Dobradinha CnC – Games Classic

O primeiro concerto de games 100% brazuca!

NOTA DO GORDO: O segundo na verdade, conforme correção enviada pelo nosso leitor Leandro Ferraz nos comentários desse post. Aparentemente o primeiro concerto de games 100% brazuca foi o “Games in Concert”, que estreou em Santo André / SP em 22 de Abril de 2012.

E obviamente o CNC estava lá para conferir!

Balão: a verdade, apenas 50% dos integrantes titulares do CNC. Ou seja, eu (Balão) e o Gordo (mas que fique bem claro que fomos em sessões separadas, eu não quis furar os olhos do Mamica). E para comemorar tal iniciativa, vamos fazer uma… Dobradinha CNC! Isso mesmo! Eu vou escrever um review sobre o show e o gordo, com toda sua rabujice inata, vai comentar logo em seguida! É o primeiro review em jogral do sul do país!

Gordo: É isso aí baiucada, vc terá em um mesmo artigo dois pontos de vista distintos, o do Balão, que foi na primeira sessão e sentou num lugar marromenos e o meu, que estive presente no último dia sentado na primeira fila, depois de ter pago uma inteira de R$100,00 que me fez ficar com o bolso dolorido por um mês.

O evento em questão.

Balão: Mas então vamos lá. Há alguns anos (2008, mais precisamente), tive oportunidade de assistir o Video-Games Live, o pioneiro dos concertos gamemaníacos e provável fonte de inspiração para o Games Classic (doravante chamado GC). De certa forma então, podemos considerar o GC um ‘primo pobre’ (sem ofensas, claro) de sua contraparte estadunidense.

 Gordo: Eu em contrapartida dei uma de otário e perdi o VGLive de 2008, e culpo o Balão por isso até hoje, já que o lazarento me avisou disso com dois dias de antecedência, quando eu não podia mais comprar ingressos #invejaMata).

Video-Games Live, o ‘primo rico’.

 Balão: Fui na sessão de estréia, no dia 31/07. Sim, a primeiríssima sessão. E é óbvio que não está tudo 100%. A GC ainda passa longe de todo o GLAMOUR (Ui! Boiola!) do seu ‘primo rico’, mas nem por isso deixaram a peteca cair.

Gordo: Como já escrevi eu fui na última sessão Curitibana, afinal todos sabem que as primeiras sessões são famosas por apresentarem problemas técnicos que se resolvem nas sessões seguintes…ou não, muito pelo contrário.

Balão: Logo na recepção, recepcionistas recepcionavam (duh!) os convidados de maneira muito simpática, todos vestindo fantasias (ou cosplays se você for otakinho descolado que nem o Mamica) de personagens aleatórios. Eles também distribuíram o programa do espetáculo, já dando uma idéia do que viria por aí.

 Gordo: Eu não chamaria aquilo de Cosplay, era Cospobre descarado mesmo, Link com orelhas de papel, um bando de elfos farropilhas produzidos com resquício de fantasias e roupas típicas gaúchas (e russas??).

Cosplobre que o Gordo adorou…

 Balão: O show começou um pouco atrasado. E, como introdução, passaram uma simpática vinheta emulando a abertura de um jogo de 8/16 bits, ajudando a platéia a entrar no clima. O problema é que devido ao atraso, repetiram essa vinheta à exaustão, e o pessoal acabou ficando meio de saco cheio.

 Gordo: A minha sessão começou “just in time”, com o Maestro “Hortelino” aterrisando no palco com o primeiro de seus roupões encapuzados. Aliás, esse é o primeiro ponto alto da apresentação, o Maestro é uma figuraça, como você pode ver nas fotos abaixo e super empolgado e engajado no tema.

 

Maestlo Holtelino!

Balão: Eis que a orquestra sobe ao palco e o ‘repetácule’ começa. O show consistiu em vários ‘medleys’, a maioria das vezes separados pelas softwarehouses, e, no começo de cada música, um tiozão dava um panorama geral para contextualizar a galera no background do jogo e / ou produtora.

