Sweet Tooth – Review

Um futuro pós apocalíptico bizarro, um vírus mortal, um garoto meio-viado-meio-humano, Gus, guiado pra fora de seu mundinho bucólico rumo à um mundo de perigosas aventuras por um caçador de recompensas linha dura, Jeppard, com o qual ele desenvolve uma singela e profunda relação de amizade paternal.

Tantos bons e forte clichês reunidos em uma mesma trama deve render uma senhora história, não?

Infelizmente não!

Ao menos não no primeiro encadernado de Sweet Tooth, Out of the Woods, publicado em Maio de 2010 nos EUA e agora sendo lançado em português pela Panini no Brasil como Sweet Tooth – Depois do Apocalipse – Fora da Mata.

Vendido como “Mad Max encontra Bambi“, a expectativa criada em torno desse título era muito alta, quando li o resumo e vi as primeiras imagens, fiquei empolgadasso, compartilhei com todos os meus amigos, achei que pudesse ser o novo must da Vertigo, afinal Jeff Lemire vem se destacando com bons trabalhos nos títulos de ponta da DC Comics e mais recentemente foi responsável pela revitalização do Homem-Animal, de longe o melhor título dentre os Novos 52, mas fato é que algumas más escolhas enfraquecem Sweet Toth a ponto de torná-lo esquecível.

Diferente de outros trabalhos de Jeff, há aqui uma economia de estilo na escrita, diálogos rápidos, grandes painéis, uma leitura muito, muito rápida, quase Frank Milleriana, que, novamente, depende de uma arte forte pra sair do outro lado, e não contamos com isso, infelizmente.

À primeira vista, analisando as capas do gibi, sua arte chama a atenção, é econômica, mas expressiva, quase abstrata as vezes, realmente bonita, mas o que funcionou bem em ilustrações auto contidas se diluiu e não deu conta de contar a história proposta pelo autor.

Esse tipo de história demanda a criação de um mundo crível, com criaturas e conflitos humanos que imploram por um artista expressivo como Lemire, porém mais atento aos detalhes e mais competente na estruturação das páginas, dos leiautes e nas expressões faciais, o próprio Travel Foreman de Animal Man seria uma escolha perfeita, mas o que temos é uma arte interna esboçada e esquemática, algumas vezes primária e visivelmente feita às pressas fora as tentativas de composição mais ousadas que infelizmente não funcionam.

Há alguns conceitos fortes e idéias novas, que se bem desenvolvidos poderiam resultar em um novo clássico. A própria relação entre Gus e Jeppard, se não fosse tão calcada em situações rasas poderia ter salvado o álbum, mas tudo acaba sendo muito sistemático e previsível e as cenas do próximo capítulo só comprovam essa impressão, fora que não consegui perder por um minuto a sensação de estar lendo um capítulo de Walking Dead.

O foderoso Jeppard

Os diálogos são um dos pontos positivos da história, o problema é que eles são poucos. O inglês cheio de erros, digno de quem viveu exilado da sociedade reforça muito bem o clima de isolamento de Gus e sua adaptação ao novo mundo.

Apesar de terminar essa leitura com um sentimento de frustração, #chatiado, lerei a obra completa e provavelmente voltarei a falar dela em futuros posts, apesar do primeiro arco ter sido um banho de água fria, talvez até pelas altas expectativas criadas pela minha cabeça gorda eu já comprei os 5 encadernados do viadinho aventureiro lançado lá fora, então já que estou no inferno não custa dar um abraço no capeta.

Abraços do gordo chifrudo.

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