Review – Eternal Legacy (Android, iOS)

E a busca pelo jRPG perfeito para os ‘mobile devices’ continua! Será? Será?

Fala xibungaiada! Todo mundo já está careca de saber (principalmente o gordo) que eu me amarro num jRPG. E agora, com celulares, tablets e afins tentando se firmar no mercado de ‘games hardcore’ (e não só joguinhos casuais como Angry Birds e afins), era de se esperar que eles também ganhassem suas versões de RPGs japorongos. Foi o caso da Square-Enix com alguns jogos da série Final Fantasy, como já resenhei aqui e aqui.

E como seria uma tentativa de fazer um jRPG grandioso, nos moldes de um Final Fantasy, e exclusivo para essas plataformas, produzido por uma softwarehouse com experiência apenas em games ‘mobile’? Eternal Legacy é mais ou menos isso.

Produzido pela Gameloft, chupetadora oficial de games de console para mobiles, Eternal Legacy é, nas palavras de uma outra review que li por aí, um “Fotocópia Fantasy”. Não que isso seja ruim, muito pelo contrário: se o material chupetado for bom, há boa chance de vir coisa boa por aí.

E Eternal Legacy entrega o que propõe. Óbvio que não é o melhor jogo do mundo (e nem tem a pretensão de ser – eu acho), mas é uma agradável surpresa para os fãs do gênero (como eu), e prova que celurares, tablets e afins podem SIM virar muito em breve plataformas de games de respeito (e não apenas aqueles joguinhos pra jogar cagando).

Na história, você comanda um sujeito chamado Astrian (um Cloud genérico), que – adivinha? – tem um passado obscuro e – adivinha? – se junta à uma organização rebelde que – adivinha? – é a única esperança para salvar o mundo. Está tudo lá: a mocinha que é descendente de uma raça ancestral (e que morre), o protagonista revoltado de cabelo espetado que usa uma espada maior que ele, os ‘summons’ de criaturas mitológicas, e por aí vai.

Sim, tudo em Eternal Legacy fede à álcool de mimiógrafo, e não há nada realmente original no jogo. Os personagens são genéricos ao extremo, com carisma proporcional ao de uma porta, nem de longe possuem a mesma presença dos personagens da série Final Fantasy.

Mesmo assim, o jogo é divertido pra mais de metro: o sistema de combate, navegação, magias, e etc é tão simples, fluido e funcional que me faz perguntar o que diabos a Square tá fazendo com a série Final Fantasy? Pra que complicar se podemos simplificar? A grande variedade de magias, golpes e diferentes personagens jogáveis faz com que você fique com os olhos vidrados na telinha por horas, até explodir as hemorróidas do seu cu.

Os gráficos do jogo são excelentes para um portátil, não fica devendo nada para um PS2. Faltou um pouco de refino em algumas partes e os cenários possuem alguns bugs, mas nada que comprometa.

A trilha sonora é sensacional e dá o clima certo ao jogo. O mesmo não pode ser dito do ‘voice acting’. Tudo bem, como um jogo de iOS / Android, só o fato de ter vozes já deveria ser um ponto positivo… mas as dublagens de Eternal Legacy beiram o amadorismo e são um tanto anticlimáticas às vezes.

O jogo em si não é lá dos mais compridos. Somando tudo, levei cerca de 8 horas pra zerar. Mas, convenhamos, para uma primeira tentativa até que está bem bom! A dificuldade que poderia ser um pouquinho mais equilibrada, por vezes o jogo é fácil demais: só morri uma vez, no último chefe, e ainda assim, só porque fui MUITO descuidado.

Uma vantagem é que ele está totalmente em português na App Store / Play Store! Então, mesmo que você não manje muito dos inglês da vida, ainda podera aproveitar o jogo! O precinho também é camarada (se não me engano cerca de 4-5 doletas, até 0,99 se pegar promoção), então pra quem não quer levar uma facada da Square Enix é uma boa alternativa.

Faltou um pouco de ousadia por parte da Gameloft nessa primeira tentativa: arriscar um pouco mais e não ficar tão na sombra do jogo em que ele se inspirou. Espero que eles continuem investindo no gênero, e tragam cada vez mais ‘jogos de verdade’ para as plataformas ‘mobile’ (viram como sou descolado?).

Prós
(+) Finalmente um jRPG ‘de verdade’ para iOS / Android (que não seja port de outra plataforma);
(+) Divertido;
(+) Trilha sonora foda.

Contras
(-) Genérico até dizer chega;
(-) Dublagens sofríveis;
(-) Muito fácil.