Derek – Review da nova série de Ricky Gervais

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“Derek” é diferente!

Não só o personagem, protagonista da série criada e estrelada por Ricky Gervais, criador e estrela do “The Office” original inglês, mas o seriado em si. Trabalho mais recente do comediante para a TV da terra dA Rainha e distribuído mundialmente em parceria com o Netflix, os 7 episódios da primeira temporada de “Derek” aportaram em terras tupiniquins no último dia 12 de Setembro de 2013 e provou ser uma boa surpresa nessa momento tão esfuziante, criativo e competitivo da produção televisiva.

Você acha que é bonito ser feio?
Você acha que é bonito ser feio?

Utilizando um formato mais comum a séries de comédia, meia hora de duração, o mesmo tom pseudo-documental de “The Office“, estilo inaugurado pelo próprio Gervais, “Derek” se apresenta como uma comédia mas é no fundo um drama super sensível, explorando os ditos personagens invisíveis: idosos do asilo esquecidos por seus parentes, o menino diferente abandonado por seu pai, a menina sem orientação que largou o colégio e acabou no asilo limpando penicos e alimentando velhinhos inválidos.

Derek” se define como uma dramédia, mas o forte da série são realmente os momentos dramáticos. As piadas acabam descambando em sua maioria para o campo do gratuito, do explícito e do escatológico, resumidas à urinóis, peidos e sexo bizarro, oferecidos pela dupla de amigos de Derek, Dougie, o faz-tudo desiludido com a vida e com seu trabalho de almoxarifado, interpretado por Karl Pilkington e o asqueroso Kev de David Earl, um vadio de marca maior que somente alguém como Derek poderia ser capaz de amar, assim como pelo elenco de idosos coadjuvantes, que em sua imensa maioria servem apenas como adereços de cena e alívio cômicos em situações relâmpago.

Dougie, Derek e Kev
Dougie, Derek e Kev

Apesar de deixar muito a desejar na direção, e por vezes no roteiro (sim ele escreve, dirige e protagoniza a série), Ricky Gervais chuta bundas na atuação. Sua transformação física é simples e impressionante, seu Derek tem o tom perfeito equilibrando cacoetes e um olhar solidário e solitário que passa a impressão ao espectador de estar na presença de um homem verdadeiramente bom. Derek possui três paixões na vida: animais, pessoas idosas e Hanna, a enfermeira chefe do asilo Broadhill onde Derek trabalha como voluntário, interpretada por Kerry Godliman, e é uma frase de Hanna que define bem o protagonista e a própria série: “Derek pode não ter muita coisa na cabeça, mas pode acreditar que o que quer que haja lá dentro, é cem por cento bondade”

Palavras de Dougie, o melhor amigo involuntário de Derek “Seu afeto irá me matar um dia”
Palavras de Dougie, o melhor amigo involuntário de Derek “Seu afeto irá me matar um dia”

Abraços geriátricos do Gordo!

Notas-35