 Gordo: Um tiozão ou uma tiazinha eram os narradores, todos falando com entonação de dubladores brasileiros de games, ambos também eram parte do Coral, que também estavam de Cospobre. Alguns dos tenores do coral, inclusive, estavam com roupas típicas russas (????), jurava que eles iriam começar a dançar a “Plyaska” ali no palco.

… e os russos?

Balão: A primeira música foi um Medley da Square-Enix, com Chrono Trigger, Chrono Cross e Final Fantasy. Pra mim que esse já seria – logo de cara – o ponto alto da apresentação. Afinal de contas, sou putinha da Square-Enix, e, principalmente, de CT.

 Ledo engano. O som estava meio baixo, e parecia faltar um pouco de entrosamento da orquestra, talvez até um pouco de nervosismo (afinal, a responsa era grande). Então, as duas músicas da série Chrono ficaram meio apagadas, poderiam ter sido mais empolgantes. Uma pena.

 Gordo: Isso foi algo que se repetiu na última apresentação, a versão do tema de Chrono foi brochante, era de longe a mais esperada por mim também. O arranjo prejudicou a melodia e quando ela ia começar a empolgar eles passaram pro tema de Chrono Cross que não tinha metade da qualidade musical do outro e durou o triplo de tempo.

 Balão: Já quando começou a música tema de Final Fantasy, a coisa mudou de figura. Já mais entrosada, a orquestra começou a dar show, e quando emendou a épica ‘One Winged Angel’ (música do chefão final Sephiroth, em Final Fantasy VII), casando em perfeita sincronia com imagens do jogo no telão ao fundo (na verdade não eram cenas do jogo e sim do filme derivado FFVII – Advent Children, mas foda-se, você entendeu), tivemos o primeiro grande ponto alto da noite. Levei a tiracolo a dona patroa para o concerto – que não entende lhufas de games – e essa foi a primeira vez que ela pegou o programa pra ver o que tava rolando.

 Gordo: Fantástica a execução do tema, concordo com o Balão, altos arrepaus no pio. Mesmo eu não tendo jogado muito FFVII, fiquei pilhadaço com a música. Na medida! Destaque para o guitarrista solo que arrebentou em quase todas as músicas, mas nessa particularmente deu show.

Bicho aleatório de um FF qualquer.

 Balão: Aliás, vale um parênteses aqui. As cenas de jogos passando ao fundo em perfeita harmonia com a orquestra – como já mencionei acima – foi uma constante durante o espetáculo inteiro! Nesse ponto, o pessoal do GC está de parabéns, e se saíram até melhores que os ‘primos ricos’, que só passavam imagens e cenas meio aleatórias dos jogos.

 Gordo: A parte triste é que ao invés de eles investirem em projetores de alta definição, preferiram aplicar grana na pobre produção cenográfica (tinham duas birutas no fundo do palco) e nos já mencionados tenebrosos cospobres. Sinceramente, preferia que eles assumissem a produção de verba limitada, limassem todos esses excessos e focassem na Orquestra e nos vídeos. Era isso que empolgava, e como o Balones já mencionou,  a execução em sincronia foi uma bola dentro e algo que ganharia muita força com projeções de maior qualidade. Pra se ter idéia do problema, nos intervalos entre-músicas, quando eles apresentavam as Software Houses era impossível enxergar os textos de apresentação.

Outra coisa que me irritou profundamente foi durante o intervalo, em que rolou uma tentativa de interação com a platéia. A menina vestida de link (a das orelhas de papel) selecionou uma meia dúzia de gatos pingados que tinham ido caracterizados e ficou mais de meia hora insistindo num concurso improvisado onde os juízes eram as palmas da platéia, mas quem decidia o ganhador era ela. Explico, um gordo (sempre tem um) foi de terno e cabelo engomadinho, quando ela perguntou do que ele tava fantasiado ele acendeu o peito dele, o cara estava de Tony Stark. A platéia nerd veio abaixo, aplaudiu, berrava o nome do cara, mas a menina parecia não ter entendido a fantasia e forçou a barra pra eliminar o guri e dar o prêmio pra um moleque de 5 anos que usava um boné do Mário que ele tinha comprado ali mesmo. Enfim. Foi chato pra caralho e achei um puta desrespeito com a Orquestra.

