Argo fuck yourself! Review

 

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Argo é o novo filme dirigido por Ben Affleck, o Demolidor, e é muito bom! 

Pera, o que há de errado nessa frase? “Ben Affleck” e “filme bom” dentro da mesma sentença? Ben Affleck dirigindo um filme? Calma suas piranhas pérfidas, deem uma chance ao piazote. Apesar de vários erros de trajetória em sua carreira de ator, ele teve um começo promissor como escritor de Good will Hunting (1997), Gênio Indomável no Brasil, e uma quase acerto na direção com The Town, Atração Perigosa (2010). 

Apesar de não ser nem de longe a Goiabada Cascão que os críticos andam pintando nos States, Argo se segura bem do começo ao fim, mesmo totalmente fundamentado na cartilha hollywoodiana mainstream, nem sempre uma coisa ruim, e com exceção de uma ou outra cena desnecessária entrega uma história honesta construída sobre um argumento real e muito interessante, daqueles que te fazem pensar que a realidade produz situações que desafiam as próprias impossibilidades da ficção. 

Affleck é o protagonista, óbvio, no caso Tony Mendez, agente expert em “exfiltração” da CIA enviado ao Irã durante os críticos dias da crise de reféns norte-americanos de 1979. Para dar conta de entrar no país sozinho e sair de lá com 6 pessoas a mais, ele lidera uma iniciativa que envolve a indústria cinematográfica de Los Angeles, representados pelos personagens do especialista em efeitos especiais John Chambers, que na vida real faturou um oscar pela maquiagem de O Planeta dos Macacos e aqui é vivido pelo bom, velho e gordo John Goodman e pelo produtor em decadência Lester Siegel, papel de Alan Arkin, que topam financiar uma mentira megalomaníaca apenas para viabilizar uma improvável missão de resgate em um Irã dominado pelo Ayatollah Khomeine

É na meticulosa reconstituição de época e na veracidade dos acontecimento base que o filme se faz. Fotografia e cenografia trazem uma universo setentista realmente imersivo e que fortalecem o enredo; bonequinhos originais de Star Wars em tamanho Barbie, Planeta dos Macacos em televisão de tubo, cabelos lisos, oleosos e bigodes fartos, está tudo lá. Outro ponto interessante é a reprodução em filme de fotos jornalísticas da época, permaneça no cinema durante os créditos e compare as originais com as respectivas cenas dos filmes. 

Como sou um gordo rancoroso, mesmo gostando de algo eu tenho que reclamar e se tem algo que me deixou putinho nesse filme foi o excesso de bons atores em papéis alegóricos. Ver Bryan Cranston renegado a meia dúzia de frases técnicas é de amargar o coração do obeso mais doce, no caso eu. Mesmo John Goodman e Arkin, o vovô safado de Pequena Miss Sunshine (2006), que brilham nos menores momentos, têm seu talento desperdiçado por um roteiro preguiçoso, que se preocupa com a coesão da trama, mas não queima uma pestana para escrever bons diálogos. O filme também traz à telona uma porção de carinhas conhecidas da televisão. Além do já citado Cranston de Breaking Bad, Victor Garber de Alias, Tate Donovan e Chris Messina de Damages, Titus Welliver de Lost e acredite, muitos outros. 

Argo vale o ingresso, você se diverte na medida, o filme tem tudo pra ser uma pataquada de exaltação ao norteamericanismo, mas Ben Affleck consegue imprimir um certo humor mais cínico e sinistro que neutraliza a patriotada. De quebra você ainda incrementa seu repertório de “conhecimento geral conforme visto pelo Ocidente”. Desde  a contextualização histórica da abertura do filme, passando pelos pequenos momentos de vislumbre dos trâmites políticas do Irã e dos EUA da época, Ben consegue imprimir cores políticas a um produto assumidamente mainstream de uma maneira orgânica o que por si só é uma conquista. 

Gordo aprova, mas não idolatra! 

Notas-35

Aquele abraço! 

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