O Exótico Hotel Marigold – Review

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Imagine um filme ruim da Drew Barrymore (não são todos?), adicione cinquenta anos de idade a cada personagem, misture com o clima entojado de Comer, Rezar e Amar e você tem um filme que parece ter sido escrito pela Gloria Perez, O Exótico Hotel Marigold, para velhos e bonitos, sim, é assim que o Hotel se anuncia no filme.

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Filme britânico, baseado no livro These Foolish Things de Deborah Moggach, (porcamente) adaptado por Ol Parker e dirigido por John Madden, o mesmo de Shakespeare Apaixonado, trata-se basicamente de uma comédia romântica geriátrica, onde um conjunto de idosos britânicos que não se conheciam, resolvem por motivos diversos viajar para a Índia e se hospedar no Melhor e mais Exótico Hotel Marigold para os velhos e belos, ou seja, se a véia for baranga não entra.

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O filme conta com um elenco britânico estelar, Juddy Dench é a protagonista Evelyn, uma viúva recente que teve que vender sua casa para cobrir dívidas do marido e resolve terminar seus dias na Índia publicando um blog sobre as novas experiências em uma terra desconhecida. Tom Wilkinson, o Carmine Falcone de Batman Begins, faz um sexagenário gay mal comido, que volta ao país para procurar o seu grande amor do passado o qual ele foi obrigado a abandonar quando era jovem. Maggy Smith, arroz de festa entre os atores britânicos que dão alguma seriedade aos filmes, faz uma senhora racista que vai para o mesmo lugar em busca de um novo quadril a um preço menor do que o praticado nos EUA. Dentre outros vale ressaltar a participação de Dev Patel, no mesmo tipo de Indiano atrapalhado que ele representou em Quem quer ser um milionário e mais recentemente na série Newsroom.

Há alguns bons momentos de comédia, principalmente os protagonizados pelo Norman do ator Ronald Pickup, um velhote safadão que mais parece um adolescente de American Pie, louco para perder a virgindade. As cenas dele e de Madge, interpretada por Celia Imrie, uma caçadora de maridos no fim da vida, provêm as melhores cenas do filme. Se os produtores não tentassem se levar tão a sério e investido mais nesses momentos de comédia, o filme talvez se tornasse uma experiência menos torturante.

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A impressão que se tem, a cada take-vergonha-alheia do filme, é que o roteirista teve preguiça de criar uma história menos ordinária e ninguém se incomodou em arrumar o texto, pois todos contavam com os talentos dos atores consagrados para sustentar o filme. O resultado final é uma torrente de clichês, justapostos num roteiro esquemático e novelesco, forrado de imagens turísticas de uma nova Índia que tenta ser realista, mas acaba estereotipada e idealizada, fugindo do Taj Mahal e focando nos Call Centers e nas comunidades pobres, porém bonitas e exóticas.

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O que ajuda a enfatizar os inúmeros problemas desse filme é que naqueles quesitos em que era esperado no mínimo um deslumbre, como na atuação ou na fotografia, o que nos é entregue não é nada além do medíocre, do superficial. Dench, Smith, Wilkinson, são todos atores fodásticos, supra-sumos-do-mega-max, mas aqui eles não tem pra onde correr e contrariam aquela história de que um grande ator consegue declamar até a lista telefônica de maneira atrativa, uma falácia. O mesmo vale pra fotografia, é colorida, diversificada, tudo que se espera dos cenários indianos já manjados, mas não ousa nunca, os enquadramentos são caretas, as locações óbvias, nada empolga.

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Dou uma cuia ao filme por respeito aos atores, mas se puder fuja de assistí-lo, não vejo possibilidades de aproveitar a jornada nem com a Scarlet Johanson ou o Brad Pitt deitados no seu colo durante a exibição.

Abraço do Gordo.

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