Review – O Espetacular Homem-Aranha (por Balão)

Será que o novo filme do teioso nos fará esquecer a trilogia de Sam Raimi? Será?

Como bons nerds, já gravamos um podcast sobre o ‘Repetácule’ Homem-Aranha. Mas como bons redatores do CnC, o podcast está atrasado e só será lançado próximo domingo (e olhe lá).

Então como sempre estou atropelando tudo e todos, não resisti e farei uma breve (espero) resenha sobre o filme do amigão da vizinhança (com o mínimo de spoilers possíveis, para quem ainda não viu).

A história é aquela que você já conhece: nerdão que sofria bullying no colégio é picado por uma aranha radioativa – geneticamente modificada – whatever – e ganha força e agilidade e bla bla bla proporcionais às de uma aranha. Só que dessa vez resolveram focar também (um pouco) na infância de Peter, mostrando o relacionamento com os pais, bem como o desaparecimento misterioso deles.

 

O grande mérito do filme é a caracterização e desenvolvimento de seus personagens. Andrew Garfield prova ser o Aranha definitivo nas telonas, muito mais semelhante ao personagem dos quadrinhos (tanto fisica como psicologicamente) que seu antecessor Tobey Maguire. Misturaram alguns elementos do Aranha clássico com o Ultimate. Mas, em essência, o que vemos é aquele Aranha de 1960 e bolinha, de Stan Lee e Steve Ditko.

Quem fala que o Tobey Maguire era mais parecido com o Aranha dos quadrinhos, nunca leu um gibi do teioso.

Os coadjuvantes também não ficam atrás. Emma Stone está fantástica no papel de Gwen Stacy, assim como Martin Sheen e Sally Field nos papéis de Tio Ben e Tia May, respectivamente (apesar de subaproveitados na trama). Até o valentão Flash Thompson se mostra extremamente humano e crível, talvez tentaram fazer aqui um reflexo da evolução do relacionamento dos personagens nos quadrinhos.

 

Para nossa minha alegria também não banalizaram a frase clássica do Tio Ben, que é usada às exaustão em todas as ‘recontagens’ de origem do herói: sim, no filme ele nem chega a falar, mas exprime a idéia em sentimentos e outras palavras de maneira sutil e sincera. Falando em banalização, a parte de ‘luta-livre’ da origem do herói, que deu a idéia da máscar e todo mundo já está de saco cheio de ver também está presente, mas de maneira bem discreta. Palmas para a direção.

Fala sério, a fase ‘lucha-libre’ do Aranha já deu no saco!

O uniforme do Aranha, que muita gente torcia o nariz quando via imagens e vídeos divulgados, funciona – e muito – bem. Acaba ficando convincente que um piá de 17 anos conseguiria fazer aquela roupa, costurando um capuz, colando lentes de óculos escuros e comprando um collant pela internet. O porte físico de Garfield também colabora, mostrando um Aranha mais esguio e ágil, como visto nos quadrinhos.

E as piadas? Ah, as piadas… YES! Temos piadas! Diferente do Aranha do Raimi, que só joga uma piadinha forçada aqui ou ali, este aqui não cala a boca, tem sempre uma tiradinha sarcástica e irônica pra tudo. Pena que Àndrew Garfield como Aranha tem pouco tempo de tela, poderia ter sido mais explorado. Mas os momentos mais ‘orgásmicos’ para o nerd que vos falam foram as cenas em ‘primeira pessoa’, que lembraram muito o game Mirror’s Edge, e também do Aranha usar constantemente o ‘websling’ movimento bem comum dos quadrinhos que o Aranha usa as teias como estilingue para pular grandes distâncias.

Assim ó! IBAGEM tirada do novo jogo do teioso, sequência do filme.

Problemas? É óbvio que o filme tem. Primeiro, um lagarto de CG com sorrisinho de Sagat que não convence e lembra mais um Gomba daquele sofrível filme do Mário (que Mário?) de 1993. Embora o ator Rhys Ifans tenha cumprido  o seu papel como Dr. Curt Connors, o mesmo não pode ser dito de sua contraparte digital.

O lagarto nos quadrinhos….
… na fodástica arte conceitual…
… e o resultado final… PUTA QUE OS PARIU!

Os lançadores de teia foram uma grande sacada, e algo que sempre senti falta na trilogia de Raimi, mas novamente, é muito mal aproveitado. As maiores tensões dos quadrinhos do Aranha estão justamente naquelas lutas ou acrobacias em que o fluido de teia acabava no pior momento possível, e isso simplesmente não acontece no filme: tirando uma hora que a ‘eletrônica’ do bagulho pifa quando o Teioso está fugindo do Largato pelos esgotos, ele está sempre se balangando por aí, com fluido de sobra.

Aliás, outra coisa que incomoda já é um velho estigma de Hollywood: a mania de querer explicar tudo, embasar tudo, e nivelar o expectador por baixo. Desde a eletrônica furada dos lança-teias, uma equação mais furada ainda de ‘Decaimento celular do não-sei-o-que-lá’, e a pior de todas: quando o teioso descobri o vil plano do ‘Largato’ em seu covil, que aparece todo o plano em uma animação que é quase um ‘powerpoint’ e mais – o vilão ainda narra tudo em um video-log. Eu já tinha sacado a idéia, não precisava daquilo – se isso não é chamar o expectador de burro, não sei o que é!

‘Fluido de Teia’ já é bem absurdo. Vocês realmente precisam tentar explicar? Sério?

O filme também às vezes peca um pouco pela falta de ritmo, a narrativa é ora amarrada e cansativa, ora rápida demais (principalmente em momentos que você gostaria de ver melhor desenvolvidos). Não obstante, Peter e Gwen conseguem construir um relacionamento bem interessante e crível nas quase duas horas e meia de projeção (tirando talvez aquela parte que ele laça ela pela bunda com teia).

Casal 20 nos gibis…
… e na telona: ótima escolha de elenco!

Enfim, a história do filme pode até não ser uma Brastemp (aliás, é bem batida e por vezes piegas demais), mas cumpre seu papel – apesar de deixar MUITAS pontas soltas para um eventual segundo filme. Traçando um paralelo com o Batman Begins (mas sem entrar no mérito da qualidade de ambos): os dois são filmes que remetem à origem do herói, introduzem um vilão meio ‘B’ (Espantalho no Bátima e ‘Largato’ no Aranha), e ambos deixam no ar que a seqüência será com seu respectivo nêmese (o Jóker, o Coringa, o Bobo e o Duende). Bom, vocês viram o que aconteceu com a seqüência do Bátima não é mesmo? O Espetacular Homem-Aranha pode não ser um filme memorável, mas certamente pode ser o trampolim para algo – BEM – maior.

Aguardo ansiosamente o segundo – com altas expectativas.

Nota 7,5.

  • 7.5… já perdeu meio ponto em dois dias hauahuah daqui a um tempo tá dando cinco que nem eu hehehe

    • Não senhor! Eu sempre dei 7,5! uhauhahuaua! quem tava dando 8 era o boobs e o mamica's

  • Pô Balão, eu dou 8.5, talvez 9… ainda que hajam problemas, os méritos são maiores. Foda realmente é achar que todo expectador burro. Vamos torcer para rolar um segundo filme

    • Po zeverboy! Apesar de tudo, gostei pra caramba do filme, foram mais acertos que erros. Mas algumas coisas me incomodaram, por isso da nota. Agora, se vier um segundo, acho que tem tudo pra ser um TDK do Aranha! o/