O Homem de Aço – Review

 

ManofSteelCapa

O Homem de Aço alça vôo, mas não alcança grandes alturas.

É parte da constituição genética do Cocô na Cuia® estar sempre atrasado em absolutamente todos os assuntos dos posts que publicamos. Nada mais normal e compreensível, considerando que esse é um site composto por nerds empregados-assalariados que produzem apenas no seu tempo livre, quando não estão jogando PS3, lendo, assistindo filmes, séries ou principalmente comendo.

Levando isso em conta e atendendo aos pedidos das nossas centenas de milhares de leitores, eis que trazemos à vocês, dando início aos artigos comemorativos dos 75 anos do super herói primordial, uma análise de “Man of Steel”, “O Homem de Aço”, o novo-velho filme do Superman, dirigido por Zack Snyder e estrelado por Henry Cavill, que as essas alturas não está mais passando num cinema perto de você, mas que em 12 de Novembro chegará às estantes de DVDs e Blu-Rays dos Estados Unidos.

Adaptar Superman para os cinemas é uma tarefa marota…

PesonasCostas

O personagem carrega nas costas três quartos de século de histórias em quadrinhos, seis longas metragens “live-action”, dezenas de longas de animação, seriados para a TV, games, livros e para piorar o quadro, cada fã possui a sua interpretação particular e definitiva do herói com características distintas um dos outros dependendo da história com a qual o leitor ou espectador mais se identificou.

Eu, por exemplo, sou filho da geração de quadrinhos dos anos noventa, não que eu idolatre aquele período ou ache que as melhores histórias vieram dali, muito pelo contrário, porém foi nessa época que passei a me interessar por histórias em quadrinhos de super-heróis, atraído pela mega-saga da vez, “A Morte do Super-Homem”. Sim o termo “Superman” ainda não havia sido adotado por essas bandas.

Até então minha experiência com leitura de quadrinhos se resumia à “Turma da Mônica”, “Disney” e “Asterix”, mas quando me deparei com aquela capa preta chapada, com o símbolo clássico do “Super” envolto em sangue metálico, não tive como não implorar para meu pai me comprar a revista, mesmo sem ter idéia do que encontraria ali dentro, uma vez que as únicas referências palpáveis que eu tinha do personag à época eram suas paródias no programa dos “Trapalhões” e o desenho animado dos “Superamigos”.

morte

Foi um choque, confesso, não conhecia nem um décimo dos personagens apresentados naquela trama, e as técnicas narrativas assim como o estilo detalhado da arte deram um nó na minha já obtusa cabeça. Aqueles heróis realisticamente desenhados, os cenários de destruição representados no nível da mínima pedrinha esmigalhada, as lutas homéricas e recheada de páginas duplas entre Kal El e Apocalypse, tudo aquilo era hipnotizante, impactante dentro daquele contexto, mas foram poucos os momentos em que eu realmente consegui me conectar com o personagem, seus coadjuvantes ou qualquer trecho daquela trama, pois tudo era expositivo e fragmentado demais , muito mais explicado do sentido, o que não impediu “A morte…” de ser um dos maiores e mais rentáveis eventos das histórias em quadrinhos de todos os tempos. Aparentemente havia um grande público ávido por mega-sagas megalomaníacas e esquemáticas como aquela, padrão que infelizmente se perpetua até hoje toda vez que as editoras precisam elevar suas vendas.

Foram necessários mais seis anos e duas mini-séries em quadrinhos criadas por autores apaixonados pelo personagem para que eu viesse a ter o contato com as versões do herói, que vieram a formar a minha própria visão do personagem. O meu Superman é um misto do super-herói icônico e atormentado com seu lugar no mundo visto em “O Reino do Amanhã”, de Mark Waid e Alex Ross e o garoto inseguro e genuinamente bom do interior apresentado em “As Quatro Estações” de Jeph Loeb e Tim Sale com cores marcantes de Bjarne Hansen.

O Reino do Amanhã”, “Kingdom Come” no original, retrata um futuro apocalíptico da DC Comics, onde Kal-El está aposentado do manto do herói e uma nova geração de anti-heróis jovens e ultra-violentos surgidos no vácuo de sua debandada traz de forma alegórica, em meio a uma batalha mundial de super-seres, o questionamento de quão relevante pode ser um herói de valores clássicos como o Super-Homem perante aqueles super-seres sem virtudes. É uma trama de proporções colossais com um Superman semideus praticamente imbatível encontrando seu papel de líder mundial que tenta guiar o mundo à sua visão de paz, atuando como um ícone, um ideal de virtude com o qual todos os demais heróis se comparam e tentam alcançar. Muita gente torce o nariz para essa visão do personagem, mas Waid conseguiu mostrar que mesmo num cenário como esse é possível trabalhar o personagem de forma humana e sensível, um ser poderoso, mas falível e trágico, quase shakesperiano em sua existência.

Os Super-Homens de "O Reino do Amanhã" e "As Quatro Estações"
Os Super-Homens de “O Reino do Amanhã” e “As Quatro Estações”

Já “As Quatro Estações” atua na direção diametralmente oposta, é um conto singelo e ouso dizer uma das minhas HQs favoritas de todos os tempos, pois a série conseguiu mostrar a grandeza do Superman como um personagem tangível, inseguro, ingênuo e verdadeira e naturalmente bom, mas nem por isso o tornou um protagonista fraco ou simplista. Focado nos anos de formação do herói, sua adolescência na fazenda no Kansas, o primeiro amor, a descoberta de seus poderes e o primeiro contato com o time de coadjuvantes clássicos, Lois Lane, Lana Lang, Lex Luthor e outros, fez tanto sucesso que essa visão de Loeb acabou originando o mega-sucesso da TV, Smallville e fornecendo as guias mestras para as histórias em quadrinhos do heróis por anos.

Apesar de não ser consenso absoluto, o Super é um personagem complexo o suficiente para abraçar todas as suas definições, desde que o narrador de suas tramas tenha em mente de forma clara qual é o Superman que ele está apresentando aos leitores. Muitos argumentam que ele é um personagem menos complexo do que o Batman por exemplo, que não há drama suficiente embasando suas histórias e que seu excesso de benevolência e infalibilidade o tornam um personagem difícil de ser trabalhado por qualquer ator. Isso é verdade se o roteirista falhar em perceber alguns elementos primordiais. Há drama maior do que ser um dos últimos sobreviventes de um planeta em extinção, possuir os poderes de um Deus e ser obrigado a esconder sua verdadeira natureza para integrar-se a uma sociedade que não está pronto para aceitá-lo como você é? Os roteiristas que conseguiram abordar esse Superman, de certa forma reprimido, mas com valores fortes o suficiente para não se deixar corromper por isso sempre foram os que mais me tocaram como leitor.

O Clark Kewnt mendigão-existencialista de Man of Steel.
O Clark Kent mendigão-existencialista de Man of Steel.

Zack Snyder e companhia tentaram inovar, criar sua própria interpretação do herói ainda que costurando conceitos já explorados, trazer um super-herói mais soturno e violento, hoje sinônimo de moderno, com o intuito de alcançar os novos espectadores, em tese mais sérios e cínicos, ávidos por mais do material explosivo e pseudo-realista apresentado por Nolan na franquia do Morcegão e com vistas de, quiçá, estabelecer os alicerces definitivos de um universo DC compartilhado nas telonas, pensando nos bilhões conseguidos por “Vingadores” da concorrência.

É claro e explícito, seja pelas entrevistas dadas pela produção, seja pelo próprio conteúdo do filme, que os autores repensaram e lapidaram muito os conceitos chave que constituem esse novo Superman, um alienígena que foge da predestinação de castas de seu povo, que oscila no conflito entre assumir sua herança alienígena messiânica ou manter seus valores humanos adquiridos, as conseqüências do “primeiro contato”, o impacto que a descoberta desse alien e a devastação que uma invasão alienígena poderia causar em nosso planeta, questões que os filmes anteriores sempre evitaram, temas que na teoria funcionam e impressionam mas que o roteiro de David Goyer e Christopher Nolan não dá conta de traduzir em uma trama que prenda e cative a audiência do começo ao fim.

Esse Superman é infelizmente mais estética que expressão. Snyder, ao contrário de Nolan sempre foi muito mais espetáculo e luzes do que substância e coerência. “Watchmen”, adaptação da graphic novel clássica de Alan Moore, é considerada por muitos uma das melhores adaptações de HQs de todos os tempos e foi dirigida pelo mesmo Snyder, mas o filme apesar de não se sustentar como película fora do círculo de leitores e apreciadores da obra original, funciona, até certo ponto, por que possui a obra-prima de Alan Moore como base. Em Superman ele depende de um argumento original e de um roteirista mediano, Goyer, e é aí que “O Homem de Aço” encontra a sua “Kryptonita”.

Muito "flare", muita pose e muito carão. Esse é o jeito Snyder de ser.
Muito “flare”, muita pose e muito carão. Esse é o jeito Snyder de ser.

Man of Steel” é um misto de dois filmes que lutam entre si para conviver dentro do mesmo contexto. O primeiro filme, que funciona e empolga, é contado em flashbacks e é focado na origem de Kal El, sua chegada à Terra, o crescimento no Kansas, a descoberta traumática de seus poderes e bebe nos maneirismos de cineastas como Terence Mallick (“as hipster pira”) com muita lente obetiva, imagens desfocadas, reflexos de luz e cenas silenciosas. O segundo filme foca basicamente na perseguição de Zod ao não mais último filho de Krypton, a invasão do planeta pelos Kryptonianos exilados e a destruição de Metropolis, e pode ser comparado aos exageros providos por Michael Bay em todos os filmes dos Transformers, no pior que eles têm a oferecer, ação desenfreada, incessante e muitas vezes sem servir à trama.

As cenas de flashback não são novidades, o expediente aliás é idêntico ao praticado em “Batman Begins”, mas foi bola dentro dos criadores cobrirem esse período em que o jovem Clark viajou pelo mundo atuando como um herói solitário e invisível, idéia aliás concebida por Mark Waid na mini-série “Superman: Legado das Estrelas”, “Birtright” no original, mais uma das grandes histórias do herói nas HQs e do qual esse filme bebe quase que integralmente. É uma pena que essas cenas, realmente empolgantes, por conta de um roteiro mal dosado, percam espaço para a invasão alienígena mais modorrenta de todos os tempos. Era tanta ação e tragédia desenfreada, que o excesso acabou transformando o dinamismo em monotonia.

Uma cena que resume bem a fragilidade da estrutura da história é o momento em que a Lois Lane de Amy Adams despenca de uma grande altura e é salva pelo Super, o que em tese fortaleceria a química e a relação dos dois, um momento clássico da mitologia do herói. O problema é que a relação Lois & Clark foi tão mal pavimentada, que essa pequena cena simplesmente empalidece perante o longo e incessante genocídio perpetrado pelos Kryptonianos, em meio aos milhares de prédios destruídos e deuses lutando entre si. Quem dá conta de se compadecer de um casal ao qual você simplesmente não acredita na relação?

O excesso de ação é definitivamente uma fraqueza de “Man of Steel”, na ânsia de negar tudo que “Superman Returns” e os filmes de Richard Donner representam, com o intuito de atrair esse novo público em teoria ávido por porrada, os produtores simplesmente não focaram ou deram o tempo de tela necessário às boas idéias apresentadas e o acabou pesado e cansativo. Algo está errado quando vc passa a contar os minutos para a história chegar ao fim e é o que acontece depois da trecentésima porrada e do milésimo prédio desabado no terceiro ato. A grandiloqüência, o exagero, a escala intergalática é parte do cânone do Superman, mas aqui eles passaram do ponto.

O novo planeta Krypton, mais orgânico e a criatura voadora que Jor El surrupiou dos sets de Avatar.
O novo planeta Krypton, mais orgânico e a criatura voadora que Jor-El surrupiou dos sets de Avatar.

É compreensível esse desejo de ruptura com o Superman de Christopher Reeve, mas os criadores se esforçaram tanto em construir um filme “anti-Donner” que acabaram negando coisas que funcionavam na caracterização anterior em nome de escolhas menos originais ou de menos impacto. A releitura visual de Krypton é um bom exemplo, o planeta se tornou mais um derivado genérico e clichê do mundo de Avatar, incluindo os animais voadores que servem como montaria, abandonando o planeta estéril e de formações cristalinas rumo à um planeta mais orgânico, mesclando natureza selvagem com alta-tecnologia de metal líquid (?). Conceitualmente, porém, essa nova Krypton é mais interessante que suas antecessoras, ao menos na configuração geopolítica e social. O conceito das castas, onde cada Kryptoniano é geneticamente criado com o intuito de servir a um propósito específico é interessante e funciona na proposta messiânica desse Kal El.

As alterações na origem do protagonista, aliás, foram muito bem vindas e em sua maioria trouxeram um certo frescor à mitologia do personagem, o acaso já não é mais tão presente como nas interpretações anteriores do personagem, aqui o destino é traçado com mão de ferro pelo Jor-El de Russel Crowe, que funciona como uma espécie de fantasma de “Obi-Wan Kenoby” ao longo do filme. Kal agora é apenas mais “um”, e não “o” sobrevivente do holocausto, que conseguiu driblar o sistema de predestinação de sua sociedade graças à interferência de seu pai biológico e é exilado ao planeta Terra, que lhe daria condições de crescer como um Deu e caso seguisse os planos de seu genitor, repovoaria o planeta azul com o código genético dos Kryptonianos, consolidados em uma chave alienígena trazida na nave espacial que alcançou nosso planeta com o bebê alienígena dentro. Com esses novos temas em jogo, a adoção do alien por um casal de humanos do Kansas torna-se muito mais relevante na formação moral do personagem, uma vez que são os valores ensinados por Jonathan e Martha Kent aquilo que irá guiar Clark, sua identidade humana rumo a um destino diferente do escrito por seu pai.

Jor-El preparando o recém nascido Kal-El para uma viagenzinha.
Jor-El preparando o recém nascido Kal-El para uma viagenzinha.

O novo Jor-El de Russel Crowe, por sinal, leva a versão de Marlon Brando para a estratosfera, dando ao Superman um “Superpai” capaz de bater de frente com tudo e todos para salvar a sua cria, inclusive dando uma camaçada de pau no General Zod, mesmo levando a pior no final.

Já a nova abordagem dos pais terráqueos de Kent foi outra área polêmica do filme, principalmente o Jonathan de Kevin Costner, que nessa versão é apresentado com uma personalidade mais forte e com sombras morais que o afastam do velhinho de caráter ilibado com que nos acostumamos. Enquanto no passado, ele ensinava seu filho adotivo a ser a melhor pessoa possível para que um dia ele pudesse ajudar o mundo a ser um lugar melhor, aqui ele o ensina a esconder seus poderes das pessoas, a conter e limitar seu potencial, pois em tese as pessoas não estariam preparadas para aceitar seu primeiro contato com um alienígena, alguém tão diferente deles e capaz de tão mais, ao mesmo tempo que conscientiza Clark que ele crescerá para ser algo que mudará o mundo, para o bem ou para o mal, mas é curioso que em nenhum momento ele força essa tendência para o bem. A escolha é toda de Clark. Isso torna esse novo Superman um personagem mais questionável, sujeito a erros, atormentado por suas próprias dúvidas. Um sujeito mais tenso, por assim dizer.

Jonathan Kent, Guarda-Costas.
Jonathan Kent, Guarda-Costas.

