The Newsroom – Review da primeira temporada

width=710

Sabe o que? “The Newsroom” é sim a série que eu sempre sonhei em ver produzida aqui no Brasil!

A triste constatação é que ainda não alcançamos em terras tupiniquins o grau de liberdade democrática necessária para podermos abordar de maneira crítica, ainda que utópica, fatos e personagens reais envoltos em uma trama ficcional. Esse é de longe um dos maiores atrativos da série, a construção de uma fluida, atrativa e imperfeita ficção em cima de acontecimentos recentes da história político-econômica dos Estados Unidos sem apelar ao didatismo explícito.

Da esquerda para a direita: Neal, Sloan, Don, Charlie, Jim, Will, Mackenzie, Maggie

Criada e majoritariamente escrita por Aaron Sorkin, criador da série The West Wing e roteirista do filme A Rede Social, “The Newsroom” é centrada nos bastidores do telejornal do canal fechado ACN, sigla de Atlantis Cable News e sua reestruturação idealista resultado de uma epifania alucinada do seu apresentador, Will McAvoy mostrada logo na excitante primeira cena da série.

Lóide?

Will McAvoy, surpreendentemente bem interpretado por Jeff Daniels, o parceiro de Jim Carey em Debby e Loide, é um jornalista consagrado que após anos debruçado somente na busca pela audiência a qualquer preço e negando seus valores e ideais como forma de esquecer os problemas de seu passado pessoal, se vê catapultado à uma missão por civilizar através de uma reestruturação completa do seu jornal, que passa a focar nos vários ângulos das notícias, refutando qualquer tipo de sensacionalismo e afirmando um compromisso eterno com a verdade racional das coisas.

Rachel Solando?

O estopim dessa mudança toda é a chegada de Mackenzie McHale, figura hilária e por vezes caricata, porém magistralmente interpretada por Emily Mortimer, a louca do penhasco do filme a Ilha do Medo (Shutter Island– 2010) de Scorcese. Mackenzie é uma jornalista e produtora mundialmente reconhecida, recém chegada de sua temporada cobrindo guerras no exterior e convidada a produzir essa nova fase do telejornal, tudo parte do plano do impagável chefe e parceiro de Will, Charlie Skinner, aqui representado por Sam Waterston.

Charlie Skinner – Bonachão “feelings”

Mackenzie e Will, como não poderia deixar de ser, compartilham um passado amoroso comum e cheio de feridas não cicatrizadas, o que funciona como ponto de partida para as gags e momentos de ternura que toda série exige para obter audiência. A boa novidade é que mesmo nos momentos menos inspirados e mais vergonha alheia da série, os atores não deixam a peteca cair e entregam cenas no mínimo hilárias no máximo antológicas. O entrosamento de ambos é notável e as interações e flertes desastrosamente conduzidos são muito divertidas, o tempo todo os dois se comportam como um velho casal de velhinhos neuróticos com PhD.

Will e Mackenzie – maior acerto da série toda

O universo de coadjuvantes sofre um pouco mais, não pela qualidade dos atores afinal o time reunido aqui é muito nom, mas pela preguiçosa construção dos personagens, dos tipos clichês e das sub-tramas previsíveis.

Maggie e Jim – Clichê romântico de colegial é pouco

Temos o triângulo amoroso básico entre Maggie Jordan (Alison Pill, a Annie do filme Milk) a estagiária surtada, Don Kieffer (Thomas Sadoski) o produtor perito em captar audiência popular e Jim Harper (John Gallagher Jr) jornalista assistente de Makenzie e o contraponto ideológico à Don e impressionantemente esse triângulo vira um quinteto antes do fim da temporada.

Jornalistas figurantes – Da direita pra esquerda, Don, Neal, a hilária Sloan e Jim.

Continuando na linha dos clichês temos também a solteirona perita em Economia mas com problemas para expor seus sentimentos, Sloan Sabbith, papel da ótima Olivia Munn, o protagonista do filme Quem quer ser um milionário, Dev Patel, que aqui faz as vezes do jornalista nerd e perito em computação Neal Sampat e por fim, a tirana dona do negócio Leona Lansing, CEO da Atlantic World Media em pequenas participações mais que especiais de Jane Fonda.

Jane “Foda” – Pena que ela aparece tão pouco.

Sem medo de cutucar a ferida!

“O primeiro passo para resolver um problema é reconhecer a sua existência. A América já não é mais o maior país do mundo.”

Will McAvoy

A frase acima foi retirada da cena de abertura da série, em que Will, ao participar de um debate político numa faculdade de jornalismo é questionado por uma estudante por que a América é o maior país do mundo. A princípio ele entrega uma resposta evasiva, mas um acontecimento na platéia o afeta de tal ue forma ue ele passa a proclamar um longo e inteligente discurso sobre por que os EUA não são o maior país do mundo. Se você domina a língua do Tio Obama, leia a transcrição do discurso clicando aqui.

Esse discurso já estabelece o tom do que vem pela frente. Críticas engajadas e um questionamento contundente da maneira que os Americanos enxergam o próprio país, seus políticos e seus valores.

Will na cena de abertura da série

Aaron, o criador, é assumidamente Democrata e para tentar não invalidar as suas próprias argumentações, além de utilizar um protagonista 100% Republicano, ainda que aparentemente só no nome como ele mesmo diz não episódio final da temporada, toda contestação ou revisionismo dos momentos noticiados e vividos pelos personagens são apresentados com embasamento racional profundo porém nem de longe didáticos ou sem graça como esse meu último parágrafo.

Os momentos mais excitantes da série são de longe os noticiários em si, quando fatos reais são abordados de maneira crítica. É óbvio que sem o devido distanciamento histórico, muitas das análises e conclusões apresentadas não poderiam ser exibidas com a mesma força, esse é um dos motivos da série se passar toda no passado recente de um a dois anos atrás, abrangendo um universo de notícias que ainda temos frescas em nossas cabeças, mas que já tomaram seus devidos lugares no grande painel histórico dos fatos.

Tensão na cochia – Jim, Mackenzie e Maggie

Os mídia em geral pagou pau pro episódio piloto, mas com o passar do tempo foram rechaçando a série em suas críticas e reviews reclamando da utopicidade do enredo ou da inocência das tramas secundárias. Em parte eu concordo com tudo isso, há muitas coisas que irritam, como a prioridade no enfoque das histórias pessoais que são desenvolvidas de maneira purril, mas acima de tudo e antes de qualquer coisa The Newsroom é um produto de entretenimento voltado para uma audiência, e ele entretém, diverte e ao mesmo tempo levanta questionamentos, te faz refletir, e isso por si só é foda pra caralho, portanto não se intimide pelas críticas e dê uma chance a série sem medo.

O elenco principal, da esquerda pra …. ah, vá se foder não vou listar o nome de todos eles de novo.

Abraço do Gordo MacFattie.

PS. Não se convenceu a ver a série ou dormiu no meio do meu texto! Então veja a foto abaixo e confira quem é presença recorrente ao longo da primeira temporada….

O primeiro e único….Latrell!!!

sim…o Rei de acessos e cliques do CNC, Terry Crews, aqui como um segurança figurante de Will McAvoy