A Viagem – Review

Prepare-se para sofrer um ‘Estrupo Celebral’. No bom sentido (se é que existe um bom sentido).

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Os irmãos (irmão e irmã, lembram que um deles cortou o pinto fora?) Wachachá retornam com estilo em A Viagem (título brasileiro jaguara para Cloud Atlas).

O filme, baseado no livro homônimo de David Mitchell (rá, chupa quem achou que era roteiro original!) é uma mistureba só: conta ao mesmo tempo seis histórias diferentes, em épocas também totalmente distintas e, aparentemente sem nada em comum.

Dá pra tomar uma Kaiser antes?

Digo aparente, pois apesar das histórias não terem conexão direta, elas estão ligadas seja por filosofia, seja por algum tipo de ‘ciclo kármico’ (isso fica evidente no uso de mesmos atores para diferentes papéis em cada época), ou alguma outra sutileza estrategicamente posicionada aqui ou acolá (ou não, muito pelo contrário).

A trama não é centralizada (não possui uma ‘trama’ central), tampouco protagonistas bem definidos: cada história é sim uma história independente que poderia ser um filme à parte.

Imaginem só: Uma história de escravatura no século 19; um músico viadão recalcado na década de 40; uma reporter investigativa na década de 70; uns velhinhos engraçados tentando fugir de um asilo nos dias atuais; um futuro cyberpunk onde uma andróide (na real nem era andróide, e sim uma humana criada in-vitro) vira a líder de uma revolução; e, finalmente, um futuro longínquo onde, após um evento chamado ‘A Queda’, os seres humanos voltaram a viver como Neandertais (uh uh uh uh uh).

Agora, se fazer UM filme de época já exige uma produção esmerada, imagina quanta grana e esforço esses filhas das putas não tiveram que gastar com A Viagem. E o resultado desse angú que tinha tudo para desandar, não decepciona.

A produção é bem caprichada. Os cortes das cenas de uma época para outra é sempre alucinada, porém nunca sem propósito: como quando explode um túnel submerso no futuro que começa a inundar, a cena corta direto para a década de 70, com a repórter vivida por Halle Berry caindo de uma ponte com seu fusquinha após um atentado contra sua vida. Tudo muito natural e fluido, coisa quase impossível no meio dessa miscelânea de gêneros.

A maquiagem também é bacana: o elenco do filme é TODO reaproveitado no decorrer das épocas, mudando de rosto, idade, e até mesmo gênero (!) e etnia (!!). Aqui, o conceito que normalmente é utilizado em comédias pastelão (Eddie Murphy, alguém?) é levado ao EXTREMO. Apesar dos atores como coreanos / chineses / whatever ter ficado um tanto quanto forçado e artificial, no geral o trabalho foi bem competente.

Lógico que o filme tem problemas, e MUITOS. Com esse samba do crioulo doido de seis histórias acontecendo ao mesmo tempo, é ‘OBóVIO’ que o roteiro tem mais furos que um queijo suíço, e muitas perguntas ficam sem respostas, mesmo com quase três horas de projeção. E, como é muita coisa acontecendo ao mesmo tempo, é natural que algumas das histórias sejam um pé no saco (a do músico e dos velhinhos, por exemplo). Em alguns momentos a narrativa também fica um tanto amarrada e sem propósito, como quando a personagem de Halle Berry é perseguida por um assassino na década de 70 numa looooonga e modorrenta perseguição que chega a dar sono.

Mas, no geral, o saldo foi bem positivo: apesar do Gordo ter achado o filme uma bosta, eu, você e todo mundo cantar junto qualquer ser humano mais razoável (e menos rancoroso) pode extrair um bom caldo do filme e viajar muito na companhia dos irmãos Wachachá (hmmmmmm… boiola)!

E, diz aí, quem pegaria a Lana Wachowski?

Lana Wachowski  - "Cloud Atlas" Press Conference - 2012 Toronto International Film Festival

Notas-35

  • Diler

    Cara, e pior que eu gostei desse filme! É muita doidera mas até que faz sentido hehehhe

    Bom Review

    • Fala Dilerboy! Pior que também curti pacas! acho que só o gordo não gostou!! huahuahua!