Dredd – Review

Esqueça aquela atrocidade cometida por Stallone em 1995.

Para quem não sabe, o Juiz Dredd é um personagem da série de quadrinhos britânicos homônima, em publicação desde a década de 70 (ou era 60?) na revista 2000AD. A história mostra basicamente um futuro distópico, onde a criminalidade chegou a níveis tais que a força policial tem que exercer a função de juízes, júris e executores (daí o nome, der).

Dredd já foi adaptadado para o cinema, como já mencionei acima, no fraquíssimo Judge Dredd (traduzido porcamente como ‘O Juiz’ em terras tupiniquins). Fato é, que como toda produção de ação daquela época, o filme era extremamente caricato e exagerado, não pegava toda essência e climão fascista e sombrio dos quadrinhos. O resultado foi óbvio: os fãs tiveram um piti e só não xingaram muito no twitter pois o mesmo ainda não existia.

Putaqueospariu! O Stallas usava um collant e uma SAQUEIRA de uniforme!

Eis que agora, na década dos remakes, anunciaram um remake / reboot / whatever do Juiz Dredd. O nome, simplesmente ‘Dredd’.

Megacity One.

Tão simples quanto o nome é a premissa do filme: acompanhar um dia na rotina do Juiz Dredd (Karl Urban, o Éomer da trilogia Sr. dos Anéis) e de uma Juíza novata com poderes telepáticos (esqueci o nome da bisca). Como obóviamente nem tudo são flores, eles acabam comprando briga com uma chefona do crime, a desfigurada Ma-Ma (Lena Headey, a Cersei Lannister de Game of Thrones).

Para melar ainda mais o angu, Ma-Ma tranca os juízes no complexo de prédios que eles estão e bota uma recompensa pelas cabeças deles. Cabe a Dredd e à novata subirem os duzentos andares do prédio, confrontando gazilhões de capangas armados até os dentes para chegar até Ma-Ma. Dá pra tomar uma Kaiser antes?

O prédio Peach Trees. É aqui que a ação acontece.

Como já falei, o grande trunfo de Dredd é a simplicidade: por ser um filme de baixo orçamento, a ação do filme se resume ao dito prédio de 200 andares. E o resultado não poderia ser melhor: o filme flui quase que como um ‘Duro de Matar’ futurista. O baixo custo também pelo jeito deu mais liberdade ao diretor (Peter Travis) e roteirista (Alex Garland) para fazerem um filme mais autoral e menos comercial pelas mandas e desmandas de estúdio. E, para completar a receita do sucesso, John Wagner – o criador do personagem em pessoa, foi um dos co-roteiristas.

Karl Urban nunca foi um exímio ator, mas ele consegue emprestar sua própria apatia para criar um Dredd muito mais convincente (e que nunca tira o capacete) que Stallone. Headey como sempre está muito à vontade no papel de vilã, e a novata Juíza Anderson (Olivia Thirlby, rá agora achei o nome dela) também segura as pontas e conduz naturalmente a evolução do personagem, de novata insegura até uma endurecida (ui!) Juíza no final da produção.

Hoje é dia de ‘White Chocolate’ galera!

Problemas? É óbvio que a produção também tem. O excesso de ‘elegância’ nas cenas em slow motion incomoda um pouco (apesar de plenamente justificado pelo uso da droga Slo-Mo). A película também não tem tando do humor sarcástico dos quadrinhos originais. Já vi muitos críticos reclamando da ultraviolência do filme, mas achei bem colocada e nada gratuita (como em Os Mercenários, por exemplo). Não assisti o filme em 3D, mas minha filha número 2 viu e falou que é muito bom.

Dredd não é uma maravilha da sétima arte, e também nem tem pretensão de ser (já repararam como falo isso um monte em minhas reviews?). Imagino que tanto fãs do personagem como espectadores casuais ficarão satisfeitos com o resultado. Não conheço muito do Juiz Dredd nos quadrinhos, mas o filme certamente me deixou com vontade de correr atrás – o que, por si só, já é um grande ponto positivo.

  • Fatso

    Eu vi em 3 D e foi um 3D muito competente, sem contar que apesar de serem exageradas as cenas de slow-motion, elas são fodasticamente bem feitas! Dá pra ver que a equipe técnica do filme é boa, pois cena de slow-motion é dificil praca de fazer.

  • Diler

    Balones!!!! curti muito esse filme…. tava imaginando que ia ser outra porcaria no nível do primeiro, mas esse superou as expectativas e muito!

    recomendo

    • Yo Dilerboy! Também superou minhas expectativas! Sem altos orçamentos e dedo de grandes estúdios, conseguiram fazer um filme foda: violento e visceral, como o filme do Dredd deveria ser!