Olhar de Cinema Day 2

“The Sleeping Girl” do alemão Rainer Kirberg

No segundo dia do Festival, consegui assistir apenas um filme, e por sorte ou azar um filme-arte quase que 100% experimental.

A exibição ocorreu no recém-inaugurado espaço de cinema Itaú no Shopping Crystal e duas coisas me chamaram a atenção logo de cara.

1) A qualidade da projeção – Sou rato de cinema em Curitiba e posso afirmar que nenhuma sala na cidade possui uma projeção tão nítida e cristalina como a daqui. Os caras realmente investiram nos projetores de alta definição e isso me empolga a ir ainda mais ao cinema, uma vez que eu vinha perdendo a vontade devido à péssima qualidade de projeção das demais salas da cidade que acabavam perdendo em comparação para qualquer display ou televisão LCD da vida desses que você tem em casa.

2) Legenda numa tela separada logo abaixo da tela da projeção – Sim, é um sonho de cinéfilo realizado. Toda a vida me senti incomodado pelo fato das legendas sobreporem a imagem dos filmes e com isso adulterar toda a percepção da película e mesmo tirar a atenção da seqüência. Seria realmente fantástico se isso se tornasse um padrão nas exibições e cinema.

Tá…e quanto ao filme?

“The Sleeping Girl”ou “Das schlafende Mädchen” é o quarto filme do diretor alemão Rainer Kirberg.

Tentamos acompanhar a história de Hans, um estudante de Belas Artes que ao gravar um de seus vídeos performáticos conhece Ruth, uma cocotinha que vive num parque. Hans fica fascinado por ela naquele estilo que somente artistas emaconhados conseguem, leva ela pra casa e passa a explorá-la visualmente em suas video-artes.

Quando Ruth passa a flertar e sentir-se confortável com o mundo das artes em que Hans vive, um sentimento de insegurança domina o protagonista o que faz com que ele prenda a menina em seu “bunker”e passe a mal explorar um jogo psicológico que leva os dois à barreira da sanidade e do onírico.

O filme produz algumas poucas cenas interessantes, como nos vários momentos e diálogos em que o filme transcorre em primeira pessoa ou no momento em que os protagonistas jogam um para o outro uma bola em que Ruth enfia cacos de vidro a cada vez que a mesma é passada para ela. Há belos pedaços de diálogos aqui. Fora isso, o filme todo é contado pela câmera de mão de Hans, a atriz principal é muito expressiva, mas a película sucumbe do grande mal dos filmes independentes (principalmente os experimentais E de arte) … olham demais para o próprio umbigo. Isso os transformam em filmes de sub-nicho, interessante apenas para os poucos que trabalham em cima das mesmas questões que os autores. Não digo que há algo errado em dar espaço a esse tipo de trabalho, muito pelo contrário, com a facilidade técnica de se produzir filmes hoje em dia quero mais é que os filmes experimentais se multipliquem, mas me questiono até que ponto ele pode ser relevante numa seleção de filmes para um festival como esse.

By Gordo.


Referência
Site Oficial do filmehttp://www.dasschlafendemaedchen.de/ (ufa, tem uma versão em inglês)


  • Anonymous

    Esse filme foi um dos melhores do festival. Não acredito no que acabo de ler, parte do publico não ficou ate o final por não ter sensibilidade pra pegar o mínimo que esse filme transmite com perfeição.