Review – Batman e Robin: Nascido para matar

Primeiro arco dos Novos 52 traz verdadeira dinâmica à dupla!

“As vezes eu acho que os seus segredos têm segredos”

Damian para Bruce antes de saírem patrulhando Gotham City

Sou um gordo verme decenete, isso não é segredo.

Quando surgiram as primeiras notícias e equipes criativas sobre os Novos 52 eu ficava mais faceiro do que pinto no lixo (nunca entendi essa expressão), mas uma das equipes criativas que se mantiveram no comando do mesmo título pré-reboot foi a da revista “Batman and Robin”, Peter Tomasi e Patrick Gleason.

A dupla dinâmica antes do “Reboot” da DC

Pra quem não se lembra, esse título havia sido criado pelo escocês Grant Morrison, logo depois da morte do “Bátema”, quando Dick Grayson atuava como o Morcegão de Gotham, e o Robin da vez era o Damian, filho de Bruce Wayne com Thalia. Morrison comandou a revista por 16 excelentes edições e depois largou o osso pra lançar Batman Incorporated.

Expeculava-se muito quem seriam os substitutos do Escocês, que sempre era bem acompanhado por excelentes artistas. Os escolhidos foram a mesma equipe criativa da Tropa dos Lanternas Verdes na época. Eu fui um dos que ficou encasquetado – Mas que diabos? Esses dois não tem nada a ver com o universo do Batman, isso tem tudo pra ser uma encorpada, brilhante e robusta “boXta”! – E não foi grandes coisas mesmo, o primeiro e curto arco da dupla, “Dark Knight VS White Knight” foi burocrático, sem grandes surpresas, mas provou que eles podiam dar conta de uma história no universo do Morcegão, mais sombria e sóbria, diferente do Universo Luminoso dos Lanternas.

Foi somente no seu primeiro arco nos Novos 52 que eles mostraram a que vieram!

Capa do encadernado da DC Comics: Batman and Robin: Born to Kill, primeiro pós-Novos 52

“Born to Kill” – Nascido para matar, foca na nova dupla dinãmica, agora pai e filho, sua conturbada relação, onde de um lado temos o filhote de Capeta, revoltado, esnobe e sanguinário Damian Wayne e no outro Bruce, pai ausente durante 10 anos que agora tenta a todo custo colocar o filho no caminho certo a qualquer custo.

Convenhamos que colocar o moleque numa fantasia multi-colorida e transformá-lo num alvo vivo enquanto ambos saem para combater o crime. Não é exatamente o que os psicológos de plantão recomendariam para eternecer a relação.

Como trama secundária nesse primeiro arco, que envolve as 8 primeiras edições da revista, somos apresentados ao Ninguém (Nobody no original), um caboclo tão forte, esperto e picudo quanto o Homem-Morcego, que se veste numa roupa futurista-toda-preta, que dá choque, e com 6 olhos vermelhos (???). O cara possui alguns hábitos peculiares, como derreter super-heróis num tanque de ácido enquanto estão ainda vivos, e perseguir Batman e Filho em busca de vingança por uma história que ele compartilhou com Bruce Wayne na época que esse ainda viajava pelo mundo e treinava para ser Batman.

Quem é esse? Ninguém! … mesmo!

Sem entregar grande spoilers, somos apresentados também a uma versão em quadrinhos de Henri Ducard, um dos mestres de Bruce e que no filme Batman Begins foi a identidade falsa de Ra’s Al Guhl.

Peter Tomasi arrasa nos trechos emocionais e nos diálogos do relacionamento da dupla entre si, com Alfred ou até mesmo com o Bat-cachorro(?) que Bruce compra para o filho pra ver se o moleque aprende a amar alguma coisa.

Damian e o Bat-Cachorro!

As cenas entre Batman e Damian são críveis e muito bem escritas. Ouso dizer que nunca um Robin complementou um Batman tão bem. A oposição dos valores, métodos e os “daddy issues” elevados ao nível super-heroístico da coisa produzem uma série do Batman com voz e força própria que se destaca do caminhão de séries bat-relacionadas dos Novos 52.

Foi a fácil identificação com os personagens e o drama bem conduzido que de fato me fisgaram nessa trama e me fizeram ter vontade de continuar lendo esse título no futuro.

Tomasi toma cuidado para não “Nolizar” o personagem em excesso e equilibra bem os elementos exagerados comumente encontrados nas histórias do Morcegão com a trama mais humana e dramática.

Ele usa e abusa das dezenas de bat-veículos de visual massavéio e de soluções escalafobéticas, como o Batman salvando uma turma de nadadores sugados pelo ralo da piscina que acabou de ser explodido, simplesmente atirando uma bat-rede que gruda em quatro pilares e segura todos eles da morte nas profundezas.

Há alguns clichês na estruturação do enredo em si, que incomodam mas não fazem o barco afundar. Exemplificando: para integrar o vilão ao enredo de conflitos pai-filho ele estrutura toda a história do cara em uma trama análoga, ou seja, o vilão também tem “daddy issues”

Patrick Gleason se mostra uma escolha acertada no final das contas, sempre o considerei uma cópia de Dough Mahnke sem o mesmo talento, mas o guri tem desenvolvido um estilo próprio e essa temporada em Batman tem acelerado isso. Seu traço é pesado e simples e portanto ele brilha nas imagens de página inteira, mas ainda se bate quando o quadro necessita de um certo preciosismo, sofrendo principalmente com as expressões dos personagens, especialmente os secundários. Ele faz um uso exagerado de sombras também, que não dão o bom resultado esperado e funcionam como uma malandragem pra desenhar menos e entregar a revista no prazo, compreensível em tempos de Dan Didio.

Capa fodástica de Gleason

O resultado final é extremamente satisfatório e a conclusão é perfeita, coisa que não pode ser dita de 90 por cento das histórias em quadrinhos que tenho lido (Eita dificuldade que esses roteiristas tem para concluir uma história).

Se vc domina o inglês e quer arriscar comprar o encadernado da DC, eu mais que recomendo, o acabamento é fantástico, fica lindo na estante e é um arco muito mais impactante se lido uma vez só na seqüência. Também sugiro comprar a versão brasileira. Esse arco vem sendo publicado mensalmente na revista A Sombra do Batman pela Panini, e esse por sinal é um dos melhores mixes dessa onda dos Novos 52 da DC em bancas.

Fica a dica e o abraço do Gordo

Nota: