Iron Maiden – BioParque Curitiba – 24/09/2013

Eu cresci, meus ídolos não.

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Já não é segredo para ninguem que sou fanzasso do Iron Maiden, e é óbvio que fui conferir recente show deles em minha cidade natal, ainda mais que se tratava da ‘Maiden England’ tour, a turnê de ’88 (do álbum Seventh Son of a Seventh Son – um dos meus favoritos) revisitada.

Mas comecemos pelo fim: Ao final do show, filas enormes para sair do BioParque, e engarramentos intermináveis nas avenidas de acesso. Cheguei em casa pra lá das 2 da manhã (apesar do show ter terminado às 23h), completamente quebrado, só para acordar às 7 da manhã do dia seguinte (num frio da porra, diga-se de passagem), vestir camisa, calça social e sapato e voltar para minha  realidade.  Mas a faço sem nenhum arrependimento: por duas horas esqueci de todo o resto, todos os problemas, e voltei a ser aquele adolescente de outrora.

O Iron Maiden subiu ao palco com e, apesar de todos os integrantes já possuirem mais de 50 anos, demonstraram uma energia de quem está em início de carreira. Nem a infecção de garganta (e eventual falta de voz) do vocalista Bruce Dickinson atrapalhou o desempenho dá banda que deu um show musical e de respeito aos fãs.

Estou me adiantando um pouco aqui, então vamos rebobinar de volta para o começo. O show na realidade foi um ‘mini-festival’, e nessa perna sul-americana da turnê contou com a participação especial das bandas Ghost B.C. e SLAYYEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEER, duas atrações que também estiveram no recente Rock in Rio.

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 Não cheguei a tempo do show do Ghost B.C., pois começou muito cedo. Apesar de não gostar muito da banda iria pra prestigiar. Acho o instrumental muito bom, mas acho que falta um clímax nas músicas. Isso, aliado ao vocal literalmente de missa do Papa Emeritus II, deixam as músicas insossas e sem sal. Enfim, apesar de não ter chegado a tempo, as reviews que eu li disseram que o público curitibano recebeu a banda sueca extremamente bem (!!!), melhor até mesmo que o RiR e o show em São Paulo e eles retribuiram com um show à altura, e começaram a aquecer a fria noite curitibana, e preparar o público para o que estava por vir!

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Pontualmente às 19h30 o Slayer subiu ao palco com ‘World Painted in Blood’, música do recente álbum homônimo, seguida por ‘Disciple’  de ‘God Hates Us All’ . Depois foi paulada atrás de paulada com ‘War Ensemble’, ‘Mandatory Suicide’,  ‘Hallowed Point’, ‘Dead Skin Mask’, ‘Hate Worldwide’, terminando com a um pouco mais calma (porém não muito) ‘Seasons in the Abyss’, música que se assemelha um pouco ao som de seus ‘primos ricos’ do Metallica (na época que Metallica era thrash metal de verdade).

A banda saiu do palco, e quem assistiu o show no Rock in Rio já sabia o que esperar: estava na hora da homenagem à Jeff Hanneman, recém-falecido guitarrista da banda. Desce um painel de fundo enorme parodiando o símbolo da Heineken escrito ‘Hanneman’ e no telão passagem imagens de shows e gravações com o ex-companheiro. Com esse pano de fundo, Kerry King & cia. mandaram as três últimas – e matadoras – músicas do show: ‘South of Heaver’,  ‘Raining Blood’ e, claro, ‘Angel of Death’.

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Performance impecável dos thrashers do Slayer, que por si só já valeria o ingresso. Tom Araya, o frontman, simpático como sempre (e gordo como nunca) com o público; Kerry King , o homem que nunca sorri, destruindo na guitarra; Gary Holt (ex-Exodus), substituíndo Hanneman à altura; e até o batera, Paul Bostaph, que teve a difícil tarefa de substituir Dave Lombardo (um dos membros originais da banda que saiu misteriosamente no começo de 2013) não deixou a peteca cair (se bem que ele já substituiu Lombardo em outras ocasiões).

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Mas estava na hora do Iron Maiden, que como bons britânicos, foram pontuais como sempre. Às precisas 21h, começava-se a ouvir os acordes de ‘Doctor Doctor’, música da banda UFO que de praxe sempre abre os shows da Donzela. Logo em seguida nos telões via-se imagens de geleiras, neves, e o caralho a quatro pra ilustrar que tratava-se de uma turnê do álbum Seventh Son of a Seventh Son (e pra encher um pouco de linguiça).

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Logo aparecia também no telão um (ainda cabeludo e jovem) Bruce Dickinson cantando a introdução de Moonchild: “Seven deadly sins, seven ways to win…”, só para logo em seguida eles entrarem com a costumeira explosão de energia e dar continuidade à música.

Seguida por Can I Play with Madness, mais conhecida do grande público e cantada a plenos pulmões por todos e The Prisoner, uma das surpresas desta turnê, do álbum ‘The Number of the Beast’. Fechando esta primeira seqüência, outro clássico da banda, ‘Two Minutes to Midnight’.

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Pela primeira vez Bruce para e conversa com o público. Só que ao invés de anunciar a música ‘Afraid to Shoot Strangers’ dizendo que o contexto dela está mais atual do que nunca, ele menciona o frio da porra que estava fazendo e faz uma piadinha “Trouxemos todo esse gelo para o cenário, não que vocês precisem aqui… então vamos tocar outra música pra aquecer senão vamos todos virar blocos de gelo.” ou algo assim.

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Após a música, Bruce sai do palco e volta com sua já tradicional farda e bandeira da Grã-Bretanha para cantar ‘The Trooper’ . Aqui fica evidente que o vocalista não estava em boa forma no dia, a música que exige muito da garganta foi cantada quase que uma oitava abaixo, e algumas vezes a voz até falhava. Mesmo assim, ele fez um esforço hercúleo para manter o pique e a animação do público. Esforço este que se estendeu até a próxima música, ‘The Number of the Beast’.

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Estava na hora da segunda surpresa da noite: a clássica ‘Phantom of the Opera’, do primeiro álbum de estúdio da banda, e até hoje considerada uma das melhores músicas da banda. Ela não é incluída em shows com freqüência, mas quando o fazem os fãs mais hardcores da banda (tipo eu) deliram.

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A noite continuou com ‘Run to the Hills’ e a aparição do primeiro Eddie, fardado (e com um bigodinho! Huhahuahuahuahahu!) e a enérgica ‘Wasted Years’. Mas isso era só um aperitivo do que estava por vir.

As primeiras notas de ‘Seventh Son of a Seventh Son’ e um ‘Eddie Profeta’ gigante levantando do fundo do palco anunciavam o clímax da noite. Impossível não se emocionar com essa música que é um dos grandes ‘Elefantes Brancos’ do Maiden, uma música que os fãs sempre cobravam um retorno ao repertório, e agora foram atendidos. Seguida pela ‘Clairvoyant’ do mesmo disco, e a enjoativa ‘Fear of the Dark’.

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Antes de saírem do palco, como de costume, estava na hora de ‘Iron Maiden’ clássico que leva o nome da banda, acompanhada por outro Eddie gigante, desta vez segurando um feto na mão, parafraseando a capa do álbum Seventh Son.

Após uma breve ausência, surge no telão o videozinho com o ‘Churchill Speech’, e eles voltam com nova explosão de energia para ‘Aces High’. Completaram o encore ‘The Evil That Men Do’ e o clássico absoluto e um dos hinos do rock ‘Running Free’ com direito a apresentação da banda e Bruce tirando sarro do bateirista Nicko McBrain, que parecia estar trajando calças de pijamas.

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O unico aspecto negativo realmente foi a organização do show. A estrutura, acesso e saídas eram extremamente precárias. Para melhorar, o trânsito na saída estava um verdadeiro inferno, e o único acesso era via Avenida das Torres, que já está extremamente congestionada devido às obras. Essa situação só evidencia a precariedade da nossa cidade em relação aos grandes shows. O jeito é esperar que a reforma da pedreira resolva pelo menos parte desses problemas. Mas o que importa é que nada disso ofuscou o brilho de um show fantástico e memorável.

Enfim, como escrevi no começo deste post: eu cresci, meus ídolos não. O que é ótimo. Pelo menos por aquelas duas horas de show, me senti como um adolescente novamente: tempos mais simples, problemas mais simples, uma vida mais simples. Uma época em que eu acreditava que poderia tudo, e a música desses caras simplesmente me transformava em um gigante.  Up the Irons! \m/

Setlists:

Ghost B.C.

  1. Infestissumam
  2. Per Aspera ad Inferi
  3. Con Clavi Con Dio
  4. Prime Mover
  5. Stand by Him
  6. Year Zero
  7. Ritual
  8. Monstrance Clock

 Slayer

  1. World Painted Blood
  2. Disciple
  3. War Ensemble
  4. Mandatory Suicide
  5. Hallowed Point
  6. Dead Skin Mask
  7. Hate Worldwide
  8. Seasons in the Abyss

Encore:

  1. South of Heaven
  2. Raining Blood
  3. Angel of Death

 Iron Maiden

  1. Doctor Doctor (UFO song)
  2. Moonchild
  3. Can I Play with Madness
  4. The Prisoner
  5. 2 Minutes to Midnight
  6. Afraid to Shoot Strangers
  7. The Trooper
  8. The Number of the Beast
  9. Phantom of the Opera
  10. Run to the Hills
  11. Wasted Years
  12. Seventh Son of a Seventh Son
  13. The Clairvoyant
  14. Fear of the Dark
  15. Iron Maiden

Encore:

  1. Churchill’s Speech
  2. Aces High
  3. The Evil That Men Do
  4. Running Free  (with Drum Solo)
  5. Always Look on the Bright Side of Life (Monty Python song)