Review – Safe (2012)

O cinema de ação ainda tem salvação? (ih, rimou!)

Todos os redatores do CnC tem algo em comum (além do fato de serem nerds, oboviamente): todos somos filhos dos anos 80.

Sim, somos de uma época sem computadores, celulares, android ou redes socias. Uma época em que a molecada brincava pela rua, e não se enfurnava em casa no WoW. Uma época que passava desenhos pela manhã na TV, e não Fátima Bernardes.

Nessa mesma época também não tínhamos que amargar ‘filmes’ como Hanna Montana na Sessão da Tarde. Quem viveu nos anos 80 (talvez começo da década de 90 também), antes de toda essa hipocrisia cultural do ‘politicamente correto’, assistia filmes como ‘Comando para Matar’, ‘Braddock’, ‘Rambo’ e ‘Stallone Cobra’ em pleno matinê. Então todo mundo com um pézinho nos anos 80 tem um carinho todo especial (hmmm… boiola) pelo cinema de ação.

BANG!

Cinema que, infelizmente, está em crise. Todo mundo sabe que Hollywood está num hiato criativo tremendo, e tudo que vemos hoje ou são remakes ou adaptações de outras mídias. Neste contexto, é muito difícil ver algum material genuinamente novo. Filmes de ação então, nem se fala. Tudo possui aquele gosto de ‘marmita requentada’. Até aquele filme do Stallas, Mercenários (apesar de bacana), é forçadasso ao extremo te chama de burro por tabela.

Mas e não é que de vez em quando surge uma grata surpresa, aquele filme com boas cenas de ação, uma boa história e que não te nivela por baixo? É o caso de Safe (2012), ainda inédito no Brasil. (Como eu já assisti? Não é óbvio? Como sempre, eu fui na premiere em Los Angeles semana passada.)

‘Aí galera, todo mundo com cara de mal!’

Safe narra a história de dois personagens: uma menina chinesa super-dotada chamada Mei (Catherine Chan), que por seu talento com números é usada pelas Tríades Chinesas para transportar códigos e senhas, sem deixar rastros; e Luke Wright (Jason Statham), ex-agente especial que caiu em descrédito ao denunciar seus colegas corruptos e passou a ganhar a vida como lutador de vale- tudo. Luke ganha uma luta arranjada para ele perder, e com isso arranja treta com a máfia russa. Sua esposa é brutalmente assassinada e ele passa a ser perseguido de perto sob a ameaça de ‘todo mundo com quem ele se envolver’ sofrerá o mesmo fim da esposa. Com isso, ele passa a vagar pelas ruas como um legítimo ‘mindingo’, e por várias vezes tenta cometer suicídio, sem sucesso.

‘Ninguém me ama, aí virei um mendigão!’

Numa transação que deu errado com a Máfia Russa, o caminho de Mei acaba se cruzando com o de Luke, que faz com que ele reencontre um motivo para viver. Agora Luke a protegerá com a própria vida e fará justiça com as próprias mãos! OOOOOOOOOoooooooooo!

Daqui pra frente, tudo que se vê é aquele cinema de ação maroto, moleque, de várzea… Tiroteios, mortes, sanguinolências, tudo da forma mais crua possível. Sem efeitos polidos nem ‘arame-fu’: só porradaria! Destaque para a cena de perseguição de carro logo após Luke resgatar Mei do metrô: extremamente realista e bem feita, sem aqueles gazilhões de explosões a la Michael Bay… me lembrou muito a clássica perseguição em Ronin (1998), com Robert De Niro e Jean Reno.

‘Fleeze mothafucka!’

Mas tudo são flores? Óbvio que não! O grande problema é que o filme demora para engrenar: a contextualização dos personagens é demorada, e, em algumas partes um tanto confusa. O roteiro também peca por não trazer nada de novo. Apesar de muito bem construído, não tem nada de memorável: parece uma mistura de Hora do Rush (1998) e Chamas da Vingança (2004), então provavelmente seu ‘célebro’ vai misturar as informações deste filme com a de tantos outros que você já tem armazenados aí na cachola.

‘Calma tio, eu só tava blincando!’

Mas se você sobreviver ao começo lento, prepare-se para um cinema de ação de qualidade – coisa rara atualmente. Jason Statham aliás, sagra-se com um dos expoentes de um gênero praticamente em extinção e mostra que sabe segurar bem (ui!) cenas de ação.

Recomendadíssimo a todos os fãs do gênero.

Nota 7,5.