E Homeland chegou chegando à sua segunda temporada!

Nem parece uma série dos mesmos escritores de 24 horas, Howard Gordon e Alex Gansa!

Merecidamente laureada com os maiores prêmios no último Emmy, Homeland, a trama do ex Sargento Fuzileiro e suposto terrorista ruivo norte americano e da Loura Lôca magistralmente interpretada por Claire Danes volta à TV fechada (Showtime nos EUA, FX no Brasil) com uma trama que começa devagar, preparando terreno, mas que em apenas três episódios te botam de quatro, fazendo aquilo que dezenas de série não dão conta de fazer em seis temporadas. Tá tudo tão foda que a série acaba de ser renovada para uma terceira temporada sem ter acabado a segunda.

Carrie pagando de sensual! Ah como as mentes mais loucas se escondem sob as feições mais suaves.

De fato a trama em si tem muitos elementos da saga de Jack Bauer. Um dos cenários principais da série é o Departamento de Defesa da CIA dos EUA, que funciona como uma espécie de UCT (Unidade Contra Terrorista de 24 Horas) mais realista, leia-se burocrática, e não tão avançada tecnologicamente. 

A protagonista Carrie Mathison, Claire Danes, é uma agente da CIA que sofre em segredo lidando com sua bipolaridade, que a leva a ter surtos psicóticos épicos ( eu, particularmente, tenho muito medo dos olhos esbugalhados dela nessas cenas) e que vê sua sanidade indo embora quando passa a investigar e perseguir  Nicholas Brody, atuação irretocável de Damian Lewis, um ex-fuzileiro norte-americano, recém egresso de sua suposta morte, onde passou oito anos refém do terrorista árabe Abu Nazir da Al Qaeda, uma espécie de Osama Bin Laden misturado com Gandhi

Carrie voltando à ativa depois dos perrengues da primeira temorada. Melhor momento do episódio de abertura da Segunda.

Ainda no elenco principal temos Saul Berenson, interpretado por Mandy Patinkin, é o apoio emocional, mentor e protetor de Carrie e protagoniza com ela os grandes momentos  sentimentais, perdendo apenas para as interações Carrie e Brody, aí sim uma explosão na tela. O final do terceiro episódio, dessa segunda temporada é emocionalmente impactante, menos pela revelação em si, mais pela verdade com que a relação Saul e Carrie vinha sendo construída durante as duas temporadas. 

Sargento Nicholas “Cara de Chupador de Ovo” Brody. O herói, terrorista, não, herói, terrorista da série.

Também relevante no elenco temos a bela (muito bela e brasileira) Morena “Pescoço” Baccarin, no papel da esposa de Broddy, que ficou com o melhor amigo do rapaz enquanto ele estava “morto”. Morena é uma atriz um pouco inexperiente, mas nada que comprometa a série como um todo. Curioso é saber que quem deveria ter atuado no lugar dela e que inclusive fez parte do piloto foi a atriz Laura Fraser, a Lydia Rodarte-Qayle da quinta temporada de Breaking Bad. É uma grande mudança no perfil de atuação, seria curioso ver a atuação dela e ver o quanto isso mudaria o tom da série, ou não, muito pelo contrário.

Morena chocada! Essa é das nossas.

O argumento principal da trama pode parecer chavão e maniqueísta a princípio, mas dê uma chance e os roteiristas irão manipular as suas dúvidas e suas expectativas de tal forma que você realmente não conseguirá prever o que acontecerá a seguir. O grande mérito dessa série não reside em possíveis soluções escalafobéticas tiradas do bolso de trás de algum escritor para justificar grandes viradas no enredo, pelo contrário, eles nunca pendem às soluções fáceis, simplistas ou mesmo absurdas em demasia, pelo contrário, tudo vem na medida certa e o suspense e surpresa são construídos pelo aprofundamento e humanização no desenvolvimento psicológico de cada personagem, mesmo os secundários. Nesse quesito, ouso colocar o trabalho de roteirização da primeira temporada ao lado de grandes como o já mencionado Breaking Bad e Os Sopranos, inteligentes o suficiente para não se apoiar na suposta burrice do telespectador. A julgar pelo que foi apresentado nas últimas três semanas a tendência é não deixar a peteca cair, pelo contrário, as expectativas já foram alçadas à estratosfera.

Brody, Claire e seu mentor de todas as horas, Saul.

O viés político e a visão multilateral dos eventos é outro ponto forte da série. Baseado na série de tv Israelense “Hatufim“, algo como Prisioneiros de Guerra em hebraico, Homeland é uma série que tinha tudo pra ser adaptado como uma patota americanista, só que não é. Giddeon Raff, o Israelense criador da série, resolveu escrever a série como uma resposta aos muitos soldados israelenses que eram capturados pelos inimigos e as suas dificuldades sobre-humanas em se readaptar à sociedade Israelense quando do retorno à casa. A série americana segue o mesmo fio condutor, a diferença principal está no fato de que os EUA não conduzem trocas de prisioneiros com seus inimigos, por isso o Sargento Brody é resgatado por uma ação militar norte-americana no Iraque no primeiro episódio.

A segunda temporada já começou recheada de polêmicas, inclusive na vida real. O governo do Líbano por exemplo quer processar os produtores pela representação mentirosa, segundo eles, da Rua Hamra em Beirute. No segundo episódio, essa rua é representada como uma viela estreita, mocada e perigosa populada por milícias, quando na realidade seria uma rua turística cheia de cafés e bares e Beirute uma das cidades mais seguras do mundo, ganhando de Nova Iorque e Londres, por exemplo. Vale ressaltar que o criador da série é Israelense, então essa visão pode realmente ser deturpada.

Claire começando a arregalar os olhos. Engatando a segunda marcha em sua bipolaridade.

 Mas e os detalhes da trama. Afinal o Brody é mocinho ou bandido? O que acontece na segunda temporada? Entrei nesse post pra saber o que está acontecendo!

 Bem, se esse era o seu objetivo Pequeno Gafanhoto, sinto lhe dizer que o decepcionarei, a ideia aqui era apenas despertar a sua curiosidade sobre a série se você ainda não a conhece e também deixar algumas impressões pessoais sobre a mesma. Entregar os detalhes das tramas séries, filmes, games, o que for, é exterminar o seu entretenimento e não é esse o objetivo do Cocô na Cuia. Queremos sugerir coisas boas e discutir opiniões, portanto, sejam bem vindos a nos escrever as suas.

 Grande abraço do Gordo.

 Algumas referências (de sempre)

  • http://en.wikipedia.org/wiki/Homeland_(TV_series)
  • http://www.imdb.com/title/tt1796960/