VERTIGO – Review – A Tessalíada

Já faz algum tempo que abandonei as publicações mensais da Panini Comics e passei a buscar apenas encadernados, editados nos Estados Unidos ou no Brasil, com  arcos fechados de histórias escritas e ou desenhadas por autores do meu interesse. É uma evolução natural, creio eu. Com o tempo você cansa do modelo de publicações da Panini no Brasil, onde ao comprar uma revista com três histórias, apenas uma, em geral, vale a pena. É um mal necessário, eu sei, para se conseguir sustentar uma maior quantidade de títulos em banca e nem pretendo argumentar contra ou fazer nenhum tipo de crítica. Acredito, na realidade, que o modelo de negócio dos italianos é o melhor existente para as características do nosso mercado atual, tanto é que os caras dominam as bancas há mais de dez anos e ao contrário de suas antecessoras, só crescem ano a ano, realizando feitos como a aquisição dos direitos de edição e distribuição da maior linha de quadrinhos brasileiros, leia-se Turma da Mônica, mangás diversos e firmando o selo Vertigo, amaldiçoado por anos de tentativas frustradas de continuidade de sua publicação.

Capa da VERTIGO #1 – Lá se vão 3 anos de Vertigo, sem interrupção pela Panini, vida ainda mais longa é o que eu desejo.

É justamente sobre o título mensal carro chefe da linha Vertigo que eu passarei a escrever uma série de reviews a partir de hoje.

VERTIGO é um gibi que simplesmente não consigo largar mão, cheguei a fazer a assinatura anual e sempre me vejo contando os dias para a chegada da edição seguinte, seja pela qualidade constante de seu mix de mais de cento e vinte páginas ou pelo trabalho esperto, profissional e respeitoso que a Panini vem realizando com esse título em particular desde o seu lançamento em outubro de 2009.

Um acerto da editora em relação à suas antecessoras foi a ousadia ao selecionar trabalho modernos e inéditos, deixando de lado os medalhões como Sandman, Fábulas e Preacher, que acabaram sendo publicados em encadernados e outros formatos mais luxuosos e trazendo aos brasileiros a oportunidade de conhecer novas histórias e autores de materiais de altíssima qualidade.

Eu tenho todas, too-daaas!

Um número respeitável de séries mensais e minisséries alternam-se no mix de VERTIGO.A minha ideia é iniciar a partir desse post, uma série de reviews de todas as histórias que vem sendo publicadas, mas não individualmente, por capítulos ou analisando o mix mensal, pelo contrário, escreverei somente sobre os arcos de histórias já concluídos, na ordem em que eles foram publicados no Brasil porém respeitando a maneira como elas foram coletadas em encadernados nos EUA. Lá é possível encontrar todos esses arcos de histórias em volumes individuais. Aqui no Brasil apenas uma ou outra, como Vampiro Americano, do grande Scott Snyder, que acaba de ganhar seu primeiro arco em capa dura pela Panini.

Mais uma capa fodástica por Dave McKean, o mesmo capista de Sandman e ilustrador de Batman, Asilo Arkham.

Sandman Apresenta – A Tessalíada.

Escrita por Bill Willhingham.
Ilustrado por Shawn McManus no lápis,
Andrew Pepoy na arte-final,
Daniel Vozzo nas cores.
Editado nos EUA por Shelly Bond.
Publicada em VERTIGO #1 a #4 no Brasil – Outubro de 2009 à Fevereiro de 2010

A partir daqui minha critica pode soar esquizofrênica, já que só teci elogios à revista. Sei que é triste abrir a série de reviews criticando a série menos legal dentre as publicadas no mix até agora, mas é um trabalho sujo que tem que ser feito em algum momento, que seja agora.

Fato é que Sandman Apresenta – A Tessalíada, escrita pelo irregular Bill Willingham, que tem dificuldades em acertar o tom de qualquer revista que não seja a sempre ótima Fábulas nos entrega uma história bobinha e ilustrada de maneira pouco inspirada pelo criador de Thessaly, Shawn McManus.

A Turma de Sandman, no traço de Shawn McManus. Thessaly já marcava presença.

Thessaly é cria oriunda do clássico arco de Sandman, Um Jogo de Você e com um nome como o de Willingham encabeçando a revista é fácil entender por que a Panini adicionou essa história à seleção de lançamento da VERTIGO pela Panini. Fato é que esse é o elo fraco das quatro primeiras edições brasileiras e agradeço aos Deuses Gregos e Nórdicos por isso não ter atuado contra o sucesso do gibi.

Comecemos pela trama, pueril e simplória. Acompanhamos a breve epopeia da última bruxa sobrevivente da Tessália, chamada Thessaly. Extremamente poderosa, tudo que o que ela quer é continuar vivendo escondida sob a pele de uma colegial comunistinha, dedicada aos estudos e poder desiludir um ou outro estudante tímido que se aproxime dela com intenções amorosas.

Cenas constrangedoras de Sandman Apresenta – A Tessalíada.

A trama toma corpo quando um fantasma chavequeiro e caçador celestial chamado Buscante, contratado por uma Deus sinistro e misterioso passa a perseguí-la com o intuito de matá-la. É aqui que a história torna-se potencialmente interessante, pois as interações entre Buscante e Thessaly chegam a ser quase envolventes e engraçadinhas, mas não vão muito além disso. Os vilões, todos monstros e deuses mitológicos, com uma certa fundamentação e reinterpretação moderna que tentam referenciar a fórmula de Sandman, fracassam nesse intuito e nas tentativas de se tornarem personagens marcantes ou originais, sendo em sua maioria rasos como um pires e servindo objetivamente ao propósito do argumento principal, uma jornada do herói didática e entediante, quase como se você estivesse assistindo um jogo no estilo adventure para PC dos anos 90, mas não tivesse possibilidade nenhuma de interagir, apenas assistir.

Mai um momento hilário da série #soquenao!

A arte de Shawn não ajuda a potencializar nenhum dos eventuais acertos da trama. Conheço poucas obras dele, mas posso dizer sem medo que a arte dele nessa revista é um ponto baixo de sua carreira visto que ele possui uma produção boa e coerente, como você pode conferir em http://www.shawnmcmanus.net/

É sabido que a linha Vertigo sempre prezou o texto em detrimento da arte, mas em sua maioria é perceptível que por mais que os traços fujam de qualquer padrão, com certeza possuem um estilo específico, seja conscientemente composta de poucos traços, sejam por suas finalizações angulosas, abstratas ou simplificações que evocam a infantilidade, mas nesse gibi é perceptível que o artista tenta obter um resultado convencional, típico de quadrinistas noventistas, mas falha nos quesitos básicos de anatomia, perspectiva e sombreamento, não numa tentativa de subverter um padrão acadêmico, mas simplesmente por falta de conhecimento ou tempo para aplicar o que sabe.

Pra não ser de todo mau, as capas de Dave McKean são, como sempre, bem bonitas. Confere aí:

Nota final, 2 cuias.

No próximo review, Escalpo de Jason Aaron e R. M. Guerá, essa sim du carai véi!

PS. Uma crítica pra revista, o papel pisa-brite e a impressão porca. Mas isso é usual da Panini e infelizmente necessário para manter o preço acessível.

Grande abraço do Gordo Rancoroso.

  • Fatso

    Vou dar uma olhada, estava procurando algo interessante em HQ, não aguento mais a merda que esse povo tem feito no universo Marvel…