Sinceramente, se eu pudesse dar uma dica aos organizadores, imploraria para eliminar essas firulas. Não precisa. Foquem na música e nos vídeos que vcs chegam lá.

*UPDATE DE ÚLTIMA HORA DO BALÃO:   Na minha sessão, “grazadeus” não teve esse concurso de cospobre!

Podiam ter investido mais nos telões…

Balão: A segunda música do concerto foi o medley da Capcom, que começou com Resident Evil: Code Veronica, passando por Megaman (inclusive mostrando uma fase inteira do jogo mais impossível de todos os tempos – Megaman 2) e finalizou com um mix de músicas de Street Fighter.

Gordo: Eu como bom gordo das antigas fiquei todo empolgadinho com os temas de Chun Li e Guile, mas me irritei profundamente com os insistentes Cospobres que invadiam o palco. Chegaram a colocar um dragão Chinês de retalhos passando ao fundo, o que causava risos na platéia e mais uma vez tirava atenção dos vídeos e da orquestra.

 Balão: A partir daí, vieram algumas sequências de músicas muito bem executadas, mas que não me empolgaram muito: a trilha de Halo (que é um jogo que meio que cago e ando – exceto pelo Reach – mas tem uma trilha sonora fantástica), um medley das três versões de Diablo, e fechando com um ‘pot-pourri’ (acho que já usei a palavra ‘medley’ demais por um post só) de World of Warcraft, jogo que eu – pasmem – nunca joguei, então meio que cago e ando pra ele também.

Gordo: O mesmo pra mim aqui, desliguei da parte video-gamística e foquei na apreciação musical. Todas bem executas, mas sem a empolgação que a identificação traz, mas até aí a culpa é toda nossa.

Balão: Nada contra as trilhas desses jogos, muito pelo contrário. Todos possuem músicas fodas, e foram executadas com maestria. Só que são jogos relativamente recentes, e pareceram meio deslocados na proposta de ‘Games Classic’.

Eis que o Maestro Hortelino Tloca-tapa entra em cena com um bauzinho, que ele abre ao som irritante de baú abrindo de Zelda. Pensei ‘Opa, voltamos para os games clássicos’. Que nada, a música era do Zelda mais recente, Skyward Sword  para o Wii. 

Depois dessa ‘pegadinha do Mallandro’,  obviamente rolou um medley (ARGH! Medley de volta!) do Zelda clássico.

Gordo: Me caguei de rir com o Hortelino levantando a micro espada que ele tira do baú e na boa, adoro a música tema no Zelda para Wii. Lógico que o clássico é fantástico também, mas recuperei a empolgação desse ponto em diante.

 *UPDATE DE ÚLTIMA HORA DO BALÃO:   Não era uma micro-espada, era um flauta! Ou não, muito pelo contrário.

Maestlo Holtelino e Steven Spielberg prestigiando o evento!

Balão: Na penúltima ‘fase’ da apresentação, rolaram as músicas do Sonic, na minha modesta opinião o grande ponto alto do espetáculo. Elas não apenas foram muito bem arranjadas e executadas, mas também correspondiam às fases do jogo que apareciam no telão ao fundo em perfeita sincronia! Foi difícil conter as lágrimas nerds nessa hora.

Gordo: Eu chorei! De verdade! E fodam-se todos. A música da primeira fase de Sonic 1 trouxe muitas memórias da infãncia e orquestrada foi de arrepiar até o Coccix (hmmmm boy-o-la).

Ha-ha! O Gordo chorou ao ouvir o Sonic. E o Steven, será que chorou quando foi encochado pelo Mario? Que Mario?

 Balão: E, pra fechar com chave de ouro, é óbvio que não podia faltar um MEDLEY (tá, é a última vez, prometo) do Mario (que Mario?) nos mesmos moldes do Sonic, e tão grandiosamente bem executado quanto. Acho que só acabou não empolgando mais porque as músicas do Mario (que Mario) já são arroz de festa em tudo que é concerto desse tipo, e todo mundo já estava careca (principalmente o Gordo) de ver vídeos e músicas com arranjos semelhantes nos Youtubes e afins.