Em teoria essa é uma boa idéia e ajuda na humanização desses personagens, mas Snyder pesa a mão na execução de alguns trechos chaves. Exemplo mais gritante está na cena da morte de Jonathan. Esse acontecimento sempre foi explorado de maneira muito tocante nos quadrinhos, mais recentemente na mini-série “All-Star Superman” de Grant Morrison e na fase de “Action Comics” escrita por Geoff Johns. Em ambas as versões, assim como no filme Superman de 1978, a morte de seu pai adotivo ocorre por conta de um ataque cardíaco fulminante. Simples e emotivo, é aqui que o “Super” aprende que há coisas que simplesmente estão fora do seu controle, que por mais onipotente que ele seja há situacões com as quais ele simplesmente não tem como lutar contra. Nessa nova versão Snyder opta pelo espetáculo e Jonathan é levado (gratuitamente) por um furacão que assola o Kansas, quando tentava salvar o cachorro da família. Clark está a alguns passos do pai, mas é impedido pelo mesmo de salvá-lo para que o seu segredo não seja exposto em frente a todas pessoas que o rodeavam. A cena é piegas e no fim das contas o único sentimento que aflora é o de raiva da covardia de Clark e a falta de agilidade de Jonathan.

Ma Kent!

Se o personagem de Costner não emociona tanto quanto no primeiro trailer divulgado do filme (“You’re my son”), o mesmo não pode ser dito de Diane Lane, que rouba o show como Martha Kent numa cena simples e que deveria ter ganho mais tempo na edição, quando o pequeno Clark Kent descobre de maneira traumática seu poder de visão de raio-x, muito bem representado em imagens por sinal, e entra numa crise nervosa que o faz se esconder no armário da escola. Martha abre caminho em meio aos alunos que se aglomeravam em volta do armário e começa uma conversa com seu filho que nos leva a crer por alguns momentos que aquele pode ser um filme realmente marcante do heróis. Não é, e é lamentável que Diane seja relegado a um papel de apoio mínimo no restante do filme.

O problema de mau uso de grandes estrelas não ocorre na escalação de Lois Lane, maior acerto dentre todas as releituras desse filme, ainda que imperfeita, foi a concepção da eterna parceira do Azulão e principalmente a alteração drástica na dinâmica da relação de ambos que começa respondendo à eterna pergunta de como uma repórter tão safa, poderosa e ganhadora de prêmios Pulitzer nunca percebeu a semelhança direta entre o super-herói com quem interage a nível físico e seu parceiro no jornalismo com quem mantém contato diário?

Ahhhh Amy Adams!
Ahhhh Amy Adams!

Sim, o relacionamento de ambos já começa em pratos limpos, Lois conhece Kal-El antes de ser apresentada ao Superman ou mesmo à Clark Kent. Por um lado isso poderia significar a perda de potencial de tramas, já que todas as situações cômicas e dramáticas oriundas do segredo da identidade dupla de Clark não poderiam ser reimaginadas, mas por outro lado isso também significa uma quebra de paradigma grande em relação a tudo que foi feito antes e isso é ótimo, qual o sentido de contar a mesma história sempre?

Lois é uma mulher de ação, dispara lasers, invade naves alienígenas, conversa com fantasmas e é parte efetiva, quando não motivadora da ação, é a Lois “módafucka” que eu aprendi a gostar e não a mocinha frágil e criadora de problemas das encarnações cinematográficas anteriores. A atriz dispensa comentários, é mais que gabaritada, linda, mas longe da perfeição padrão de uma protagonista de blockbusters, foge da caricatura de Margot Kidder em sua atuação e ainda consegue imprimir uma sensualidade mais latente que a de Teri Hatcher do finado seriado Lois&Clark da década de noventa, porém me revolta saber que teremos Batman na continuação de O Homem de Aço, pois isso significa menos tempo de tela para Amy.

A evolução do romance de Lois e Superman, no entanto, é um dos pontos baixos do filme. Simplesmente não há tempo ou situações boas o suficiente para construir um romance crível e identificável, o amor dos dois é súbito e gratuito, sem tempo de tela o suficiente para consolidar os laços que tentam nos fazer crer existir no terço final da película.

Abrindo um parêntese, é curioso perceber a quebra de paradigma nos filmes de super-heróis de hoje, uma vez que no passado os mesmos já foram responsáveis por implodir e amaldiçoar carreiras, hoje são encarados como o porto seguro de Hollywood, aquele investimento que todo ator deve fazer se quiser se destacar como a nova estrela mundial. Só assim para ver estrelas como Laurence Fishburne interpretando um apagado Perry White ou o Christopher Meloni pagando de Coronel Hardy, personagens-adereços que estão ali mais para caracterizar do que para adicionar conteúdo ou densidade à história. Destino pior é o do melhor amigo do Superman, Jimmy Olsen, que aqui vira Jane Olsen, uma aspirante a estagiária do Planeta Diário que só serve para gritar, presa nos escombros de Metrópolis.

PeryAndJAneMichael Shannon é um, que ganhou notoriedade em séries de TV fechada, fez alguns filmes de menor impacto mas agora eclode com o seu General Zod, que desde o começo prometia roubar a cena em “Man of Steel”, e o fez de fato. Shannon já possui experiência de anos em encarnar um personagem com o perfil de um sociopata desequilibrado e de valores dúbios pois o vem fazendo magistralmente na série original da HBO, “Boardwalk Empire”, encarnando o Agente Nelson Van Alden, um religioso puritano fundamentalista que na tentativa de derrubar o rei do álcool Nucky Thompson, acaba sucumbindo à corrupção e torna-se ele mesmo um fugitivo da polícia. Paralelos não faltam com essa versão de Zod, um general militar de Krypton desenhado geneticamente para ser o defensor absoluto de seu povo. Zod não muda de idéia, não liga para os danos colaterais desde que ele julgue estar fazendo aquilo à que foi designado, mas acaba se deixando corromper pela própria definição estrita de seu propósito de vida, então, fundamentalista. O personagem é assustador, mas íntegro, pelo menos a partir de seu ponto de vista e traz um antagonismo de peso e ao mesmo tempo dá conta das reclamações dos fãs que odiaram “…Returns” de Brian Singer por não haver um oponente que pudesse fazer frente ao Superman fisicamente, e aqui ele acaba sendo o responsável pelas infinitas cenas de ação do filme, inclusive a “foderosa” batalha final do filme.

Zod A batalha do ato final do filme, aliás, traz os melhores momentos de Henry Cavill na pele do azulão, pois é um dos únicos momentos do filme em que o ator consegue abandonar sua atuação contida e insípida e explode em raiva contra o poderoso Zod, o primeiro valentão contra o qual ele não precisa se resguardar. Cavill não chega a comprometer o filme em sua interpretação do super-herói primordial, mas está longe de prover uma atuação memorável, por limitações do próprio roteiro e direção, afinal, esse é um Superman intenso e que não tempo pra se divertir e se um herói voador, super poderoso e insuportavelmente bem afeiçoado não se permite divertir, por conseqüência não permitirá ao espectador o mesmo privilégio.

E além de intenso esse Superman é tenso. Sim. E ele mata, numa cena que causou revolta em dez de cada dez nerds gordos espinhentos e cuequinhas vermelhas desse mundo. Particularmente achei esse desfecho desnecessário, mais um grito desesperado de Snyder para marcar o seu filme como o Superman mais diferenciado de todos. O questionamento mais interessante em relação a esse celeuma veio do escocês careca e escritor favorito desse gordo, Grant Morrison, que reproduzo em adaptação livre no excerto abaixo:

“… há uma certa demanda por isso, mas eu continuo me questionando o por quê das pessoas insistirem que esse é o tipo de atitude que todos nos teríamos se estivéssemos no lugar de Superman e tivesse que tomar essa dura decisão de matar Zod. Nos realmente faríamos isso? Muitos poucos dentre nós chegaram a matar alguma coias alguma vez em suas vidas. O que é essa bizarra sede de sangue derramado?”

Tenso

O Homem de Aço não fez feio nas bilheterias, faturando mais de 663 milhões de dólares ao redor do mundo pode ser que esse seja, sim, o Superman de uma nova geração que ainda não foi encantada por alguma versão do personagem no passado.

O filme é bom o suficiente para iniciar uma franquia dos heróis DC nas telonas? Sim, é. Comparando com seus oponentes Marvel, “Man of Steel” é um filme muito superior a “Capitão América: O primeiro Vingador”, só”não chega a entreter tanto quanto o “Homem de Ferro” de Downey Jr. por exemplo.

Mas não se espera que um filme do Superman seja apenas bom, ele deveria ser inesquecível, marcante e representativo. Tudo que o personagem é, de fato. E ele falha  nesse quesito. Resta ver como Zack Snyder dará seqüência a esse universo, agora compartilhado com o Batman de Ben Affleck e sem a tutela de Christopher Nolan.

E você? Agora que a poeira já baixou e você pôde digerir o filme, qual sua opinião final sobre esse novo Superman?

Super-abraco melado do Gordo!

Notas-20

Ficha Técnica

Elenco: Henry Cavill, Amy Adams, Michael Shannon, Kevin Costner, Diane Lane, Russell Crowe, Laurence Fishburne, Antje Traue, Ayelet Zurer, Christopher Meloni, Michael Kelly, Harry Lennix, Richard Schiff, Dylan Sprayberry, Cooper Timberline

Direção: Zack Snyder

Roteiristas: David S. Goyer, baseado na história original de David S. Goyer e Christopher Nolan.

Produtores: Charles Roven, Christopher Nolan, Emma Thomas, Deborah Snyder

Produtores Executivos: Thomas Tull, Lloyd Phillips, Jon Peters

Diretor de Fotografia: Amir Mokri

Compositor: Hans Zimmer

Supervisor de efeitos visuais: John “DJ” Desjardin

Tempo de tela: 143 minutes

  • Bom vamos lá: Primeiro eu cito esse trecho do Goyer: " Não é o filme do Superman que queríamos, as o que precisávamos." Eu realmente curtir SUPERMAN- O RETORNO, teve seus furos ( superman com filho nada haver e Lex Luthor cômico cara? Fala sério, mas aquela cena do resgate do avião não sai da minha cabeça até hoje, que cena, eu repito: Que cena!! Faltou isso em O HOMEM DE AÇO.) Esse Superman da nova geração naõ em agradou muto também, eu queria sentir a emoção que senti ao ler GRANDES ASTROS SUPERMAN do Morrison, tranquilo, cenas de ação, mas faltou desenvolvimento dos personagens. O filme começa bem, até ele vesti o uniforme e a história acabar e virar só porrada, ai que me decepcionei. MAs eu pensei: " Pow,a i não é o Superman ainda, ele está em formação e não se conhece muito bem, vou esperar O HOMEM DE AÇO 2 e decido de vale ou não a pena esse novo Azulão. Ai soube que vão colocar o BATMAN no filme e pensei:" Fudeu, a DC vive do BATMAN e vai fuder outro personagem deles pra elevar o STATUS de fodão do Morceguito deles, estou cada vez mais sem esperanças, até ASA NTURNA vai pro filme., deveriam colocar logo o título A BATFAMÍLIA!! Resumindo eu achei o filme médio e daria um 7,0 e ainda estou sendo generoso!

  • Ribeiro

    Ilustres, O HOMEM DE AÇO, trouxe de volta o esquecido SUPER-MEN, pensei que nunca mais voltava a ver o SUPER-MEN no top, mas esse filme mostrou inovação em quase tudo. O que mais me agradou foram os efeitos especiais, cara ta DEMAIS, até parece o desenho animado DRAGON BALL. Acho que podiam convidar este produtor de SUPER-MEN para ajudar a corigir o filme de DRAGON BALL, que ta muito sem graça.
    Bom resumindo ta BOM DEMAIS…