Review: Punk Rock Jesus

PRJ-Capa

Na contra-contramão da vanguarda intelectóide que assola a nossa cultura, Cocô na Cuia traz para você uma análise de uma obra dos quadrinhos estadunidenses que rendeu bons frutos lá fora no ano passado: Punk Rock Jesus, escrito e pincelado for Sean Murphy.

Vale salientar que a cópia analisada é o formato encadernado liberado pela DC Comics nos Estados Unidos por isso a ficha técnica nem será mostrada tampouco a qualidade do material (que é meio furreba pra ser honesto). No entanto você pode acompanhar a séries aqui no Brasil lendo a revista Vertigo. E olha meu amigo, eu acho que você deveria ler o mais rápido possível.

Ah, e antes que eu me esqueça, essa análise marca a estréia do plugin que evitará que você leia spoilers durante os textos que o autor queira evitá-los. Para testar a próxima frase é em homenagem ao Zerba, basta clicar que a frase aparece: [spoiler]Jesus não é Jesus e morre no final.[/spoiler]

A história

Tudo começa com um prólogo mostrando a vida do pequeno Thomas em sua casa na Irlanda do Norte [spoiler]onde seus pais são sumariamente executados[/spoiler] e como ele começa a ingressar numa carreira pra lá de bacana como membro do IRA mas não a banda podre afinal o nome da história é Punk Rock Jesus e não Lixo-Musical Jesus.

Dá um avanço e chegamos no ano de 2018/2019 (eu sou meio ruim de interepretação) onde é anunciado o projeto J2 que trará Jesus novamente para o meio de todos nós. Tudo seria lindo e maravilhoso não fosse o fato que a ideia principal é que a vida de Jesus é um reality show! Sim meus caros amigos, imaginem que Um Show de Truman tivesse sido baseado na bíblia. Oi?

Amém.
Amém.

Para isso, nosso “antagonista” (marque bem estas aspas) chamado de Richard Slate reúne um grupo de pessoas altamente capacitadas: Uma geneticista gênio, um nerd de TI, uma virgem e Thomas nosso amigão da IRA que vira o chefe de segurança da ilha. Ilha?

Exatamente! A grande sacada do clone de Jesus é que ele é feito numa ilha em águas internacionais por isso não há nenhum problema jurídico ou qualquer outro problema ético e legal. Eu defendo que clonar é válido mas levar pra uma ilha pra clonar é pra lá de babaca.

Não quero me ater muito no começo da história porque de fato não acontece muita coisa. Mostra rapidamente o dia-a-dia de Gwen/Maria e as tentativas de um grupo chamado de Novos Cristãos Americano (NAC em inglês) de boicotar o programa com protestos, ataques e essas coisinhas pra lá de sensatas que fanáticos de qualquer coisa fazem. Indo diretamente para o dia, obviamente escolhido como 25/Dezembro, temos o nascimento de Jesus que se chamará Chris [spoiler]e a revelação que existia um bebê a mais, uma irmã gêmea[/spoiler]. 

Gwen sendo interessante
Gwen sendo interessante

O desenvolvimento inicial de Chris é bem singelo com educação religiosa mas dentro da ilha com hologramas de outras crianças e mais algumas imbecilidades. Desde imagens do dilúvio até uma bem caricata cena de Jesus andando sobre as águas. Como disse antes, essa parte é bem mela-cueca sendo apenas relevante por todo o desenvolvimento [spoiler]ou regressão[/spoiler] emocional da Gwen com toda a pressão de ser mãe do salvador e estar presa numa ilha já que Slate determina que nem ela tampouco Chris podem sair.

Durante a infância, a Dra. Sarah tem uma filha por inseminação artificial e essa passa a viver com Chris e ele enfim tem alguém diferente de um holograma pra se divertir. Não que ajude muito já que sua educação continua sendo bitolada e determina por Slate que tem apenas um grupo em mente: Telespectadores.

Vamos avançar essa porra? Depois de muito forrobodó, perto dos seus 15 anos, um evento traumático envolvendo a NAC [spoiler]e Gwen que havia fugido[/spoiler] faz com que Chris mude completamente de personalidade. De alguém que na infância quase morreu afogado ao tentar andar sobre as águas, Chris passa a conseguir de forma “ilegal” material literário e musical diferente do que lhe era determinado além de se exercitar até não poder mais.

Em meio a tudo isso e a saída de Thomas da J2, Chris tem acesso ao seus antigos vinis de punk que ele colecionava (lembre-se que Thomas teria fácil uns 35 anos) e começa a se interessar pelo movimento que ele não pretendia trair chegando ao cúmulo de raspar seus cabelos quando chamado a apresentar a premiação do Grammy. Daí pra frente temos a transformação de Chris, a segunda vinda de Jesus para Chris, o anti-Cristo.

Não tem como ser mais épico que Jesus falando que Jesus odeia vocês
Não tem como ser mais épico que Jesus falando que Jesus odeia vocês

E eu vou ficar por aqui com tudo porque é praticamente impossível falar mais da história sem fazer blocos de spoiler a cada três palavras.

E o que você achou Mamica?

A história parece tão surreal já pelo título, mesmo que sejamos apresentados ao punk do nome na metade pro fim da história, que não tem como não interessar. À medida que lemos vemos que mesmo com o punk envolvido o que menos importa na história é o movimento e sim a interação de cada personagem com sua religiosidade, claramente explicada em um texto do autor ao final do encadernado.

Thomas fez parte do IRA e acredita que Chris é a segunda vinda; Sarah não se deixa levar por religião e apenas usa tudo para sua pesquisa de algas; Chris memos tem toda a sua fé abalada [spoiler]quando sua mãe morre[/spoiler] fazendo a transição do fiel pro ateu.

Mais do que um relato de WWPRJD (What Would Punk Rock Jesus Do – O que faria o Jesus Punk), Punk Rock Jesus é uma história de espiritualidade dos personagens tão próximos de uma história contada a eles através da TV.

E vale a pena ler?

Claro que vale! Eu me diverti todos os minutos que gastei lendo essa obra mesmo com pouca iluminação de fim de dia e tudo mais. Sou meio franga para quadrinhos em preto e branco por isso sou suspeito mas vai por mim que a história é excelente e instigadora. Se é verdade ou mentira o clone, vai da sua interpretação ao ler a história. [spoiler]PS: É mentira sim, não é clone de porra nenhuma hahaha[/spoiler].

  • Lek Lek Lek

    Estou acompanhando pela Vertigo mensal da Panini… série muito boa mesmo, Sean Murphy é um dos meus artistas favoritos, não pensei que o cara mandasse tão bem na hora de escrever também. Bom review, mas para de ser tão bocudo Mamica.