Review – Show do Kiss (Arena Anhembi 17/11/2012)

O funk do heavy metal está de volta em grande estilo!

Era uma manhã de sábado fria em Curitiba e este quem vos fala já estava de pé? O motivo? Eu estava prestes a embarcar na caravana que ia me levar até São Paulo, mais precisamente para a Arena Anhembi, para assistir ao show dos ‘caras de palhaço’ mais conhecidos do mundo (depois do Bozo).

Quem já assitiu (mesmo que em vídeo) um show do Kiss já sabe o que esperar: um espetáculo. Pirofagias, fogos de artifício, luzes, chamas no palco, ‘tirolesa’ em pleno show, e por aí vai!

Os mascarados vieram em turnê para divulgar seu novo álbum de estúdio, Monster. A turnê estava sendo realizada juntamente com a banda Motley Crüe como convidada especial. Infelizmente, nessa ‘perna’ sul-americana de tour, as bichonas os artistas do Motley Crüe foram deixados de fora. No lugar, tivemos uma substituição à altura (só que não) da banda brasileira Viper, do não menos bichona André Matos.

Viper foi a banda que revelou André Matos, antes dele se tornar ex-Angra, ex-Shaman e ex-mais sei lá o que. Em seu primeiro disco chegaram até a ser considerados o ‘Iron Maiden Brasileiro’ (aham Cláudia, senta lá). O show até não decepcionou, mas todo mundo queria mesmo é ver o Kiss (até o próprio contra-regra, desesperado para tirar o gordito Matos logo do palco antes de sua última música).  O Viper já é uma banda com 25 anos de estrada, mas com alguns (longos) intervalos. O próprio motivo dessa turnê é a despedida da banda (que acabou de se re-ajuntar para celebrar os 25 anos do álbum Soldiers of Sunrise). Conveniente.

Enfim, o Viper de Matos se despediu do público com chave de ouro, tocando uma versão mais rápida e pesada de ‘We Will Rock You’ do Queen, dando o clima certo para a entrada (ui) dos palhaços (ui)!

Pontualmente às 21h30, os malucos do Kiss fazem sua magistral entrada de uma plataforma suspensa do alto do palco (e como era alto!), à luz de muitos fogos de artifício. Logo, ouviam-se os acordes da grudenta ‘Detroit Rock City’.

Tirando o som um pouco baixo nas primeiras músicas (problema corrigido lá pela terceira música), o show foi virtualmente perfeito.

Paul Stanley é um falastrão, e fala mais que o homem da cobra. Quase tanto quanto Dee Snyder, o frontman do Twisted Sister. Mas, sempre simpático, foi enfático em dizer que o Brasil era o número um e coisas do gênero. Depois dessa ‘amaciada’, eles mandaram ‘Hell or Hallelujah’, uma das três novas músicas que eles tocariam na noite (as outras foram ‘Wall of Sound’ e ‘Outta This World’, todas muito boas).

Show do Kiss em SP (Foto: Flávio Moraes/G1)

Daí em diante o que se viu foi o pacote completo que o Kiss oferece em seus espetáculos musicais: guitarra que solta tiros de fogos de artifício durante o solo de Tommy; bateria que levita; cuspidas de fogo

Mas, para este que vos fala, o ponto alto da noite foi a cuspida de sangue de Gene Simmons e sua subsequente subida às alturas içado por cabos de aço, para logo em seguida mandar  ‘God Of Thunder’ (minha música favorita do Kiss)

Pouco depois foi a vez de Paul Stanley fazer macaquice, e embarcar na sua tradicional ‘tirolesa’ para um pequeno palco no meio da multidão e mandar um ‘Love Gun’, outra das minhas favoritas. Aliás, os sessentões Paul Stanley e Gene Simmons esbanjam disposição (e botox na cara) para tais peripécias.

Show do Kiss em SP (Foto: Flávio Moraes/G1)

A banda teve ainda tempo para ‘Psycho Circus’, música que lembra muito minha adolescência, disco gravado na breve reunião da formação original da banda, em 1997.

O Kiss se despediu do palco mandando ‘Black Diamond’, um clássico do primeiro disco. Antes de sair do palco (e obviamente voltar para um encore na sequência), Paul perguntou: ‘Podemos voltar ao Brasil mais vezes?’ todo mundo gritou que sim, e um sujeito do meu lado ainda complementou: ‘Pode sim, só maneira no preço dos ingressos na próxima’, crítica aos preços salgados dos ingressos (viu, dona Livepass?)

A banda volta para o derradeiro encore com ‘Lick It Up’, ‘I Was Made for Lovin’ You’ e a óbvia ‘Rock And Roll All Nite’ fechando a noite, com muitos (leia-se MUITOS) fogos e muito papel picado voando pela Arena Anhembi.

Como fã, senti falta de ‘Heaven’s on Fire’, ‘Deuce’ e ‘Strutter’, mas nada que comprometesse o resultado final.

Todo mundo já sabe que sou um fanzasso de Heavy Metal, principalmente umas vertentes meio desconhecidas. E é suicídio para qualquer fã de metal ‘tr00’ assumir que gosta de uma banda pop e comercial como o Kiss, com um som não tão elaborados e letras meio pobres. Mas quer saber?  Gosto mesmo e fodam-se! E o show deles é um espetáculo à parte, teatral e quase circense. Qualquer um, fã ou não da banda deveria assistir a um, para saber como se fazem bons shows!

Set List:

1. Detroit Rock City
2. Shout It Out Loud
3. Calling Dr. Love
4. Hell Or Hallelujah
5. Wall of Sound
6. Hotter Than Hell
7. I Love It Loud
8. Outta This World
9. Solo Guitarra/Bateria
10. Solo Baixo
11. God of Thunder
12. Psycho Circus
13. War Machine
14. Love Gun
15. Black Diamond

Encore:

16. Lick It Up
17. I Was Made for Lovin’ You
18. Rock and Roll All Nite

[Fonte das Fotos: G1]