O filme Rurouni Kenshin como visto pelo Mamica

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Hoje o Cocô na Cuia traz pra você um review supimpa e charmoso do filme mais otakugasmático de 2012: Rurouni Kenshin (るろうに剣心) – ou, Samurai X aqui no Brasil porque a gente curte ter nome idiota pra tudo. Caso você viva numa pedra e não sabe o que é Rurouni Kenshin, eu sugiro que você vá até ali na Wikipédia e volte daqui a pouco. Vai lá, eu espero.

É um prazer tê-lo de volta leitor! Agora que você já sabe quem (foda) é o Kenshin, responda-me isso: O que acontece se você juntar o Beiçola, o Cíclope e um tubo de Garnier Nutrisse Laranja?

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Sim! O filme do Kenshin saiu ano passado e o CNC como um grande veículo informativo recebeu uma cópia exclusiva que foi utilizada na sala de projeção do CNC regado a vinho francês e caviar! Estavam presentes apenas o Balão e eu porque somos os únicos apreciadores da arte japonesa dos golpes de espada com nome.

Pois bem, o filme começa com no final da batalha Pokémon de Toba-Fushimi onde o pessoal da revolução tá todo pimpão matando uma galera e surge eles, os temíveis, Shinsengumi ((新選組 ou 新撰) encabeçados por Hajime Saito (斎藤) que vem tocando horror inclusive em pessoas com armas de fogo. Saito dá aquela azedada básica e quer sair no braço com o Himura Kenshin, também chamao de Hitokiri Battousai (人斬り抜刀斎) – retalhador, risos.

Parece que coisa vai rolar mas aí no momento mais estapafúrdio de alegoria de um filme, a guerra acaba porque a revolução pega a bandeira do outro grupo. E aí todo mundo pára. Oi? Não bastasse isso,  todos saem de mãos dadas comemorando (mentira).

Dramatização oficial do fim da batalha.
Dramatização oficial do fim da batalha.

Saito dá uma de velho sábio e fala algumas babaquices pro Kenshin que, em um momento muito alucicrazy e no maior estilo Rei Arthur-reverso, planta a espada no chão e sai todo desnorteado deixando o coitado do Saito com cara de bunda e falando sozinho.

Eu mal consigo por uma faca no queijo
Eu mal consigo por uma faca no queijo

Depois, um samurai morimbundo levanta da neve, dá uma espiada e vê uma espada cravada. Ao tocá-la ele percebe que é a espada do Battousai (nenhuma conotação com pica aqui, imagine) e bem … letreiro.

Dá um avanço e chegamos nos tempos onde a história acontece, no ano 10-11-12 da era Meiji no Japão. É aí que começam as boas surpresas de toda a história do filme ao tentar ligar vários personagens num contexto válido pra história ao mostrar logo no começo a mansão do Takeda, a Megumi e alguns homens contratados para o chefão.

"Chefe! Chefe! A cana chefe!"
“Chefe! Chefe! A cana chefe!”

Antes de tudo, vamos começar a listar quem aparece nesse filme: Kenshin (duh), Kamiya Kaoru (神谷 薫), Miyojin Yahiko (明神 弥彦), Takani Megumi (高荷 恵), Takeda Kanryu (武田 観柳), Sagara Sanosuke (相楽佐之助), Hajime Saitou e alguns outros não-tão-secundários mas como eu não ligo pra eles não me importa. O fato é que tirando Kenshin e Kaoru, todos esses personagens aparecem em diferentes pontos da história original e trazê-los ao mesmo tempo e ainda dando uma história boa por detrás foi um trabalho que eu sou obrigado a tirar o meu boné.

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Muito bem- com tudo isso a primeira ligação legal é fazer com quem quer ficar com o dojo da Kaoru é o Takeda (deve querer abrir outra pastelaria) e logo percebemos que já temos dois mini-arcos juntos que são o da introdução e também o da Megumi. Sem falar que descobrimos que o homem de olho-escuro é o Cíclope Jin-E e foi ele quem pegou a espada (trazendo o arco do Jin-E)

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O RLY?

Com o passar das situações vemos que Kenshin não é apenas um andarilho mas o cara mais foda da atualidade e também a inserção dos outros personagens que é feita às vezes de maneira sutil com o Yahiko simplesmente sendo um piázote que a Kaoru ajuda e o Sanosuke que já vai direto pra porrada com o Kenshin. Diga-se de passagem a espada pelo menos tava dum tamanho mais realista no filme.

Sem alongar/detalhar o filme, a história se desenrola naquele estilo clássico de filme de heróis onde temos de 30 a 45 minutos de apresentações com algumas lutas aqui e acolá equanto uma trama mais longa vai se desenrolando e por fim (quase) tudo é fechado inclusive com as duas tramas.

Beleza Mamica, mas o que teve de bom?

Beiçola

O personagem do Takeda eu acho que não teria como ter sido melhor executado. Começa pelo fato que ao contrário do mangá ele tem uma pequena organização com várias pessoas – o que é muito mais realista – que vai desde porteiros até puxa-sacos e a sua operação é mais profissional do que apenas uma idiota que fabrica a droga.

Empério Takeda!
Império Takeda!

O grande tchans do personagem pra mim foi que ele é um vilão daqueles clássicos que abusa do poder financeiro, caga na sociedade, paga de benfeitor rindo das autoridades e principalmente: egoísta. Cara como eu adoro um vilão canastrão que sabe que é vilão. Detesto de longe os vilões que acham que estão procurando o melhor pra sociedade e justificativas para suas ações. Takeda só quer fuder geral mesmo.

Cenas de lutas

Cara, o coreógrafo caprichou nas lutas desse filme hein? Beirando a surrealidade que já era esperada do filme as cenas estão bem elaboradas e trabalhadas. É perceptível que foi dado uma atenção para que elas fluíssem de maneira a não serem complexas demais pela velocidade mas também que toda a movimentação fizesse um sentido natural ao assistir.

Ponta extra pelo sangue na medida certa (vão tomar no cu irmãos wachowski com Ninja Assassino) e mega-ponto extra por terem sido fiéis ao estilo de que o próprio Kenshin seria extremamente ágil e preciso nos seus golpes.

Doeu eu em mim essa merda
Doeu eu em mim essa merda

Outra coisa que gostei bastante foi que mesmo nas cenas de lutas com espadas as cenas e golpes com as mãos estavam bem feitas e com o efeito desejado sendo mostrado. Sejamos honestos: até parece que os caras conseguiriam se defender só com uma espada e não uns empurrões e chutes pra lá e pra cá

Battoujutsu

OTAKUGASMO *_*
OTAKUGASMO *_*

BATTOUJUTSU PORRA.

Porra isso é foda! Mas teve algo de ruim?

Trilha Sonora

A trilha sonora tava sofrível meu caneco! Toda cena do Takeda tinha uma inserção cuja intenção parecia ser cômica com maldade mas no fim só deu caganeira nos ouvidos. Sem falar nos malditos violinos fora de sequência com as trocas de espada (epa!) na última luta com o Jin-E.

Meias explicações / Flashbacks

Não gosto quando as explicações ficam pela metade. Entendo que o provável motivo da história da cicatriz só ter sido contada pela metade seja para poder fazer o segundo filme e explicar o restante nele mas sejamos bem honestos agora: Ou conta tudo ou não conta nada né porra?

"Não sei quem é você mas te seguirei por toda vida."
“Não sei quem é você mas te seguirei por toda vida.”

E a falta de contextualização do flashback dele aceitando virar um assassino pra revolução, matando e voltando pra dar mais uma choramingada?

Quem era o tio? Quem ele matou? ONDE FOI PARAR A LANTERNA QUE UM DELES SEGURAVA?

Com essa luz da lua pra que lanternas?
Com essa luz da lua pra que lanternas?

Dante faz uma palhinha no filme

O.QUE.CARALHOS.FOI.AQUILO? Sério- eu entendo não querer fazer o Hanya do jeito que era no mangá mas precisava inventar um cara loiro que usava pistolas, uma adaga, cicatriz de fogo e era o próprio Dante de Devil May Cry? Será que tem dedo da Capcom nessa coisa?

HYAHYAHYAHYAHYAHYAHYA
HYAHYAHYAHYAHYAHYAHYA

Considerações finais

Gostei – e muito – do tom até meio cômico do filme que em certos pontos ajudava a aliviar a tensão que existe na história de, bem, pessoas se matando com espadas. Em especial a parada da luta no meio da cozinha entre o Sano e o Guarda-Costas#1. Melhor que oferecer um frango no meio da luta só ouvir de resposta “Sou vegetariano”.

Acho que o filme agrada otakinhos enrustidos que nem e até mesmo alguém não-otaku que esteja procurando uma diversão safada estilo sessão da tarde pra desbaratinar a cabeça e ter algumas cenas decentes de espadas batendo em espadas (epa!).

Se não pela história em si (que é superficial, admito) mas pelas cenas de luta bem coreografadas e também por toda a ambientação do Japão em 189x que é me parece bem mais legal que o maldito cenário medieval europeu de filmes de época.

Notas-45

Não dei 5.0 porque fiquei com medo do Gordo.

  • Everboy

    Po Maluca! Eu achando que vc só escreve merda, mas esse review ficou foda!!

    Só acho que não é o Hanya… mas enfim! foda! Parabéns

    • Mamica

      Porra cara pior que depois fiquei pensado nisso. Ele parece mais um misto de Gein com Hannya e Enishi.

      Enfim, um coco. Hauhahahahahahaha

      • acho que era pra ser uma mistura de Hannya com Gein sim! Olhei no cast do filme e dizia 'Gein', mas pelo contexto devia ser o Hannya.

        assim como o outro capanga, que tb 'e uma mistureba do Inui Banjin com o Shikijo.

        Aliás, isso achei foda do filme, se colocassem só a parte do Jin-E ficaria meio sem graça, misturaram com aquela parte do Aoshi e deu o ritmo certo ao filme.