O Lado bom da Vida – Review

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E esse é o momento de me redimir com “O Lado Bom da Vida”. Confesso que quando assisti o trailer há um bom tempo atrás, a primeira coisa que pensei foi: “Já vi esse filme antes!”. Não me chamou atenção e pensei que seria mais uma comédia romântica do tipo cara-com-problema-encontra-garota-também-problemática-e-juntos-os-dois-funcionam-bem-logo-eles-se-apaixonam. Mas, uma vez que saíram os nominados do Globo de Ouro, SAG e Oscar, percebi que esse filme poderia ter um algo a mais.

E não deu outra. Tem mesmo algo a mais. Sinceramente não sei se é uma comédia romântica ou um drama disfarçado de comédia. Pois existem conflitos bem sérios no filme, que conta a história de Pat (Bradley Cooper), um professor, que depois de um surto psicótico, é diagnosticado como bipolar e é internado numa instituição mental. Depois de voltar à vida “normal”, Pat encontra outra perfeita screw up, a amarga viúva (Jennifer Lawrence) que o ajuda a mudar de vida, ou pelo menos aceitar a vida como ela é.

Bom, lendo bem rápido a sinopse você pode achar que realmente já viu esse filme, mas ele é muito bem executado e aborda um tema interessante que é a insanidade. É claro que não é nenhum “Um estranho no ninho”, mas Silver Linings Playbook trata de pequenas insanidades cotidianas como parte da personalidade dos seus protagonistas. Desde o TOC do pai que também é um pouco bipolar, até o lado passivo-agressivo da personagem de J. Law.

Os personagens cativantes são o grande atrativo do filme, que por mais  loucos que sejam, quase todos são carismáticos e reais o suficiente para serem críveis. Ninguém é são o suficiente no filme, assim como ninguém de perto é normal, já disse Caetano. Mas o que faz o enredo e os personagens brilharem é que por mais peculiares que os personagens sejam, eles são mundanos e próximos. Filmes do Wes Anderson são cheios de personagens peculiares, mas eles são tão exageradamente estranhos, que as histórias de Anderson são quase uma farsa e existe um distanciamento deles com o espectador. “O Lado Bom da Vida” usa a peculiaridade e insanidade para dar profundidade aos personagens e esse é seu mérito.

O único outro filme que vi de David O. Russel foi “O Vencedor”, em que também temos personagens reais e nada maniqueístas, e assim como em “O Vencedor”, em “O Lado Bom da Vida” houve uma chuva de indicações para os atores, o que mostra que David O. Russel é um diretor que se preocupa com os atores e tem uma direção cuidadosa. Nunca imaginei que Bradley Cooper seria indicado ao Oscar, pois ele está fora da zona de conforto dele de ser o galã bonitão e faz um bom trabalho por sinal.

O título original do filme é Silver Linings Playbook, (AULA DE INGLÊS – Silver Lining vem de um ditado “Every cloud has a silver lining”, que significa que até as coisas ruins da vida têm um lado bom – Até que a tradução do título não feriu a lógica), ou seja, o título já te prepara para uma possibilidade dele ser um Feel Good Movie, categoria que me faz lembrar “Jerry Maguire” e “Melhor é Impossivel”, outros Feel Good Movies, que também receberam indicações inesperadas e o enredo principal dos  filmes era  mostrar que por mais merda que aconteça na vida, tudo tem um lado bom. E acho boa a mensagem que o filme traz.

Momento Gordo agora: Pra mim, esse não é um filme que deveria ganhar o Oscar de melhor filme, ou melhor direção, ainda não assisti a todos os indicados, mas acho que é um filme que merece todos os seus méritos, mas não é um filmão. Não é um filme incrível que nunca vou esquecer, é um daqueles filmes que se estiver passando na TV, assistirei de novo, mas não comprarei o Blu-Ray e nem me lembrarei dele na hora de fazer uma lista dos últimos melhores filmes. Mesmo assim, é um bom filme e um bom retrato de uma sociedade atual com diagnósticos para tudo e tão preocupada em ser perfeita que esquece que lá dentro, somos todos bem screw up.

 

 

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