Grant Morrison se despede dos heróis DC!

Action Comics #16 será o canto do cisne do escocês com as histórias do Superman e Batman Incorporated #12 conclui cinco anos de histórias do morcegão.

O escritor deu uma longa e ótima entrevista ao site Comic Book Resources (CBR) – pratique seu inglês aqui – e entre seus planos inusitados para o futuro, que incluem a sua própria convenção – MorrisonCon – e um conto de natal-noir-psicodélico em parceria com Darick Robertson em sua primeira série autoral lançada pela Image, “HAPPY!“,ele revelou que o canto do cisne com o escoteirão e o detetive se aproxima e devemos esperar apenas trabalhos finitos e curtos dele em parceria com as duas grandes – Marvel e DC.

 Primeiras imagens de HAPPY! de Grant Morrison e Darick Robertson (The Boys)

HAPPY!” deve ser apenas o primeiro passo da alforria do roteirista, que acabou de ser nomeado Membro da mais alta ordem do Império Britânico (em tradução livre), antes disso porém ele dará vazão à suas últimas histórias de Batman e Superman em suas respectivas revistas e deve completar pelo menos mais dois compromissos finitos com a DC Comics, “Multiversity“, uma mini-série em 7 edições com artistas diversos (e bons pra caramba) que abordarão, cada um, uma terra específica do Multiverso DC (existem 52). Fora isso, há ainda planos de uma história sadomasoquista da Mulher Maravilha, que ainda não passa de um estudo de 30 páginas mas devem tomar forma logo (já se falou em parceria com Ethan Va Sciver nesse projeto, mas sinceramente espero que não).

As razões da despedida são as mais simples possíveis, nada de brigas editoriais ou imposições corporativas, o escritor simplesmente não sente mais prazer desenvolvendo histórias para esses personagens, para os super-heróis em geral e honestamente, que bom seria se todos os escritores tivessem a mesma consciência (e talento), isso teria nos livrado de alguns anos de histórias de Chris Claremont.

E o que esse gordo aqui acha disso?

Bem na real, senti um misto de tristeza e alívio ao ler essa notícia.

Tristeza por saber que dois dos heróis que eu mais gosto de acompanhar nas histórias em quadrinhos perderm ao mesmo tempo um de seus melhores escritores de todas as eras. É sempre ruim quando algo bom acaba, o sentimento de luto é inevitável mas depois vem o alívio, Morrison vinha dando sinais de cansaço desde o final de “Crise Final“.

Cena chave de Final Crisis #6 … a partir do #7 é que a obra mainstream do escocês começa a dar sinais de cansaço

Não me entenda mal. As histórias desse período, entre elas “Batman and Robin“, “Batman Incorporated”  e “Action Comics” foram e são todas muito acima da média das demais revistas em quadrinhos do mercado norte-americano, mas já era perceptível o declínio em sinais como a insistência dele em auto-referencias e reciclagem de conceitos e histórias esquecidas e perdidas no passado fazendo tudo convoluir ao seu próprio umbigo.

A “narrativa-zapeada“, estilo picotado de contar uma história que o escocês vinha experimentando desde Crise Final #7, só serviu para ajudá-o a vomitar todas as idéias escalafobéticas que lhe vinham à mente, no entanto ele perdeu nesse processo as qualidades criativas de desenvolvimento, ritmo, cadência e diálogos potentes que tornaram as suas obras tão importantes no cenário dos quadrinhos dos último 30 anos…

Apesar dos pesares, Morrison já deixou um legado cultural que poucos roteiristas conseguiram equiparar. Definiu não um, mas vários estilos, redefiniu personagens de diferentes formas, para diferentes gerações e acima de tudo, nunca se debruçou no seu sucesso passado como uma muleta para seus trabalhos presentes como tantos outros gênios dos quadrinhos que tem por aí.

Deixará saudades!

Não conhece Grant Morrison? Nunca leu nada do careca. Então se ligue nas 3 indicações do CnC

Supergods

Livro-Manifesto do escritor onde ele exprime toda sua paixão e traça um retrato definitivo da mítica dos super-heróis.

 Superman: All Stars e New-X-Men

A história definitiva do Superman e a melhor interpretação dos mutantes de todos os tempos.

Invisíveis

Série limitada da Vertigo. Escrita mais densa, experimental e vertiginosa de toda a carreira do escocês. Cada edição de 20 páginas rende outras dezenas de páginas de referência e pesquisa.