Review – Goon

UM FORREST GUMP NO HOCKEY?
Quando peguei Goon pra assistir, achei que fosse mais um daqueles besteróis genéricos de Hollywood. Ledo engano.

Primeiro, por ser (livremente) baseado na história real do livro homônimo de Doug Smith, jogador de ligas menores de hóquei. Segundo, por ser co-roteirizado por Evan Goldberg, responsável por outros filmes de comédia ‘responsa’ como Superbad e Pineapple Express. E a surpresa não poderia ter sido maior!

O filme narra a história de Doug Glatt (vivido por Stifler Sean William Scott), um sujeito bondoso porém burrão e muito forte, que não conseguiu honrar a tradição de família como médico, e acabou virando ‘leão-de-chácara’  de um bareco local.

Um belo dia, ao assistir uma partida de hóquei, acaba se envolvendo em uma briga com um dos jogadores e virando sensação local. Obviamente não tardam a chamá-lo para jogar numa equipe local (mesmo não sabendo porra nenhuma de hóquei), simplesmente para ser o ‘porrador’ do time, protegendo os jogadores de seu próprio time e ‘aleijando’ os adversários.

Por mais ‘lugar comum’ que isso possa soar, a trama funciona – e muito bem, e dá para ter uma noção do quão brutal é a vida de um jogador de hóquei. Violência, sangue e gelo são as constantes no decorrer da película, e nada disso incomoda (mesmo tratando-se de uma comédia): nada que está lá é gratuito e tudo ocorre de maneira natural. Nunca entendi porra nenhuma fui um grande entusiasta de hóquei, mas as críticas que vi de especialistas no esporte foram todas positivas.
Em momento algum o filme escorrega para o cliché ou estereotipagem: os personagens são tão humanos quanto possíveis. Até o antagonista de Stifler Glatt, Ross ‘The Boss’ Rhea (interpretado por Dentes-de-Sabre Liev Schreiber), que a princípio parecia um personagem extremamente caricato e unilateral, mostra-se muito mais que isso.

Enfim, não espere encontrar aqui um filme digno de Oscar, tampouco uma maravilha de sétima arte. Espere sim um filme de comédia MUITO acima da média, que vai fazer você pensar e refletir com personagens de um realismo assombroso, e também – porque não? – dar algumas risadas!

Aliás, vale uma ressalva aqui, assim como filmes com premissas parecidas (Forrest Gump e Defendor, por exemplo), Goon é uma ‘dramédia’: tem seus bons momentos de risada, mas, acima de tudo é um drama da vida real. Se você realmente procura um besteirol pra desligar o seu ‘célebro’, recomendo que vá assistir outro filme.

Ponto positivo para o Stifler Sean William Scott. Sempre achei o cara meio subestimado, e estigmatizado por um personagem besteirento. Aqui ele prova que eu tenho razão, consegue segurar as pontas de um personagem que gasta mais borracha que lápis, de maneira dramática, real e convincente.

Nota 7.