Review – Trinity: Souls of Zill O’ll

O que acontece quando uma softwarehouse oriental tenta fazer um RPG ocidental?

Merda, é claro!

Trinity: Souls of Zill O’ll (ou TSZO, para abreviar), é um action-RPG produzido pela Koei. Na real, ele é um prequel da série Zill O’ll, figurinha carimbada no PS1, PS2 e PSP. Nunca tinha ouvido falar na série? Nem eu.

O trio de protagonistas.

Enfim, que a indústria de jRPG anda com crise de identidade, não é novidade para ninguém. Com o mercado ocidental cada vez mais ganhando espaço no oriente com títulos como Mass Effect e Dragon Age, as softwarehouses japorongas estão tendo que coçar e se arriscar. E é isso que acontece com TSZO: é um RPG enlatado ocidental, mas feito no Japão!

E isso é bom? É obóvio que não! Por não ter uma identidade própria, o jogo fica meio no ‘limbo’: não é um bom jRPG, mas também não é um bom RPG tradicional. E é justamente essa falta de identidade, a falta de carisma o maior pecado do jogo.

Você controla um sujeito que é gladiador numa arena, mas num passado obscuro você era príncipe de não sei onde, cujo rei foi morto pelo Lorde Balor, o vilão genérico do jogo. Então, você tem que lutar na arena, fazer quests, ganhar dinheiro, comprar equipamento, esses lances de sempre de RPGs.

A navegação e os diálogos nas cidades são todos feitos por menus, o que eu acho meio porquice na real… mas até não chega a incomodar.

A jogabilidade nos combates é estilo ‘Dynasty Warriors’ ou ‘Warriors Orochi’, da própria Koei. Por incrível que parece, esse tipo de combate até combinou com o gênero, e foi o que salvou TSZO de ser taxado de mais um ‘genérico de Diablo’.

Mas até que TSZO diverte: apesar dos problemas, perdi algumas horinhas ali fazendo quests e lutando na arena. Sabe quando aquele jogo é ruim mas é bom? Então.

E ele tem sim algumas qualidades: apesar de não ter gráficos assombrosos (nos personagens faltou refinamento, tem horas que parece um jogo de PS2), os cenários ‘aquarelados’ dão um toque de estilo único ao jogo.

Nas lutas há elementos bem interessantes também: você pode usar o cenário ao seu favor, seja derrubando colunas de pedra em cima dos inimigos, tacando fogo em bolas de feno e arremessando contra os inimigos, ou simplesmente congelando a água abaixo dos pés dos monstros para imobilizá-los. Isso tudo dá um ‘quê’ de estratégia às batalhas.

Poderiam ter colocado um modo multiplayer co-op no jogo também, isso com certeza o deixaria muito mais interessante.

Enfim, TSZO tinha tudo para ser um jogo memorável, mas – perdão do trocadilho – faltou um pouco de espírito próprio. Alguns elementos positivos não são o suficiente pra prender a atenção do jogador por muito tempo.

Disponível para PS3.

Prós:

(+) Uso do cenário nas batalhas;

(+) Cenários ‘aquarelados’.

Contras:

(-) Trilha sonora chata pra burro;

(-) Personagens mais vazios que Congresso Federal em feriado;

(-) Repetitivo ao extremo;

(-) Ausência de um modo multiplayer.