-flecha. Pra quem não sabe, Clint Barton é a identidade civil do Gavião Arqueiro (Hawkeye) que também estará presente no filme dos Vinga’s.
 
TONY STARK: Mais uma barbada. Quando o Destruidor desce à Terra, um dos agentes da SHIELD pergunta “É mais uma do Stark?”. Tony Stark, Tony Pinga, o Homem de Ferro, PORRA!
 
JOURNEY INTO MYSTERY: Essa só nerds roots percebem. Num dos outdoors da cidade (e em um livro na livraria) está escrito “Journey Into Mystery”. Pra quem não sabe, é o nome da revista onde as histórias do Thor foram publicadas pela primeira vez, em 1962.