5 motivos pelos quais você, leitor de mangás, deveria ler HQs

Por muitos anos eu lia quadrinhos de maneira esporádica – lá na minha infância. Depois de muito sofrer com o fato que, bem, eu não entendia nada por perder o equivalente a ideia do meu avô em histórico da DC/Marvel desisti.  Por muitos anos a seguir eu li mangás – sabe, quadrinhos japoneses. E eu me diverti, me joguei de corpo e alma e coração. Tudo que eu podia ler eu lia! 3 vivas para a interweb nesse aspecto.

VISH! [original]

Um dia eu reencontrei os quadrinhos da DC. Foi quando eles inventaram dos Novos 52. Foi quando eles pensaram em dar uma reboot na sua linha para atrair novos leitores. Me atraíram. E quer saber? Valeu a pena. Eu tentei colocar em 5 tópicos simples e diretos porque você, como eu como ele, como a mãe dele, como a Vânia, volte a ler quadrinhos. Ou quem sabe se interesse em começar

1. Mais próximo da nossa realidade

Sim, por mais triste que isso pareça soar é mais fácil que nossa cultura/mente aceite que uma pessoa de alto nível social como Bruce Wayne seja chamado de Mr Wayne o tempo todo conforme ele anda pela alta sociedade de Gotham. Mas a não ser que você já esteja acostumado, fica difícil entender porque uma pessoa próxima de Bruce o chamaria de Wayne-san, Alfred o chamaria de Wayne-sama e, se ele tivesse culhões, Super-Homem o chamaria de Wayne-kun.
Porque um adolescente de terno merece respeito. CRUJ.

Explicando, seria algo assim: -san:  tom de respeito; -sama: reverência ao seu mestre/amo (sério.); -kun: depende muito do contexto (é) mas nesse caso seria pra mostrar que Super-Homem é mais foda que o Batman (Aham Claúdia).

“Cala a boca piranha!”

2. Disponível em Technicolor!

Sim! Sim! Cores são boas! Cores são suas amigas! Talvez nem tanto mas o fato de que 87,37%* das páginas de mangás publicadas todas semanas no Japão são preto-e-branco, a forma de arte de ser em p&b perde seu charme. Vira, por falta de melhores palavras, banal.
Esquerda: H2 / Direita: Katsu! – Ambos de Adachi Mitsuru

Sem falar que existem diversas técnicas de colorização que podem expressar desde idéias do autor como os próprios sentimentos da cena que você está apreciando. Você consegue argumentar que a cena abaixo não expressa uma certa… melancolia?

Tudo bem, funcionaria sem as cores também.

 

* número inventado, obviamente.

3. Crossovers, ou, cada mangá existe em seu próprio mundo

Um fato pouco comentado na linha dos mangás são crossovers. Talvez o problema não seja nem a falta de discussão ou intenções mas sim que exceto em caso de história que contam o dia-a-dia de pessoas, não existe como.
Né?

É fácil para qualquer um ver como Batman poderia tirar um tempo e ir para Metropolis ou quem sabe dar um passeio por Washington e encontrar Nick Fury (ops!). Alguém conseguiria ver como o Goku voaria de sua casa em alguma região da Pangeia para visitar Luffy D. Monkey no que parece ser uma versão de Waterworld de Kevin Reynolds?

Exato. A dinâmica que grande parte dos mangás tem em criar seu próprio universo auto-contido impossibilita drasticamente a possibilidade de crossovers ocorrem e quem sabe desenvolver histórias mais épicas.
Épico.

4. ???

Eu admito, eu não tinha 5 motivos então inventei o ??? apenas para que eu parecesse saber de várias coisas.

5. Se duas cabeças pensam melhor que uma, que tal ∞ cabeças?

Salvo raras exceções, mangás são escritos por uma pessoa. O que isso significa em termos práticos? Que apenas uma pessoa tem um controle criativo de toda a vida de uma história.
E eu aqui bloquando o Flash no meu navegador 🙁

“Mas isso é bom seu gordo DCnauta maldito!” – concordo que tem grandes vantagens quando o autor é, de fato, alguém sensato ou pelo menos sabe a direção que ele está levando seu trabalho. Infelizmente existem vários exemplos de autores (e não apenas em mangás) que perdem a sensação de para onde deveriam ir. A grande maioria – esmagadora – de quadrinhos da região de cá do meridiano de Greenwich tem ciclos às vezes até relativamente curtos de autores e, muitas vezes, desenhistas.

Seja porque o autor foi contratado para aquele ciclo ou porque seu desempenho não foi o esperado não importa. O que importa é que isso dá uma chance da história ser renovada com novas idéias, pensamentos e principalmente: criatividade.

Espero que isso faça com que você tenha vontade de pelo menos dar uma chance novamente aos quadrinhos. Acredite. Faz bem.

Sem falar que eu pretendo escrever motivos pelos quais você, leitor de quadrinhos, deveria ler mangás 😉

  • Huhahuahuauhahu! Boa! Precisamos de um podcast sobre mangás urgente tb!

  • Bah Ruthes, que orgulho desse seu artigo! Fico feliz de saber que tenho uma certa influência sobre sua conversão uhauhauhua Mt bons os aspectos levantados, só não dá pra generalizar a questão do Branco e Preto, muitas histórias concebidas em PB perdem sua força na coloração.

  • então, é o meu ponto. p&b tem muito apelo quando bem utilizado mas como mangás em geral são p&b na sua completude, ele perde o aspecto de ser mais uma parte da arte e se torna apenas um fato.