Webcomics – Ame-os ou… ame-os!

Eu sou um fã incondicional de webcomics. Eu tenho na minha lista mais de 20 webcomics que eu leio regularmente sem falar nos que eu já desisti porque caíram numa fase insuportável. Na sua grande maioria eles são apresentados em formatos de tirinhas mas eu não os vejo dessa maneira. Em geral.

MegaTokyo – um exemplo de não-tirinha

Comecemos pelo começo então oras! O primeiro webcomic data de 1986 e se chama T.H.E. Fox só que talvez ele não se enquadre no que pensamos hoje como webcomics: Ela era distribuído na Compuserve e em 1991 foi pra FTP e Usenet (calcule a velharia do troço!). Ainda assim ele foi o primeiro a ser distribuído digitalmente e por isso ganhou um espaço debaixo do sol.

Falando nisso, o primeiro webcomic brasileiro foi publicado em 1995 por Raquel Gompy, publicado na USP e se chamava Nérd e sua turma- quem de vocês gordos pode falar que tem algo assim no portfólio? O site da Raquel ainda tem algumas tirinhas que vale a pena dar uma lida também!

Voltando… A maior semelhança entre um webcomic são as tirinhas que você encontra em praticamente todos os jornais em circulação por todo o globo (não O Globo…)! Desde o seu formato de 3/4 quadros em sequência até o desenvolvimento que segue quase um padrão de (1) apresentação (2) preparação (3) punch line (fim da piada). Isso significa que o formato dos webcomics em geral é uma mídia de consumo casual, sem que o leitor tenha de ter todo um background sobre os personagens.

xkcd – cuidado, eles mudam bastante o formato

As semelhanças podem parar por aí mesmo porque a maior vantagem dos webcomics — assim como tudo publicado na internet — é a independência do autor em escreve e publicar aquela vômito mental que ele teve sem passar (em geral) pelas mãos de um editor que pode desde reescrever partes da história até mesmo cortar! Além da clara liberdade de criação ainda é possível experimentar com novas técnicas, histórias e principalmente evoluir.

Uma das melhores facetas dos webcomics é justamente essa: Evolução. Pegando webcomics como QC e CAD é possível ver como desde a primeira publicação como o autor evoluiu tanto na arte quanto no roteiro. Isso é algo que demanda um tempo absurdo e que nenhum escritor/desenhista teria na mídia convencional onde os resultados precisam existir — por isso muitos acabam começando auxiliando ao invés de serem os principais na sua área em uma HQ. Porém, a liberdade que é conquistada ao publicar na internet é a legítima faca de dois legumes como o nome do nosso próprio site já demonstra. Muitos autores sofrem justamente por não ter um editor para supervisionar o trabalho.

“Espera um pouco Ruthes- primeiro você fala que é bom não ter editor e depois que é ruim? WTF?” Caaaalma piranha.

Eu admito — esse é um ponto contraditório até mesmo para mim. Eu sou completamente a favor da auto-publicação para que as pessoas posssam simplesmente criar, criar, criar e distribuir! O conhecimento e informação são mais interessantes na sua forma crua de quem os criou. No entanto, eu só defendo isso no começo, aquele período onde a criativdade de uma pessoa está beirando o impossível onde os artistas praticamente têm orgasmos ao criar.

Usando a referência do sexo, depois de um tempo, é necessário apimentar a relação. A evolução traz também uma outra característica que pode prejudicar um artista que é a maturidade. Nesse ponto eu defendo um editor porque é ele quem vai poder olhar de maneira objetiva o que foi feito e o que pode ser feito- mesmo que seja dizer pro artista que aquela história já acabou e precisa terminar. Você já imaginou como seria Senhor dos Anéis sem qualquer edição?

Penny-Arcade: um dos mais bem-sucedidos. Eu acho uma bosta.

Por sinal, essa migração do modelo casual para algo mais envolvente com uma história profunda é o que normalmente afunda a maioria dos webcomics. O início é normalmente algo mais casual justamente porque os artistas estão “testando a temperatura da água” antes de caírem de cabeça e quando percebem que a coisa vale a pena começam a desenvolver. Talvez este seja o ponto que eles deveriam abandonar a história e partir pra outra.

Ainda assim, a internet é um organismo vivo e para cada webcomic que falha surgem outros que tentam almejar o mesmo nível de sucesso que um anterior ou até mesmo criar um próprio nicho. A democracia e liberdade da internet que nos permite vermos webcomics originais ou mesmo montagens de outras imagens ou fotos.

Não se acanhe, leia e consuma. Pode não ser a sua felicidade suprema eu admito porém fará você rir na maior parte do tempo.

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