Hooligans Nerds Parte 2 – Squaresoft vs. Enix

Fala nerdaiada xibunguenta!!! Prontos para o segundo round da série de matérias mais DRAMÁÁÁÁTICA já postada no Cocô na Cuia? Hoje a peleja é entre as duas GIGANTES dos jRPGs, ou RPGs japoneses, ou RPGs japorongos, ou até mesmo aqueles jogos que segundo a Norma (minha importadora oficial de games), só gente que tem “Sindrwome de Down”, tipo eu, gosta.

“Mas Square e Enix não são a mesma companhia?” NÃÃÃO seu burro! Seu piá de merda criado a leite de pêra e ovomaltine no sótão da vó! Você como é juvenil pode até já conhecê-las como Square Enix, mas num passado não tão distante, elas foram as piores rivais, de fazer inveja às briguentas Nintendo e Sega, apresentadas na primeira parte dessa matéria!
Mas comecemos do princípio.
A ERA 8 BITS.
Era uma vez uma empresa chamada Enix que foi criada em 1972 e publicava tablóides e anúncios imobiliários (Isso mesmo! Esperava o que? A Nintendo já foi até fábrica de caralho baralho também! Porque não a Enix?). Como não deu certo no ramo jornalístico, resolveu fazer games (tudo a ver). Entre um game aqui, outro acolá, ela chamou um guri, um tal de Akira Toryiama (sim, aquele do Dragon Ball) para fazer o character design de um novo jogo. Nascia aí o Dragon Quest (MSX, NES), carro-chefe da empresa, e por muitos e vindouros anos, a série de jRPG mais jogada de todas, TODAS na terra do sol nascente.

A influência de Akira Toryiama no design de personagens é clara. Isso pode Arnaldo? Mas é claro que pode!

 
Screenshots de Dragon Quest 1, para o NES.
Era uma outra vez, uma outra empresinha de merda chamada Squaresoft, criada em 1983 (essa já nasceu como produtora de games, nem vem!), que fazia uns joguinhos chulezentos para o Famicom da Nintendo (ou NES, Nintendinho, Topgame, Phantom System aqui para nós ocidentais). Só que a Squaresoft tinha um problema: todos seus jogos eram fracassos homéricos e retumbantes! À beira da falência, a Square resolveu dar a sua cartada final: reunir seus últimos esforços e lançar um RPG. Com um nome sugestivo, nascia aí o primeiro jogo da franquia “Final Fantasy”. Não preciso nem dizer que essa última cartada virou um sucesso, que passou a bater de frente com o favorito invicto da época, Dragon Quest.

 
Final Fantasy I, nem de longe com o mesmo glamour de seu concorrente
E o recente remake para iPhone. Agora sim, MUITO ‘gramour’
Mas por anos a fio ainda a série Dragon Quest  mantinha sua hegemonia em território nacional (no Japão obóviamente, não aqui). Apesar da Square evoluir conceitos, inovar jogabilidade e ser superior em gráficos e roteiro, Dragon Quest parecia viver da fama conquistada no passado. Mas a Square estava prestes a virar a mesa.
A ERA 16 BITS.
Foi mais ou menos nessa época, na era dos 16 bits, que a Square se consolidou no mercado, e lançou os dois jogos que eu ainda hoje considero os dois melhores de todos os tempos: Chrono Trigger e Final Fantasy VI (III nos EUA*). Eram jogos muito à frente do seu tempo:  o primeiro, mostrava as diversas possibilidades e paradoxos de viagens no tempo. O segundo possuía uma narrativa rebuscada, mais complexa do que qualquer game da época, quase cinematográfica. Os personagens tinham dramas pessoais, conflitos, e não tinham mais aquela unilateralidade típica de personagens de games que prevalece até hoje (ouviu, Kratos?). Ah, você não viu o meu Top 10 Best Games Ever? Então clica AQUI abestado!

Chrono Trigger: O melhor jogo de TODOS os tempos, segundo o respeitado blog Cocô na Cuia. Character Design de Akira Toryiama, a Square copiando a receita do sucesso da Enix!
Final Fantasy VI (III, nos EUA*). O segundo melhor, na opinião do mesmo crítico.

* O drama do Final Fantasy que todos conhecemos: Nos EUA, foram lançados apenas o I, o IV e o VI, respectivamente como I, II e III. Isso causou um rebú danado na cabaça dos fãs, principalmente na hora de lançar o final Fantasy VII na geração seguinte.
Ainda na geração 16 bits, além de Chrono Trigger e dos Final Fantasies IV, V e VI, a Square lançou  também outros jogos  / séries responsa, como Secret of Mana (Seiken Densetsu), a série Romancing SaGa (I, II e III), Live a Live, Treasure Hunter G, Treasure of the Rudras, Super Mario RPG, Bahamut Lagoon… e outros não tão responsa assim, como Secret of Evermore (que era um porre de chato).

Alcahest
Alcahest: Quem?

Secret of Mana
Seiken Densetsu 3 (aka Mana 2)
Romancing SaGa Japanese SFC cover
Rmns2box.jpg
Rmns3box.jpg
A série Romancing SaGa. Muito boa, pena que nunca chegou no ocidente (oficialmente).
Original logo
Live A Live. Outro jogo foda que a Square nunca lançou por aqui. 7 personagens em 7 épocas diferentes cujos destinos se cruzavam no final! Genial!
Treasure Hunter G
Treasure Hunter Gay
Rudra no Hihō
Treasure of the Rudras
Artwork of a horizontal rectangular box. The center portion depicts the text
Super Mario (que Mario?) RPG
Bahamut Lagoon Coverart.png
Bahamut Lagoon
The game's cover art shows a boy and his dog standing on a ledge face-to-face with a giant, red creature with insectoid eyes, sharp teeth, a visible heart, and a ribcage resembling claws. The game's logo and various other logos are visible around the artwork.
Secret of Evermore, a resposta americana para Secret of Mana. O resultado? Nem queira saber.
Já a Enix lançava suas sequências de sucesso Dragon Quest V e VI e remakes dos primeiros jogos da série que já haviam feito sucesso na geração anterior. Outros jogos conhecidos foram o sensacional Actraiser, o não tão sensacional Actraiser 2,  o criativo E.V.O. – Search for Eden (mas que era impossível evoluir pra humano),  Soulblazer, Illusion of Gaia, Terranigma, Robotrek, Ogre Battle, entre outros**  (** a maioria desses era desenvolvido pela Quintet, e apenas publicado pela Enix)… e outros jogos intragáveis tipo The 7th Saga e Brainlord. No final da era 16 bits, a Enix ‘apadrinha’ uma companhia chamada Tri-Ace, e juntas desenvolvem um dos RPGs mais parrudos até então: Star Ocean, que nas gerações vindouras também se tornaria uma série de sucesso.

ActRaiser Coverart.png
ActRaiser: Sensacional!
ActRaiser 2
ActRaiser 2: Uma merda!
E.V.O.: Search for Eden
E.V.O. Morales: Search for Eden
Soul Blazer
Illusion of Gaia
Terranigma box art.png
Soulblazer / Illusion of Gaia / Terranigma: ‘herdeiros espirituais’. Muita gente considera um continuação do outro.
Robotrek
Robotrek: Ótima idéia, um RPG sci-fi. Pena que não vingou!
Ogre Battle.jpg
Ogre Battle
Brain Lord
Esse jogo era uma merda
The 7th Saga box art.jpg
E esse, uma pilha fumegante de bosta.

A ERA 32 BITS.
Foi nessa geração que a Square saiu na frente. Foi a primeira a sair do plano 2D e conquistar o mundo 3D ao lançar o Final Fantasy VII. Se não foi o primeiro RPG 3D, com certeza foi o mais significativo. Embora eu ainda prefira o FFVI, é inegável que foi nesta sétima edição que a série conquistou o mundo. Os gráficos, extremamente caprichados (PRA ÉPOCA) tornaram a Square uma referência mundial em animações em CG. Nos anos seguintes viria a lançar as edições VIII e IX, sempre na vanguarda gráfica do console.

Final Fantasy VII Box Art.jpg
File:FFVIIbattlexample.jpg
File:FFVIIsephirothkillsaeris.png
Outros destaques: SaGa Frontier (o jogo que de tão ruim virou cult), Chrono Cross (a sequencia de CT, muito aquém do original), Parasite Eve (a tentativa da Square de imitar Resident Evil), Final Fantasy Tactics, Vagrant Story e alguns remakes dos jogos de 16 bits.
Já a Enix começou bambeando. Demorooooou pra lançar um Dragonquest (o VII saiu só em 2000, enquanto que o FFVII é de 1997), e não teve lançamentos significativos exceto por Star Ocean 2 e a pérola Valkyrie Profile (ambos juntos com a tri-Ace). Vale aqui uma menção honrosa para Valkyrie Profile. Excelente jogo, pouco conhecido fora do meio, extremamente original e criativo. Hoje é considerado ‘cult’ por gamers hardcores (inclusive por mim).

Dragonwarrior7cover.jpg
Tantos anos pra fazer… ISSO?
Vpbox.jpg
File:Vpworldmap.JPG
File:Vpbattle.JPG
Valkyrie Profile: Jogo bão demais da conta da tri-Ace.

Nesse meio tempo também, a Square mostrou que gosta de fazer Pegadinhas do Mallandro com seus fãs e fez uma joint-venture com a Electronic Arts (EA), na época o grande nome em jogos de esporte e ação (todo o contrário que os RPGs representavam), para distribuir seus jogos no ocidente e vice-versa.

Í-EI SPORTS… it’s in the game!
Em algum momento por aqui também a Square compra a Eidos (sim, a do Tomb Raider), mostrando que a Square realmente estava a fim de pular a cerca e trair o movimento RPGístico, véi!
A ERA 128 BITS. (Sim, pulei a de 64 bits pois nenhuma das duas fez nada de significativo nela!)

Sem muito a acrescentar aqui. A Square lança Final Fantasy X para o PS2 (para muitos o último FF bom), e inaugura uma nova franquia: Kingdom Hearts, um action-RPG em parceria com a Disney (anos antes da Marvel ter a mesma idéia… hehehehehehe!). A Enix, por sua vez, lança Star Ocean: Till the End of Time, também para o PS2, e foi sucesso de público e crítica.

Ffxboxart.jpg
Final Fantasy X.
Artwork of a vertical rectangular box. Five people with weapons stand and sit atop a building ledge. A night sky with a heart-shaped moon is in the background. The words
Kingdom Hearts, jogo onde você salva o mundo com a ajuda do… Mickey? MICKEY? AH Felipe, pelo amor de Deus!

Enfim, a intenção desse post nunca foi contar a história das duas produtoras, mas acabei me empolgando. A moral da história aqui é que, em meados de 2003, as duas produtoras deram um ‘Maximum Trolling’ em seus fanboys e anunciaram a fusão. Na real, estava sendo especulada desde meados de 2001, mas o preju que a Square levou com aquele filme ‘Final Fantasy: The Spirits Within’ deixou a Enix cabreira, e com razão. Ainda assim, os mais céticos não botavam fé que uma fusão dessas fosse acontecer, seria a mesma coisa (dadas as devidas proporções) que fundir a Sega e a Nintendo no contexto do último post, ou fundir a Sony e a Microsoft para desenvolver um novo console pra próxima geração, ou ainda a Marvel e a DC nos quadrinhos (vish…).

Pelo jeito não foi só a Square que gostou de fazer crossovers com o Mickey.

A minha opinião sobre essa quizumba toda? Caras, concorrência é sempre bom pro consumidor, em qualquer negócio que é comer cu e buceta. Apesar das franquias das duas terem continuado, ficou um sentimento de desleixo (Final Fantasy XII achei bem morninho, o XIII achei intragável). E de lá pra cá, sinceramente não lembro de nenhuma pérola rara, como foi o caso de Valkyrie Profile em 1999. Muito pelo contrário, parece que os jRPG caíram no marasmo e na mesmice, e os do ocidente já estão podando pela direita (veja o exemplo de Dragon Age e Mass Effect, por exemplo). Eu era fanático por esses jRPGs até a época do PS1/PS2. Hoje, são raros dos atuais que eu tenho paciência para jogar até o final.

Final Fantasy XIII: Bonitinho, mas ordinário.

É triste ver a falta de concorrência levar à mediocridade desse jeito. O jeito é esperar que agora a Square-Enix bote a mão na consciência tendo em vista os últimos fracassos e más críticas e volte a ser aquela gigante do oriente que conquistava a todos nós com seus RPGs japorongos!

 
Mass Effect e Dragon Age: Duas franquias ocidentais BEEEEEEEEM melhores que qualquer jRPG da geração atual (in Bioware we trust). Seria sinal de desgaste ou reflexo da ausência de concorrência?

Pre fechar com chave de ouro, fiquem com uma ‘timeline’ das principais franquias das duas softwarehouses até o momento da fusão! Aproveitem, deu um trabalhão fazer essa merda! (Clique para ampliar!).

E isso conclui o segundo embate do especial Hooligans Nerds! Não percam a terceira parte,  que tem de tudo para ser o mais polêmico (até mais do que mamilos) até aqui:

Isso mesmo! O embate chega à nova geração! Agora é PS3 vs. Xbox360! Sony vs. Microsoft! George Foreman Grill vs. Caixa! YLOD vs. 3RL! Ying vs. Yang! Não percam! Vai sair faísca!