O Hobbit – Uma jornada inesperada – Review

É, vimos o Hobbit em 48 frames por segundo, a tal tecnologia de HFR, High frame rate. Não, não assistimos à uma sessão exclusiva para a imprensa antes de Deus e o mundo. Não, também não temos nenhuma notícia ou comentário exclusivo sobre o filme que você já não tenha lido em dezenas de outros sites nerds por aí. Não, não haverá uma série ou sessão exclusiva destinada ao Hobbit ou aos fãs da saga dos anéis de couro, é só essa crítica furreba mesmo, se aparecer mais alguma coisa é por que algum gordo cabaço do nosso site foi assistir e voltou empolgadinho, mas não esperem por isso. Ah, e não, não é o Mamica quem está escrevendo esse post, só estou rabugento por que é segunda-feira de manhã.

Mas e aí Gordo mala, o filme é “bão”? Sim, o filme é bom.

É um novo clássico para a juventude empacotado por uma nova e revolucionária tecnologia cinematográfica? Nem “fudendo”!

Particularmente, achei a experiência geral mais empolgante do que quando assisti à trilogia original do anel em meados dos anos 2000, porém eu nunca fui um ferrenho e ardoroso fã da série. Gostava, entendia seus pontos fortes, mas considerava os três primeiros filmes, assim como os livros de Tolkien, enfadonhos demais, com personagens rasos, dramas insubstanciais e trama previsível. O forte, em ambas as mídias é o detalhamento obsessivo do mundo e das criaturas deixando o enredo relegado à função de um cabide, para pendurar e expôr todas as imaginativas criações de Tolkien e posteriormente de Peter Jackson.

O ótimo Martin Freeman de O Guia do Mochileiro das Galáxias, encarnando o Bilbo Bolseiro.

O humor em O Hobbit é muito mais acentuado e isso conta muito favor, pois era exatamente o que faltava em O Senhor dos Anéis. Sim, eu sei que a intenção da trama era ser um drama de proporções épicas, mas não é por isso que o filme precisava se levar tão a sério.

Os anões são um show a parte, muito bem caracterizados e de personalidades marcantes, mas não caricatas, ao contrário de suas feições. Eles roubam a cena, tanto nos momentosmais hilários quanto nos dramáticos – o líder Thorin de Richard Armitage rouba a cena nesse quesito.

Confesso que no início fiquei com um certo receio do filme se desenvolver como uma espécie de Glee com anões após o número musical na casa de Bilbo Bolseiro, mas por obra do Divino, não passou daquilo, ufa!  Os livros originais são repletos de canções que pelas graças de Alá não haviam sido utilizadas por Peter Jackson na adaptação para os cinemas até então e em o Hobbit são apenas pinceladas em dois breves momentos.

O bom e velho Gandalf, o Cinzento, de Ian Mckellen rouba a cena novamente. Quão bom esse ator consegue ser, pataqueopareu, tá na hora de ele sair dos filmes mainstream e fazer algum filminho hipster-alternativo pra poder ganhar um Oscar, ele merece e já foi nomeado a 2. Além de Gandalf, há uma série de “cameos”, participações especiais de personagens da trilogia dos anéis, o que particularmente e na contra-mão dos fãs mais chiitas achei uma bola dentro. Foi empolgante rever Cate Blanchett (Galadriel), Christopher Lee (Saruman) e Hugo Weaving (Elrond) além do próprio Gandalf reunidos numa mesma cena, que mesmo não fazendo parte do livro, foi muito bem encaixada no contexto do filme e ainda promoveu  uma necessária integração dos novos filmes com os anteriores. Além deles, há ainda uma pontinha de Frodo, Elijah Wood, que reaparece no início, coberto com quilos de massa corrida para parecer o Hobbit adolescente de outrora. E por fim o melhor e mais precioso personagem revisitado, ainda mais realista e com expressões inacreditáveis de tão críveis.

A tecnologia de desenvolvimento 3D obviamente evoluiu nesses dez anos e a criação do mundo fantástico da Terra Média continua foda, mas apesar do esmero em algumas seqüências, como a do Gollum, o resultado final acaba sendo sabotado pelo relaxo na finalização de outras seqüências, como a da fuga de trenó de Radagast, o Castanho deslizando por um campo pedregoso como se estivesse numa gigante pista de gelo chega a ser constrangedora de tão mal feita.

E a nova tecnologia HFR?

Já escreveu demais Gordo, e  os 48 frames por segundo? É tesão pra caralho? Vai mudar a vida de todos? Será responsável pelo fim do mundo?

Então, o resultado é bom, estranho a princípio, mas nem de longe é a cocada preta do hiper realismo como divulgada por aí. Não sei se o esforço do uso da tecnologia faz valer o resultado final alcançado, mas se é um motivo a mais para levar as pessoas ao cinema, que seja enterno enquanto dure.

A iluminação nos primeiros 30 minutos do filme tem um aspecto de novela da Record, ou seja, muito ruim, cheguei a achar que o Rei David apareceria a qualquer instante no Condado.

Já da metade pra frente, não sei ainda se pelo fato de eu ter me acostumado à projeção, ou pela mudança de cenários, ou até mesmo pela evolução natural do uso da técnica, a iluminação melhora e passa a delinear os personagens de forma mais dramática e artística. Em vários momentos senti uma ponta de Spielberg anos 80, (Goonies?) na maneira como os cenários ocres e violeta se integravam aos personagens multi coloridos sempre destacados por uma contra luz branca que dava uma aura etérea à ele… ok, ok, [Hipster Comunistinha mode off].

Agora, o que realmente me despertou o interesse foi o resultado da integração com o as criaturas de computação gráfica. Melhorou muito se comparado a qualquer filme recente, principalmente nas cenas de batalha, talvez pelo frame rate dos personagens filmados estar mais próximo do das criaturas digitais, não consegui ainda entender exatamente o que causa essa impressão, mas funciona muito bem, quando eles querem

Em resumo, o filme vale a pena. Uma bela sessão pipoca, eu comi um balde enorme, o que não é novidade, com o atrativo de se poder experimentar uma nova tecnologia, mesmo que ela não tenha sido tão explosiva como propagandeada por aí – parece que estamos assistindo à uma peça de teatro, que os atores estão à nossa frente – really??? Sim, eu li essa merda em algum site por aí, e não, isso não é verdade.

Abraços peludos do Gordo.