Olhar de Cinema – Day 4 – “I am White Mercenary”

Documentário Iraquiano traz à luz relato individual polêmico de um povo anulado pela guerra

“I am white Mercenary”, documentário Iraquiano dirigido por Taha Karimi traz a história de Saeed Jaf (ou um lado dela), um ex-comandante mercenário que trabalhou para o regime “Baath”de Saddam Hussein e hoje está sendo julgado, acusado de participar do genocídio de 182000 civis Curdos ao longo da Campanha Al-Anfal em 1988.

Jas alega ser o responsável pelo salvamento de mais de mil pessoas, uma espécie de “Schindler” Curdo, como ele mesmo alega.
O documentário acompanha a peregrinação de Jaf pelas vilas Curdas, colhendo depoimentos de pessoas que atestam a bondade e o mérito das ações do mesmo.
O grande atrativo do filme, inicialmente, é a coletânea de imagens e depoimentos do povo Curdo no Iraque pós-guerra (pós?), mas a história do ex-mercenário acaba se mostrando intrigante e atraente mesmo com o filme enfatizando apenas um lado da história, o do “anti-herói injustiçado”e não se preocupando ou mesmo não sendo capaz de colher muitos depoimentos contrários à ele. Até certo ponto isso é compreensível uma vez que os outros ex-mercenários não identificados não poderiam se expor publicamente como assassinos de Curdos para o atual regime que tem sede de justiça contra eles.
Há uma tentativa de contraponto ao narrador original quando eles mostram algumas pessoas que mesmo tendo escapado dos massacres, acham que o fato do Mercenário ter salvado mil pessoas não o absolve das outras tantas mortes orquestradas pelo seu exército, o que dá uma pequena chance ao expectador desavisado de fazer algum julgamento próprio perante a história.
O diretor do filme, conforme atestado em entrevista, tomou partido da inocência de Jaf após assistir mais de 20 DVDs, com depoimentos gravados pelo próprio Jaf, de aldeões atestando a inocência e a integridade do “Mercenário Branco”. O diretor quis dar voz à esse personagem dúbio e polêmico e no fim das contas trouxe uma história que dificilmente alcançaria olhos e ouvidos além-Iraque não fosse a força do cinema documental.
By Gordo
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