Steam Diaries – State of Decay

GTA encontra The Walking Dead

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E não é que ficou foda bagarai?

Recentemente fiz um pseudo-review de um MMO chamado Infestation (anteriormente War Z) que prometia muito, mas pouco cumpria. Um jogo modorrento (palavra que aprendi com o gordo) e chato, com um mapa enorme e pouco pra se fazer.  Alie isso à servidores infestados de jogadores cheaters, você tem aí um MMO de sobrevivência sofrível, injogável e intragável. A idéia era muito boa, mas o tiro saiu pela culatra.

Ainda órfão de um jogo mundo aberto de apocalipse zumbi (Infestation havia prometido tanto, porém cumprido tão pouco), não foi à toa que comprei State of Decay na primeira oportunidade no Steam, por pouco mais de 30 Dilmas. O jogo, que prometia ser o GTA dos mortos-vivos, parecia ser a minha chance de redenção. Será?

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E não é que foi? O jogo realmente é muito bom, e por incrível que pareça não se limita a ‘apenas ‘ ser um GTA dos mortos vivos. Ele é sim, uma miscelânea de gêneros, que vai desde o ‘sandbox’, passando por estratégia e alguns elementos de RPG, até um sistema de relacionamentos como o visto em ‘The Walking Dead’,  da Telltale studios. O desapego total aos gêneros e rótulos é um grande trunfo do game: ele cria aqui um estilo único e ímpar, que realmente passa o sentimento (e o desespero!) de estar vivendo em um apocalipse zumbi.

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Você começa a história com dois personagens: Marcus Campbell e Ed Jones, jovens que retornam de uma viagem de pesca só para descobrir que a região foi assolada por zumbis. Logo eles se juntam à Maya Torres, uma outra sobrevivente e ex-militar. Mas não se engane: em State of Decay não existem protagonistas. Assim que você chega ao primeiro abrigo, você precisa trocar de personagens e até poupar alguns na busca pela sobrevivência e por mais recursos.

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A parte ‘estratégia’ do game baseia-se em construir e aprimorar abrigos, para que se tornem mais seguros (barricadas contra zumbis), habitáveis (dormitórios) e úteis (workshops, enfermarias). Também é preciso manter o abrigo abastecido de armas, suprimentos, remédios e mais sobreviventes. E é para isso que é preciso fazer o trabalho sujo.

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A coleta de recursos e as missões principais são o cerne do jogo (é sua parte GTA). Mas não pense que será uma tarefa fácil: a cidade é repleta de zumbis, os recursos escassos (e não, NÃO dão ‘respawn’) e os veículos, além de limitados, sofrem danos acumulativos e também não se renovam (ou seja, se você exprudiu aquela ‘charanga’, um abraço). Ah, já falei que revirar as casas por recursos faz um barulhão (e chama a atenção dos zumbas?).

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Uso excessivo de armas de fogo também é uma péssima idéia. Quem acha que pode encarar o game na base da porrada e tiros, está extremamente enganado. Os zumbis te cercam muito rápido, e aí é um abraço pro gaiteiro. Armas brancas são uma boa – e silenciosa – opção. Porém elas quebram muito fácil. Como um último recurso, você pode apelar pro galeto, piá! Isso mesmo, correr é sempre uma boa opção, como vimos naquele filme Zumbilândia.

Aliás, o game bebe muito da fonte de Zumbilândia, seja nos status que você pode evoluir dos seus personagens (Cardio, Leadership, Fighting, Shooting), nos achievements (‘Gotta enjoy the little things’) e até mesmo nas ‘portadas’ que você pode dar com o carro nos zumbas.

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Graficamente, para um jogo lançado para XBLA e Steam, o game é um capricho só. Parece até um jogo ‘de caixinha’, muito superior à média dos games independentes lançados paras essas plataformas.  Também pudera, o jogo é apadrinhado e publicado pela Microsoft Game Studios. Isso mesmo, Sonystas: o video-game de vocês nunca verá a cor desta pérola, tomem vergonha na cara e comprem um PC (Steam >>>>>>>>>> all).

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A trilha sonora é tensa e serena na medida certa, dando o tom certo entre os momentos de luta e os (raros) momentos de calmaria. Por muitas vezes você se sente imerso no apocalipse zumbi como se estive em um filme / seriado, e não em um jogo.

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 Como alguns (poucos) defeitos, poderia citar a jogabilidade meio desengonçada às vezes, e o fato do Steam ter apenas suporte ao controle do X360 (sim, se você quiser jogar com o teclado, SE FODEU), bem como alguns (MUITOS) bugs. Mas boa parte desses problemas pode ser explicado pelo jogo ainda estar em ‘Early Access’ (uma espécie de Open Beta pago que você joga o game antecipadamente e pode ajudar os desenvolvedores em seu refino até a data de lançamento). Joguei a versão da Steam, não sei se a da XBLA que já teve seu lançamento oficial corrigiu estes problemas.

Outro ponto negativo é a ausência de um modo online, e os produtores já informaram que não veremos um modo co-op tão cedo. Pena.

 Enfim, uma compra sólida e definitivamente um dos melhores games de zumbi da história (se não O MELHOR – e sim, incluo The Walking Dead aqui), State of Decay é uma grande promessa, um game desafiador e extremamente viciante, até para quem não é fã dos mortos-vivos, e a prova que as desenvolvedoras independentes também conseguem fazer jogo de ‘gente grande’. Recomendadíssimo!

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