Corporação Batman #3 – Novos 52 – Review

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IMPORTANTE: Algumas imagens dessa coluna podem trazer leves SPOILERs, mas se quiser ter uma leitura plenamente surpreendente não role a página daqui pra baixo, xô, passa, fora!

Batman vem sendo comandado pela mente perniciosa de Grant Morrison há pelo menos seis anos, tem sido, no entanto, uma fase de altos e baixos temperada por uma boa dose de polêmica e mau planejamento editorial.

Nesse meio tempo Morrison redefiniu a Morcega Vingativa, orquestrou grandes sagas que redefiniram o universo DC (#sóQueNão), tornou Dick Grayson (aquele viadinho) um personagem de grande relevância, pra logo em seguida voltar tudo ao que era antes e por fim fora segregado por Dan Didio, Editor Chefe da DC, à uma posição equivalente à de Xuxa na TV Globo, um artista louquinho, com seu parquinho de diversões isolado, que não prejudica a audiência, mas que ainda fatura bem e atrai patrocinadores, no caso leitores… e foi a melhor coisa que poderia acontecer ao escritor, tivera ele sido solto das amarras criativas e da necessidade de ditar os parâmetros de uma série de revistas mensais de um personagem best-seller mais cedo, teríamos muito mais histórias criativas e divertidas como as apresentadas nos recentes arcos de histórias da revista Corporação Batman, Batman Inc. no original.

PaiEFilho
Morrison é realmente a voz de Damian. Mesmo Peter Tomasi, que vem desenvolvendo uma ótima relação pai e filho em Batman e Robin não consegue obter o mesmo efeito com o personagem, que aqui se comporta como um pirralho altamente inteligente, arrogante, contestador, ousado, corajoso e por vezes como um carinhoso psicopata, ou seja, uma verdadeira criança de 10 anos.

Em primeiro lugar, para se obter uma experiência otimizada de entretenimento ao ler CB, devemos nos desarmar, não é possível extrair o melhor dessas HQs se você resolver levá-las a sério. Isso parece paradoxal quando se pensa em toda a carga histórica que Morrison utiliza para enriquecer suas tramas, mas fato é que todo o floreio e as incontáveis referências perdidas no meio da leitura nada mais são do que pequenos fragmentos de cultura nerd de raiz que você pode ou não aproveitar, mas que em nada impactam no entendimento das suas tramas motrizes, que no fim são extremamente simples.

Esse arco é de longe o mais acessível dos últimos anos de quadrinhos Morrisianos, é também o terceiro encadernado de Corporação Batman lançado em bancas brasileiras pela Panini e o primeiro pós Novos 52 da DC Comics (por isso as mudanças de uniformes sem explicação lógica) e talvez por isso o escritor tenha baixado um pouco o tom de suas histórias por vezes incompreensíveis por leitores casuais.

PossoCuidarDeVc
Damian, prepotente e adorável….

Esse arco, todo focado na vingança do Leviatã, constitui a primeira parte da fase final da Morceguita escrita pelo Morrison, e deve, segundo o escritor, unir todas as pontas soltas e referências de seus anos a frente da franquia. Eu duvido, mas não me importo.

A trama básica é extremamente simples, uma história familiar de um pai e uma mãe disputando seu filho único, seja por amor, seja por motivos torpes e egoístas. Um reflexo da própria experiência pregressa pessoal do escocês, já admitida por ele em entrevistas. Todo o restante é o floreio supracitado, em alguns momentos um arroubo de criatividade, como o mínimo esperado de qualquer trabalho do careca, em outros nem tanto, pecando pelo relapso e pela pressa de colocar no papel todos os conceitos que lhe passam pela cabeça, conceitos esses que nada mais são do que uma reinvenção e adequação dos 75 anos de histórias do Bátema como se de fato fossem parte de uma cronologia única. Muitas vezes a ideia funcionou bem, em outras a impressão que se tem é que os fatos foram adicionados de qualquer maneira no meio da trama. O autor utilizou desse mesmo artifício desde sua passagem por X-Men em meados dos anos 2000, mas de maneira mais orgânica e acessível.

PresenteDeTalia
Essa cena é emblemática do estilo de Morrison, pegar uma cena banal, a menina adolescente ganhando um presente do pai, e extrapolá-la para o mundo dos super-vilões. O segundo capítulo do encadernado, aliás, é totalmente focado no passado de Talia Al Gul e o mais dispensável dessa sequência, pois tenta embasar e costurar todas as tramas desenvolvidas por Morrison desde Batman…. mas acaba soando rasa e caricata, mesmo para os parâmetros de “não se leve a sério” que eu estabeleci no começo do texto.

Esse encadernado é feito de grandes momentos pequenos e pequenos momentos grandes. Morrison é expert na criação de splash pages e quadrinhos relevantes, uma imagem única, com diálogos precisos e afiados que contam uma história a parte por si só. Confira abaixo a seleção de alguns ótimos momentos desse encadernado e que talvez justifiquem a sua compra se você ainda tem dúvidas de que se divertirá.

OK, essa imagem não é desse encadernado ainda, mas não resisti, tinha que dar um jeito de encaixá-la aqui.
OK, essa imagem não é desse encadernado ainda, mas não resisti, tinha que dar um jeito de encaixá-la aqui. Morrison consegue revitalizar até mesmo os conceitos mais pueris e inocentes das décadas da era de ouro, como os Super-Animais, de uma maneira cômica e que realmente serve à história. A Bat-Vaca tem papel crucial durante a investigação da trama e é encontrada por Damian num matadouro de animais logo no começo da trama.
DST
“Posso falar de DSTs a noite toda…” Melhor versão de Fósforo Malone, ever!!! Esse capítulo é uma homenagem ao cinema Noir com todos os seus clichês: bar de gangsters, cantora de piano-bar sexy e ameaçada, etc..
Piadista
Menção honrosa para os pequenos momentos de rabujentice de Damian…
ArgentinoEIngles
O Batman Inglês e o Argentino interagindo e obviamente discutindo o tempo inteiro foi a melhor sacada dentre todos os Batmen criados por Morrison até agora, humor inteligente e com contexto.
DamianChorando
Momento “lágrima sobre minhas bochechas gordas”… Batman é um idiota!
Momentinho WTF com uma releitura dos Batman robôs de O Reino do Amanhã.
Momentinho WTF com uma releitura dos Batman robôs de O Reino do Amanhã.

É isso, compra mais do que justificada, apenas R$19,90, para algumas horas de leituras que funcionam para os leitores velhinhos e até certo ponto para os novatos também. Aproveitche.

Abraços suados do Gordo, o Batman de Ponta Grossa.

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