Revéia: Mega-Drive – Kid Chameleon

Dando início à uma nova série de reviews no Cocô na Cuia para coisas muito antigas vamos com um clássico muito subestimado por jogadores nintendistas que não tiveram a oportunidade de conhecê-lo por terem um Super NES: Kid Chameleon.

Kid Chameleon é um jogo de plataforma para o Mega-Drive lançando  20 anos atrás quando alguns de vocês nem nascidos eram ainda. Pra você ter uma ideia de porque um jogo como esses poderia passar despercebido é só fazer uma comparação que no começo dos anos 1990, jogos de plataforma eram o equivalente a jogos de FPS nos anos 2000. O pior de tudo é que esse jogo só não foi falado no nosso podcast de jogos clássicos porque eu esqueci e o Bobs tirou da lista dele. Por sinal, vá ouvir o podcast!

História

A história do jogo, como todo bom jogo da época era ridiculamente pequena e apresentada antes da tela de início. Resumia-se a dizer que um novo arcade havia sido aberto na cidade e nele havia um jogo muito doido usando realidade virtual. Tudo ia bem pra carvalho até o momento que o jogo conseguiu se livrar das restrições da IA – não seguia as três leis da robótica de Asimov essa bosta – e começou a capturar criancinhas.

Sei muito bem o que ele queria…

Surge então Casey o garoto prodígio (que não é o Robin) que se auto-intitula Kid Chameleon e fala que vai acabar com essa bosta e vai dar uma surra de pau-mole no chefão afinal de contas ninguém vem dar piti na sua cidade sem que ele ponha ordem.

O jogo em si

É um jogo de plataforma mas e o que mais de tem? Então chefia, como todo bom jogo de plataforma também havia os power-ups que vinham na forma de capacetes/máscaras que davam poderes diferentes pro nosso amigão. Minha memória jurava que tinham mais capacetes mas a pesquisa me desmentiu rapidamente ao mostrar que existem apenas nove deles (dez se você considerar sem capacete um deles). Cada capacete dá uma habilidade específica para Casey além de variar o seu nível de vida sendo que cada um além de tudo dá uma aparência diferente pro personagem também.

Devidamente copiada do KC Wiki
  • Iron Knight: Aumenta a barra de energia, destrói blocos pulando em cima e ainda pode escalar paredes
  • Red Stealth: Ninja rapidão e ainda tem a espadinha pra dar bordoadas
  • Berzerker: O chifrudo ali quando fica mais rápido abaixa a cabeça e ataca inimigos e quebra certas paredes
  • Maniaxe: O mais foda! É O JASON! Taca machados em linha reta- AWESOME
  • Juggernaut: Cara, é um TANQUE DE GUERRA que atira CAVEIRAS!
  • MicroMax: Uma mosquinha miniatura que ainda por cima fica grudada nas paredes e dá uma voada
  • Eyeclops: Só revela blocos escondidos- bem bostão
  • Skycutter: O cara é tipo Marty McFly com hoverboard! Só que a dele inverte a gravidade deles mesmo, muito foda
  • Cyclone: Basicamente, ele voa!

Além disso, Kid Chameleon trazia algo absurdamente incrível para um jovem garoto de Francisco Beltrão (eu): havia diversas possibilidades de fases. Explico. Kid Chameleon tem oficialmente 103 fases porém ele apresenta dentro de fases teleportadores/teletransportadores que podem deslocar Casey para outro ponto da fase ou, surpresa, para outras fases.

Aquele trocinho na esquerda embaixo do dinossauro

O que isso significa? Significa que você pode criar várias sequências de fases a seguir ao invés de só prosseguir até o fim da fase (que é um bandeira- bem original) e criar diferentes caminhos pra terminar o jogo. Reza a lenda que se você jogar só indo nas bandeiras, o jogo não passa de umas 40 fases.

Juntando os power-ups e a grande ramificação das fases torna Kid Chameleon um jogo de plataforma mais interessante que os seus compatriotas de mesma época. Infelizmente, fora isso, o jogo é um jogo de plataforma tradicional com blocos para serem batidos pulando neles, inimigos que morrem pulando em cima e blocos escondidos.

Apesar de ser tão longo e complexo Kid Chameleon leva um problema clássico dos jogos daquela era que era não ter como salvar mas falha miseravelmente ao não ter sequer um sistema de password pra gente poder continuar depois dum tempo.

Que alegria! Só que não.

Minha opinião

Esse jogo tem várias coisas boas que garantem horas de diversão pra qualquer gordo que queira dar uma desbaratinada de jogos que se valem apenas de bons gráficos mas jogabilidade fraca e/ou originalidade zero. Numa época onde o que valia era conseguir manter o jogador preso ao video-game até o fim, criar diferentes caminhos até o final dava uma sensação de replay-value mesmo quando nem cogitávamos isso na nossa vida.

O jogo não é o primórdio da dificuldade “video-gamística” porém rende diversas horas de diversão em especial quando podemos usar o capacete do MicroMax, diminuir pro tamanho de uma mosca e ficar grudando nas paredes dando risada dos inimigos safados. Infelizmente tudo isso, mais uma vez, cai pro lugar comum porque mesmo sendo muito divertido usar esse capacete ele aparece em momentos claramente específicos para usá-lo e passar na fase.

Você deveria configurar aquele emulador de Mega-Drive, arranjar a ROM e gastar algumas horas do seu dia jogando. Ou arranja o Sonic’s Ultimate Genesis Collection pra 360/PS3 que tem também. Agora larga de vadiagem e vai pro YouTube ver como o jogo é. De brinde fique com esse áudio magnífico de quando Casey sobe numa plataforma.

 

 

  • SuSu

    Realmente um jogo muito interessante e original.
    E ainda podíamos usar truques como pular da segunda fase para o último chefão (aí perde a graça de ver
    as fases do jogo) e deixar as vidas infinitas (assim aproveitava ao máximo todas as fases do jogo).

    Estou jogando e fotografando as fases. Quero ver quantas eu consigo abrir.

    Parabéns pelo texto, excelente!!!