Review – God Bless America

O que acontece quando um tiozão ranzinza encontra uma colegial psicótica?

Um filmasso, é óbvio!

Frank é um tiozão de meia-idade, divorciado, gordo, rancoroso (até parece o nosso Gordo!) e com um empreguinho medíocre em escritório… que acaba sendo demitido por uma acusação de assédio sexual da gorda da recepção (sim, sempre tem uma gorda). Como desgraça pouca é bobagem, nesse mesmo dia Frank descobre que possui um tumor incurável no ‘célebro’.

Frank é um cara bem legal… pena que ele quer se suicidar!

Ao tentar se suicidar, Frank tem uma epifania ao assistir um trecho de um ‘reality show’ na TV sobre uma patricinha birrenta e mimada: era ela que devia morrer, não ele. Então, ele vai até o colégio da cocota, e passa o sal nela. Simples assim. A jovem – e psicótica – Roxy presencia tudo, acha maneiro, e resolve acompanhar Frank em suas loucas aventuras.

A psicótica Roxy, muito bem interpretada por Tara Lynne Barr.

E com isso, eles começam a ‘passar o sal’ em todo mundo que eles acham que merece. TODO MUNDO mesmo. Desde gente falando no cinema, passando por ativistas eco-chatos e culminando em  *SPOILER* uma apoteótica chacina num programa ‘American Idol’ disfarçado. *SPOILER*

Matança no American Idol? FUCK YEAH!

A premissa pode parecer batida, mas funciona. A forma como as pessoas comuns, programas de TV e hábitos odiosos que criamos com a evolução multimídia são retratados com um realismo impressionante, e realmente nos faz questionar nosso modo de vida atual, e o quão vazio ele é.

Fala a verdade: você já se visualizou numa cena parecida com essa!

A relação pai/filho de Frank e Roxy também é bem interessante e muito bem construída. Frank cuida dela com zelo e atenção que ele nunca dispensou à própria filha (que por sinal é uma guria chata e mimada, estragada por mãe e padrastos extremamente omissos e coniventes). Aliás, o fato dessa guria ser filha de Frank foi o único motivo pelo qual a dupla não meteu um balasso nela.

Vai falar ao telefone no cinema, amigão?

Já vi diversas críticas comparando o filme com Assassinos por Natureza (Natural Born Killers, 1994), de Oliver Stone, mas eu discordo. Ele está mais para uma mistura de ‘Super’ (2011) – sem a parte do super-herói, óbvio – e Um Dia de Fúria (1993). A ‘parceira mirim’ de Frank lembra muito a Boltie, de Super. A atriz Ellen Paige é até de certa forma ‘homenageada’ em uma cena.

Saca o naipe do pulôver!

Ah, e sabe quem é o feladaputa que escreveu / dirigiu esse filme? Um tal de Bobcat Goldthwait. Isso mesmo, o Zed de Loucademia de Polícia! Mandou bem Zed!

Enfim, um filme duro como a realidade que ele retrata, mas de um humor ácido ímpar. Recomendadíssimo.

Confiram o trailer ‘redband’ da bagaça: