Gibicon: Dia #1

Saudações aos leitores vermes e sociopatas do Cocô na Cuia, ou seja, todos! Chegamos ao primeiro dia de cobertura da Gibicon, a maior e melhor Convenção de Quadrinhos do Brasil-sil-sil.

Temos dezenas de coisas para falar sobre esse dia de abertura… só que não! Infelizmente todos os redatores do Cocô na Cuia designados para a cobertura do evento (ou seja, todo mundo que faz a merda desse site) trabalha em período integral e não poderá aproveitar a enorme gama de palestras, debates e oficinas oferecidas na quinta e sexta-feiras, o que não nos impediu de partir para a Vernissage (essa palavra é muito chique) da abertura oficial do evento no deslumbrante Solar do Barão.

Foi um belo rega bofe, com bons salgadinhos, boas exposições,um povo muito educado e acessível e uma organização primorosa, com excessão do carinha que nos negou um crachá de imprensa, o que explica o por que das fotos de qualidade amadora desse post. Foram todas tiradas na surdina com meu celular (Gordo Safado mode on).

19h – Abertura Oficial da Gibicon e das exposições:

A quantidade de exposições distribuídas em todas as salas do Solar do Barão, realmente me impressionou. Obviamente nem todas são “do balacobaco”, mas em geral gostei do que vi. Vale a visita. Sem erro. Pelo menos uma delas será do seu agrado.

– 30 anos de Gibiteca

Foi a primeira que vi. De cara fiquei com um pé atrás, pois a maior parte do material era de pôsteres antigos relacionados à eventos da Gibiteca e uma sala reservada a contar  sua história em painéis históricos humildemente acabados.

Era pra eu ter passado batido por essa, mas a minha sorte foi que uma educadíssima senhora, funcionária de muitos anos da Gibiteca, do nada virou pra mim e começou a se lamentar, dizendo que aquelas salas, amplas e de tetos altos do Solar, eram a antiga sede da Gibiteca nos seus áureos tempos e que devido à atos errôneos de um governo passado ela fora transferida para galpões e salas menores, passando de local em local através dos anos, nunca mais com uma estrutura tão boa, e que somente anos mais tarde ela pôde voltar para o mesmo prédio, porém num galpãozinho pequeno e precário que é o lugar reservado à ela até os dias de hoje.

Essa senhora me contava aquilo com uma lágrima na voz, uma frustração sentida, mas não demonstrada explicitamente, de alguém que realmente ama o que faz, de quem respeita seu local de trabalho como um templo, sagrado e valioso. Súbito como o início daquela conversa foi a despedida, sua última frase antes de sair da sala foi: Veja, leia, está tudo aí, apontando para aqueles cartazes que eu a havia ignorado.

E eu o fiz.

Li! De cabo a rabo. Pela primeira vez parei pra pensar: Caracas! A Gibiteca tem realmente 30 anos… a minha idade!!! E muita história. Quanto tempo eu perdi sem aproveitar esse espaço tão importante de nossa cidade. Moro em Curitiba há 12 anos e passei uma ou duas vezes pela Gibiteca, nunca me dedicando a conhecê-la, encontrar as pessoas que cuidam daquele lugar com tanto carinho, ter a oportunidade de gente que assim como eu, lê, cria e ama quadrinhos. Erro que será reparado de imediato.

Quanto a exposição em si, além da sessão histórica você poderá ver muitos cartazes de todos os eventos que aconteceram ali relacionados a quadrinhos, rpg, muito rpg,uma fotonovela xerocada do Batman (quase um Feira da Fruta) e artes exclusivas feitas para a Gibiteca. Saí da sala com um ar de satisfação plena. Que alegria de poder parar, olhar e conhecer a história de um lugar tão culturalmente rico, que sempre esteve ao meu lado, próximo aos lugares onde morei mas que eu nunca dei a atenção que deveria ter dado. Uma lástima não ter encontrado essa funcionária anos atrás.

P.S. Lendo um dos cartazes que mostrava o renascimento do espaço nos anos 2002, reparei que a exposição do Quino, de Mafalda, que acontecera ali, fez com que os olhos da população se voltassem à Gibiteca em si, mas que mesmo com todo o sucesso da empreitada, Quino em pessoa acabou não vindo ao evento por problemas pessoais. Parece praga, pois na Gibicon desse ano já tivemos a triste notícia de que o mesmo aconteceu com também Argentino Eduardo Risso, o segundo maior nome do evento que cancelou sua vinda, pelos mesmos motivos.

– Tesouros da Grafipar

Jóia rara dentre essas exposições, se vc for ainda essa semana talvez você tenha a chance de adquirir gratuitamente o belíssimo catálogo da exposição. A Grafipar foi a pioneira editora de Curitiba, “que operou entre 1977 e 1984”, com títulos de terror, erotismo, sci-fi, aventura e mangá, todos 100% tupiniquins. A história da Gibiteca se confunde com a da Grafipar pois foi o êxito dessa editora a nível nacional que permitiu o boom de desenhistas e criadores de quadrinhos em nossa cidade.

– Tesouros da Gibiteca

Outra mostra que me deixou boquiaberto, uma bela seleção de artistas locais ou não, com traços muito distintos e todos de alta qualidade técnica e criativa, vale demais a visita, tanto pelos grandes nomes como Tako X, José Aguiar e Fulvio Pacheco como por outros não tão famosos mas com trabalho surpreendentemente belos.

– Homenagem a Sergio Bonelli

Essa talvez venha a ser a exposição mais procurada desse lote, pois os quadrinhos da Bonelli são muito populares no Brasil, particularmente na região Sul e Sudeste. Como qualquer homenagem em que outros artistas tem a chance de ousar com suas interpretações de personagens consagrados, essa não decepciona e trás grandes momentos de lápis e nanquim. Dá pra sentir nos traços diversos o sentimento de apreço dos artistas que o homenagearam.

– Tanino Liberatore em Curitiba

O créme de la créme. A mega estrela da Gibicon desse ano. Um dos criadores de Ranxerox, o andróide cyberpunk. Independente de as artes serem originais enquadrados ou apenas reproduções, a visita é mais do que recompensada por poder apreciar estudos, artes finalizadas e momentos de (ainda mais) ousadia desse mestre. Eu sou (muito) fã!

– O Mundo de Haarman – Fragmentos da obra de Isabel Kreitz

Um comentário só, pra que montar uma exposição para reprodução impressa de páginas a lápis? Só isso.

– Comics on Top

Coletânea de artistas brasileiros que desenham pra fora, principalmente para as grandes editoras norte-americanas. Nomes como Eduardo Risso, Joe Bennett, Ibraim Roberson e o fantástico Carlos Magno. Eu tinha visto algumas páginas finalizadas do seu trabalho em “O Planeta dos Macacos”, mas o seu trabalho a lápis é o que mata a pau. Impressionante. Paguei pau.

– Quadrinhos Curitibanos 2012

 Coletânea da produção contemporânea, grande parte independente e voltada pra comédia e cartoon. Não sei se foi a seleção em si, mas a impressão que se dá ao visitar essa sala é que o passado quadrinístico de Curitiba é muito mais pomposo e relevante do que o presente. Mas creio e espero que tenha sido apenas um problema de seleção.

e pra finalizar, o Kokocast!

pouco antes de ir embora fui abordado por um camarada muito gente fina, que acredito ser o Sr. Barba Magnética. Anos atrás participamos juntos de uma maratona de 24 horas de quadrinhos (aquela iniciativa do Scott McCloud) e ele se lembrou de mim e veio me contar que também toca um site, com o peculiar name de Kokocast. Sim!!! Um primo distante do CnC uhauhauhuau

Similaridades não intencionais a parte, o site dos caras é MUITO maneiro. Segue o link aí, não deixem de conferir:

http://kokocast.com/

É isso aí povo, aquele abraço corriqueiro do Gordo e até amanhã!

  • Estava eu de bobeira trocando uma ideia com um pessoal na abertura da Gibicon, quando me aparece um sujeito entregando um marcador de Gibis(segundo ele) e a reação ao ver a o nome do site e do drops de noticias foi hilária!

    "Peidinho no Cast" LOL

    Mas muito bom o site, cara, mais um podcast de qualidade para ouvir : )