Gordo: Bem loco e empolgante foi essa execução final, já grandiosamente bem executado eu discordo. O garoto do Xilofone comeu bola em vários momentos e alguns temas pareciam muito fora de tom. Foi o único ponto em que realmente repreendi a orquestra na minha cabeça.

Balão: No final, ainda rolou uma lambuja no bis, acho que reprisaram a música do Halo, mas quem se importa né? A missão havia sido cumprida! 

Enfim, o Games Classic ainda tem um longo caminho pela frente para alcançar o ‘primo rico’. Mas isso não é demérito nenhum, afinal de contas, o Video-Games Live teve um começo ainda mais modesto. Só  o fato de termos um concerto só com músicas de video games INTEIRAMENTE produzido no Brasil já demonstra uma tremenda evolução: há uns 10 anos essa idéia seria simplesmente impraticável por aqui. 

Os problemas ocorridos foram ofuscados pela boa apresentação. Os músicos, organizadores e demais envolvidos estão de parabéns pela iniciativa, e espero  rever uma apresentação ainda melhor do GC no futuro.

Gordo: Eu critiquei a produção, mas não foi no sentido de achincalhar, e sim apontar coisas que poderiam ser usadas para melhorar o espetáculo. Até aqui, minha opinião. Também achei a iniciativa fantástica, ajudei a divulgar o evento de todas as maneiras (até post fake com capa de Avenida Brasil eu criei pra chamar a atenção dos leitores)e espero que eles tenham um sucesso prolongado e possam crescer. Os músicos merecem, o Maestro merece e nós merecemos. Os momentos que emocionaram realmente foram marcantes e quero sentir isso mais vezes.

Balão:  *Um grande abraço pro meu amigo Bruno Brandalise do El Merekumbé que estava tocando Tuba na orquestra! Rá! Te vi lá! 

Gordo: Um grande abraço pro Napoleão que não me deixava jogar Sonic and Knucles quando eu ia na casa dele na minha infância em Ponta Grossa (a mágoa persiste).

 Placar do Balão:

Placar do Gordo:

Setlist:

1. Squaresoft MEDLEY (Chrono Trigger, Chrono Cross, Final Fantasy)

2. Capcom MEDLEY (Resident Evil: Code Veronica, Megaman, Street Fighter)

3. Bungie MEDLEY (Halo)

4. Blizzard MEDLEY (Diablo, World of Warcraft)

5. Zelda MEDLEY (Skyward Sword, A Link to the Past, Ocarina of Time, etc)

6. Sega MEDLEY (Sonic)

7. Nintendo MEDLEY  (Mario – que Mario?)

Patrocínio:

[FONTE DAS FOTOS: www.studiomariobros.com (Que Mario?)]

Confiram também alguns vídeos do espetáculo:

Medley da Square-Enix:

Música de Zelda Merda Melo:

A música do Sonic que o Gordo chorou e gozou nas calças:

(OLHA QUE TESÁOOOOO!)

[FONTE DOS VÍDEOS: todos chutados do Youtube]

 

  • Marcio

    Tesão demais ler os comentários do Balão Nerd Master… Abs e Parabens cara!

    • Hhuahuahuahuahuahuahu! Valeu Marcio! =D

  • Balão arrasando corações!

  • Leando Ferraz

    Olá pessoal do CnC, parabéns pelo trabalho!

    Gostaria só de fazer uma pequena correção, o primeiro concerto 100% brasileiro de músicas de Games foi o 'Games In Concert' que teve seu piloto apresentado nos dias 14 e 15 de Maio de 2011 em Santo André, – SP e sua Estreia Nacional apresentada no dia 22 de Abril de 2012 também em Santo André este ano…

    Vocês podem encontrar mais informações sobre o concerto no Site Oficial: http://gamesinconcert.com/

    Aqui há uma matéria completa, muito legal, sobre o 'Games In Concert'.

    Grande Abraço!

  • LEandro Ferraz

    * Matéria sobre o 'Games In Concert':

    • Fala Leandro, xará, muito obrigado pela correção, adicionei sua informação no post. E obrigado pela indicação do vídeo, a parte do piano no Games in Concert realmente fez a diferença em algumas músicas, achei a versão de Zelda fantástica. Abraço do Gordo.