Até a Eternidade – com Marion Cotillard – Review

 “Até a Eternidade” foi o que eu achei que ia durar esse filme depois de certo ponto assistindo.

Trata-se de uma dramédia tão indecisa quanto um de seus protagonistas, com excesso de tramas paralelas, algumas razoáveis, outras hilárias, um par de boas interpretações, uma excelente, ainda que deslocada trilha sonora, porém que não justificam as duas horas e trinta e quatro minutos dentro do cinema.

“Les Petits Mouchoirs” no original, “Little White Lies” nas terras gringas, o filme enfoca um bando de amigos (da onça) que saem curtir as suas já programadas férias na praia, mesmo após o “grande” companheiro de todos eles, Jean Dujardin, aquele que ganhou o Oscar por O Artista e que passa mais um filme sem poder dar um pio, ter sido *** SPOILER ALERT – Selecione o texto a seguir se quiser ler *** estraçalhado por um caminhão que atropelou a sua moto na cena inicial do filme, um belo plano-seqüência por sinal *** Fim do SPOILER ***

Max (François Cluzet) dando de dedo em Vincent (Benoît Magimel) após desconfiar que o amigo estava tramando para boliná-lo na lama.

Durante quase toda a duração do filme somos apresentados às histórias individuais de cada um dos amigos durante sua convivência na casa de praia do mais velho e bem sucedido deles. Algumas dessas sub-tramas até fazem valer a pena, seja pelo riso fácil trazido pela hilária interpretação de Francóis Cluzet, o Dustin Hoffmann francês, um machão neurótico e inveterado que passa o filme todo lidando com o conflito causado pela declaração de amor do seu melhor amigo (Benoît Magimel), até então hetero, por ele, seja pela franqueza e veracidade da personagem de Marion Cotillard, Marie, uma mulher zen e chegada numa erva, que não sabe a quem nem como amar. Marion brilha em pequenos momentos dessa personagem.

Marion Cotillard – Marie

As demais histórias, porém, enfraquecem e alongam o filme. São clichês como o ator fracassado e mulherengo que passa por uma epifania sobre seus relacionamentos, o bobão que passa o filme inteiro se arrastando atrás da mulher que após 11 anos de namoro o largou para casar com outro, a mulher infeliz no casamento que desconfia que o marido é gay, o amigo hermitão e bruto, que no fundo tem um coração de ouro e é quem dá a lição de moral no final, e assim vai.

O mais impressionante é que durante o filme todo vc se esquece completamente do *** SPOILER ALERT – Selecione o texto a seguir se quiser ler ***  infeliz acidentado lá do começo do filme. *** Fim do SPOILER ***

 Os encerramentos de todas as tramas são previsíveis e até inocentes, longe da maturidade e que o filme tenta demonstrar durante seu percurso.

Por fim, ressalto a ótima seleção musical que vai de Janis Joplin à Damien Rice passando por David Bowie. Ainda que a trilha pareça deslocada em várias cenas, me peguei em alguns momentos viajando nas músicas e esquecendo quase que totalmente do filme.

A trilha sonora não deveria ser o maior atrativo de um filme, certo?….Certo?

Vale o ingresso do cinema? Não. Mas se estiver sem outras opções numa tarde de domingo, alugue o Blu-ray, estoure uma pipoca e aconchegue a namorada ou o namorado no colinho, haverá muitos momentos livres para bitocas.

Abraço do gordo.

Link do IMDB: http://www.imdb.com/title/tt1440232/

Nota do Gordo: