Paul McCartney e os Gafanhotos – Review

PaulInGoiania

 Paul McCartney e os Gafanhotos

Sim, atrasado como sempre, marca registrada desse blog tocado por uma gang de gordos operários e assalariados, é com grande orgulho que o Gordo traz à vocês um review, na realidade um post-tributo que ficou maior do que deveria, desse, que é com certeza o maior artista vivo do mundo da música em plena atividade, Sir James Paul McCartney.

Sei que os “heavy-metinhos” de plantão do site vão gralhar, dizendo que Beatles é superestimado e blá blá blá, mas a verdade é que não fosse a existência de “Helter Skelters” seus preciosos álbuns de metal talvez não existissem, ao menos não como os conhecemos nos dias de hoje.

Sim, Paul McCartney foi um dos pioneiros do rock, experimentou Heavy Metal antes mesmo do gênero existir, é baixista e o compositor de maior sucesso musical de todos os tempos (29 de suas músicas estiveram no topo das paradas norte-americanas), tendo inclusive se aventurado a compor peças de música clássica e eletrônica, produziu filmes e documentários, trilhas sonoras, escreveu livros, lançou desenhos animados, defende animais em extinção e luta contra as minas terrestres no mundo que vitimam milhares de crianças anualmente, é membro do Império Britânico, um dos empresários mais ricos do Reino Unido e por isso e muito mais posso considerá-lo sim o cabra da peste mais fodástico do cenário musical contemporâneo.

PAUL SE LIVRANDO DOS GAFANHOTOS

O Show de Goiânia

Dentre os meus possíveis destinos de viagem, Goiânia nunca fez parte do Top 10 das grandes cidades que eu gostaria de conhecer. Quem diria que eu iria viver alguns dos melhores momentos de minha breve biografia nesses dois dias de excelente música, gastronomia e … o calorzinho mais agradável de todos os tempos, tudo no ponto para uma sucessão de experiências inigualáveis.

O show de 6 de Maio de 2013 foi o segundo dos três espetáculos que constituíram a parte brasileira da turnê “Out There” de McCartney, que passou também por Belo Horizonte no dia 3, finalizou em Fortaleza no dia 9 e foi possivelmente um dos shows mais emocionantes e peculiares do grande músico, que embalou um público de mais de quarenta mil pessoas por aproximadamente 3 horas de gogó ao vivo no auge de sua performance vocal, sem um mísero gole d’água, algo que me deixou angustiado em dado momento da noite.

Pra completar a noite fomos presenteados por uma invasão de gafanhotos graúdos com poder para destruir a festa, mas que graças ao jogo de cintura do músico se transformaram em parte integrante e até emotiva da apresentação. Como diria meu amigo Breno, João Gilberto, que com um ar condicionado mal regulado ou um buxixo mais alto na platéia já dá piti e para o show, podia aprender algumas lições de humildade com quem é maior que ele.

GAFANHOTOS

“A”Setlist

Fui presenteado nessa noite com uma seleção que contemplou quase todas as minhas canções favoritas de todas as fases de Paul, desde os Beatles, passando pelo Wings e seus discos solo, ficando uma ou outra pérola de fora como “She’s leaving home” porém mais que compensadas por versões inspiradíssimas de mais de trinta canções.

O Gordo aqui, muito camarada, preparou uma playlist especial no iutiube, com todas as músicas do show, na ordem de execução e, vejam só, na ordem em que elas serão analisadas nesse post. Portanto dê um play no video abaixo e curta todas as canções enquanto aproveita o texto. #Fikadika

Antes do início efetivo do show, enfrentamos mais de meia hora de imagens de arquivos sendo projetadas nos telões duplos verticais de alta-resolução, mostrando todas as fases de Paul, conectados por pinturas surpreendentemente boas feitas pelo próprio artista durante um período de dezessete anos. Eu curti cada cena, mas depois de quinze minutos era perceptível o cansaço do público que já ecoava gritos histéricos de “começa”. Qualquer sinal de intolerância se dissipou aos primeiros acordes de…

Capas1-3

Eight days a week

Oooh I need your love, baby“… ou “babe”, a primeira frase desse clássico lançado no quarto álbum dos Beatles, “Beatles for Sale”, de 1964, levantou a multidão que gritava ensandecida como as fãs da década de 60 que sempre assistimos se descabelando em vídeos da época… ok, nem era tanto assim, mas a empolgação generalizada era visível e crescente.

Paul, elegante como um filme de Zack Snyder, trajando um blazer rosa ajustado ao corpo, com uma calça escura, mostrava que ainda mandava bem tanto na indumentária quanto na voz. Após o primeiro número, deu aquela paradinha para socializar com a multidão e mostrou que estava determinado a falar, ou ler em português, durante todo o espetáculo. Colas haviam sido espalhadas pelo palco e pelos instrumentos, o que permitiu que Paul interagisse na nossa língua pátria quase o tempo todo.

Junior’s Farm

A segunda apresentação resgatou um clássico de “Paul McCartney & Wings” escrito por Paul e Linda McCartney, sua falecida esposa, lançado em 1974 como um single gravado em Nashville, Tennessee, quando a banda estava hospedada na fazenda do compositor de “Green, Green Grass of Home”, Curly Putman Jr, que deu título à canção. É uma ode ao “vamos esquecer dos problemas, fumar um na fazenda do Junior e ficar doidão”, lógico que de maneira totalmente alegórica e discreta.

All my loving

Engatando mais um clássico dos clássicos, direto do álbum “With the Beatles” de 1963, “All my loving” foi composta por Paul e foi uma das primeiras composições que colocou McCartney no mesmo nível de John Lennon perante a crítica musical. Ela representa bem a inocência da música pop britânica do início dos anos 60 e o próprio Lennon admitiu em entrevista à Playboy em 1980, que gostaria que essa canção fosse sua. No Brasil ganhou uma versão em português, “Feche os olhos” interpretada por “Renato e seus Blue Caps” na época da Jovem Guarda, movimento musical que em sua grande maioria apenas adaptava para o português, com arranjos bregas, tudo que era criado lá fora.

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Listen to what the man said

Voltando à 1975, Paul embalou esse hit do álbum “Venus and Mars” do Wings, composta novamente por Linda e ele. Não pudemos contar, obviamente, com o sax soprano de Tom Scott, arranjador original da música e responsável, de fato, por trazer a composição à vida, mas o tecladista da vez cumpriu tabela e não prejudicou o resultado final. Essa é uma daquelas canções pegajosas, no bom sentido, que falam de amor de maneira otimista e despreocupada numa batida simples e acessível para curtir. Pop de qualidade, nada mais.

Let me roll it

Essa é parte integrante e marca registrada dos grandes shows de McCartney desde seu lançamento em 1973, no álbum “Band on the Run” de “Paul McCartney & Wings”. É um hino do rock clássico, já foi reinterpretada pelos mais diversos músicos como Mandy Moore e Fiona Apple e até mesmo fez parte do game Rock Band. A versão ao vivo foi um espetáculo a parte, com mais de um minuto de solo instrumental ao final. Procure pelos vídeos amadores do show no Youtube, é de fazer babar qualquer fã de rock.

Paperback writer

Composição conjunta Lennon-McCartney, “Paperback writer” de 1966 nasceu de uma reclamação da tia de Paul à seu sobrinho, que dizia que ele só conseguia escrever canções que versavam sobre o amor. Com isso em mente e após observar Ringo lendo um livro, “paperback”, ele resolveu escrever sobre um escritor aspirante que luta para ter seus escritos reconhecidos e valorizados.

A gravação original dessa música ficou marcada por um baixo enfático que domina toda a execução, resultado de uma experimentação com equipamentos de amplificação feitas por Paul à época. Vale notar também o backing vocal, de Lennon e George Harrison no original, onde eles cantam “Frère Jacques”. É perturbador depois que você percebe isso pela primeira vez.

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My valentine

É o que pode se chamar de ponto baixo do show, se é que houve algum nessa ocasião. “My Valentine” é uma canção do último álbum de Paul, “Kisses on the bottom”, escrita em homenagem à sua atual mulher, Nancy Shevell. Foi nessa música, onde ele abandonou a guitarra e assumiu o piano de cauda, que os gafanhotos começaram a ganhar relevância na apresentação, dominando o palco e o instrumento do cantor (nuoffa!). Dizem as más línguas (do meu pai), que era o espírito de Linda mandando a praga do Egito pra acabar com a festa da esposa atual. O que era pra ser um momento emotivo acabou virando piada para o próprio Paul, que mal conseguia segurar o riso, mas mesmo assim se manteve firme até o fim da execução, quando deu um show absurdo de espírito esportivo, encarou a bicharada de frente, brincou com eles e tocou o show sem interrupção até o fim. Heresias à parte, essa é uma das duas únicas músicas originais de Paul no álbum de 2012, ao lado de “Only our Hearts” e destoando dos demais e monótonos covers do CD.

1985

“Nineteen Hundred and Eighty-Five” foi mais uma canção original de Paul e o “The Wings” que veio do álbum mais celebrado do McCartney-pós-Beatles, “Band on the Run”. Ela enfatiza a temática do álbum que pregava a busca da liberdade artística através do amor. A versão do show, obviamente, não conta com uma orquestra completa como no álbum, mas o solo de guitarra foderástico de Brian Ray mais do que compensou, extrapolou. Vale menção aqui à esse grande músico que acompanha Paul desde 2002, manda muito.

Long and winding road

Clássico mais que emocionante dos Beatles e cover habitual em programas de auditório como American Idol (quem lembra da versão de David Archuleta?), “Long and winding road” teve sua execução muito prejudicada pelos gafanhotos, era visível o suor escorrendo aos borbotões e o nervosismo explícito de Paul, por mais que ele se concentrasse em não transparecer isso. A audição foi boa, mas ficou aquém de tantos outros momentos emotivos do show e essa música merecia, é linda demais.

Essa canção foi escrita por McCartney, mas é creditada também à John Lennon. A maior dupla criativa do mundo musical fez dessa canção, lançada no álbum “Let it be” de 1970, o vigésimo e último “número 1” dos Beatles nos EUA. Não é pra menos, a inspiração para essa composição surgiu quando Paul num momento de reflexão sobre os crescentes conflitos da banda, sentou-se ao piano e a melodia simplesmente “veio” à tona. É definitivamente parte do meu TOP 10 de músicas dele.

Muita gente não sabe, mas a mixagem original de LaWR foi um dos estopins da separação do Fab Four. O produtor americano Phil Spector fora chamado para refinar a coletânea, então chamada de “Get Back”, que posteriormente fora lançada como “Let it be”. Dentre tantas outras modificações, Spector resolveu interferir diretamente em toda a proposta musical de LaWR, que de uma música simples, com 5 instrumentos, passou a um quase standard com 18 violinos, trompetes e um coral de 14 vozes femininas, tudo com a desculpa de arrumar a o baixo preguiçosa e desestimulado de Lennon da gravação original. Essa interferência sem consulta ao criador deixou McCartney possesso, que então colocou o estúdio contra a parede e deu início ao processo que desmantelou o maior grupo musical de todos os tempos. A versão mais próxima do original pode ser conferida no álbum “Let it be: Naked” lançado em 2002.

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Maybe I´m amazed

Um dos primeiros grandes lançamentos de seu álbum de estréia, “McCartney” de 1970 e mais uma de minhas preferidas, “Maybe I’m amazed” foi composta concomitantemente com a ruptura dos Beatles, período ao qual McCartney afirma que não teria conseguido suplantar sem o apoio e dedicação total de Linda, à quem essa canção acabou sendo dedicada.

Nas palavras do próprio criador, essa é a música pela qual ele gostaria de ser lembrado no futuro, pena que na apresentação ao vivo ele não deu conta das notas mais altas, e elas são realmente altas, mas o baterista-vocalista-instrumentista ajudou a encorpar o refrão com categoria e manteve a força da canção.

 Hope of deliverance

Das mais, digamos, recentes, “Hope of deliverance” vem do álbum “Off the Ground” de 1993, essa é daquelas músicas que mesmo se você não conhece a carreira do mestre, mas escuta a canção por acidente, é imediatamente reconhecível pois dominou as rádios brasileiras na década de noventa, apesar de não ter sido um estrondoso sucesso mundial. O quinteto de cordas, contando o próprio Paul dominou essa apresentação.

We can work it out

Voltando aos Beatles de 1963 em mais uma composição da dupla L&M (ao pior estilo tipográfico de duplas sertanejas) e uma das raras colaborações integrais dos dois após escreverem em conjunto os hits daquele ano. “We can work it out” foi lançada em um então inédito single com dois lados “A”s juntamente com “Daytripper”. Antigamente os discos, ou bolachas, tinham lado A e B. Pergunte ao seu pai, ele te explica.

Paul escreveu a letra e a melodia e deu para Lennon finalizar e trabalhar no refrão, que acabou musicado quase como uma valsa e interrompendo a batida principal, uma sacada de gênio que surgiu de improviso no meio da sessão de gravação e marcou a canção nos versos “Life is very short, there’s no time for fussing and fighting, my friend”.

É curioso como a letra dessa música denota bem o contraste entre o otimismo sempre presente de McCartney na primeira metade, dizendo que tudo pode se dar um jeito e o realismo quase melancólico de Lennon lembrando que a vida é curta e não devemos perder tempo brigando ou discutindo por mixaria. A execução no show respeitou a versão clássica presente na coletânea “The Red Album/1962 – 1966”, incluindo uma espécie de sanfona marcando os acordes o tempo todo.

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Another day

Raramente tocada em seus shows, segunda vez de acordo com o próprio cantor, tivemos o prazer de ouvir Paul entoando ao vivo o seu primeiro single pós-Beatles de 1970. Foi no trabalho de composição dessa canção que McCartney enfatizou a sua busca por um som marcante, porém diferenciado do seu trabalho com os Beatles, trazendo pra junto de si a sua companheira e colaboradora à época, Linda, desde sempre execrada pela crítica, considerada uma compositora sem pedigree, de fato, tudo que aprendeu foi devido à insistência e dedicação de McCartney em tê-la como inspiração e parceira de trabalho ao mesmo tempo. Paul a defendia em todas as oportunidades, sempre afirmando que as contribuições de Linda nas composições eram essenciais e verdadeiras. Na gravação original, inclusive, há uma seqüência de harmonias que originalmente foi gravada na voz dela e que Paul se referia à ela como o “nosso som”.

And I love her

Quem não lembra de Zezé di Camargo e Luciano cantando a versão de Roberto Carlos dessa música em português, “Eu te amo”, trilha sonora do romance de Vera Fisher e Alexandre Frota na novela Perigosas Peruas em idos de 1992?

Ok, provavelmente só esse Gordo ranheta que não consegue guardar a senha do banco, mas cuja memória tem espaço pra esse tipo de conhecimento acultural degradante, porém era preciso esse exemplo drástico pra entender a ojeriza que tenho dessa música e o arrepio negativo que me deu quando os primeiros acordes começaram a tocar no violão e as tiazonas desesperadas à minha voltando berrando, “Paaaaaul, te amo…” como se ele realmente fosse escutar.

Rabugentices de um gordo à parte, McC acabou me rendendo ao solo de cordas depois do segundo refrão e “embalei no badalo” dessa canção dos Beatles de 1964, direto do álbum “A Hard Day’s Night”, que é de longe a campeã de adaptações ao redor do mundo, já tendo passado pelas vozes mais diversas, de Julio Inglesias à Sarah Vaughan, passando pela nossa Rita Lee e muitos outros.

Blackbird

É nessa que o Gordo chora! Blackbird disputa o primeiro lugar entre as minhas preferidas de Paul, pau a pau com “She’s leaving home” e eu ansiava em ouví-la desde o primeiro segundo do show. A emoção foi completa e recompensada por uma execução perfeita em voz e violão.

Blackbird é simples, mas complexa como a natureza humana, composta como uma melodia objetiva, mas que causa um efeito diferenciado à cada audição, assim, dessa forma paradoxal. Oriunda de um momento de reflexão de Paul sobre a escalada dos conflitos raciais nos EUA em 1968, Paul deixou explícito em diversas entrevistas que o significado da letra era muito mais simbólico do que um pássaro negro com as asas quebradas que espera por seu momento de ascensão aos céus e tratava sim do povo negro do sul que encarava os graves problemas de segregação e racismo da época.

Parte integrante to álbum “The Beatles”, mais conhecido como “The White Album” e lançada em 1968, “Blackbird” é cem por cento Paul, apesar de ser creditada à dupla L&M. Isso aconteceu aliás, com várias das canções que são consideradas parte do legado dos dois, mas que na realidade é obra de McCartney apenas. Nessa execução o show tomou ares de espetáculo circense, com o palco criando vida e Paul sendo elevado por um cubo de telões gigantescos completos por uma iluminação azul que dominou o estádio e trouxe uma carga dramática à apresentação deixando a multidão em transe.

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Here today

Pra completar a emoção à flor da pele causada por Blackbird, Paul engatou na seqüência uma homenagem à John Lennon com “Here today”, linda canção do álbum “Tug of War”de 1982, composta como um tributo direto à amizade dos dois, visto que Lennon havia sido assassinado apenas dois anos antes. O palco e a plataforma que elevavam Paul se transformaram em cachoeiras gigantes causando um efeito quase transcendental na apresentação.

Your mother should know

Canção do álbum “Magic Mistery Tour”de 1967 essa é mais uma das canções que McCartney cantou pela primeira vez nessa turnê e trouxe um pouco de psicodelia e breguice setentista pro palco, não entenda mal, isso foi muito bom. Tocando um piano ultra-mega colorido e projetando imagens de diversas mães super poderosas ao fundo, a apresentação trouxe de volta um pouco dos Beatles anárquicos do final dos anos 60.

Lady Madonna

Anexada à “Your mother should know”, Paul resgata “Lady Madonna”, uma canção gravada e lançada em 1968, quando os Beatles ainda estavam em sua viagem lisérgica pela Índia. A letra fala basicamente da rotina de uma mãe, aparentemente solteira e os problemas que se desdobram em sua rotina alucinante e estressante cuidando de um batalhão de filhos.

Os dias da semana são citados ao decorrer da música, com excessão de sábado, mas não há nenhum significado especial nisso, o próprio McCartney reconheceu anos depois do lançamento que eles deixaram passar acidentalmente esse dia no processo de composição, mas que ele achava que a Lady Madonna teria aproveitado e mandado ver durante toda aquela noite de sábado.

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All together now

Momento “Tele-Tubbies” do espetáculo, “All together now” é uma daquelas canções que servem pra botar os bicho-grilos pra rodar em volta da fogueira de mãos dadas, depois de um fumê desenfreado. Poderia também ser traduzida e transformada numa música pra o próximo álbum da série “Xuxa só para baixinhos”, mas fato é que a música embalou geral e transformou o Serra Dourada numa grande festa. Não foi meu momento preferido da noite, mas passou legal.

A intenção de McCartney, que compôs a música para o “Magical Mystery Tour”, mas acabou lançando-a somente como parte integrante da trilha sonora de “Yellow Submarine” em 1967, era de que a canção remetesse exatamente àquelas canções infantis para serem cantadas em grupo, e o refrão “All together now” faz referência àqueles momentos de qualquer show em que os artistas tentam engajar a audiência, e como já mencionei, é o que de fato acontece.

Mrs Vanderbilt

Mais uma direto do álbum “Band on the Run”, “Mrs Vanderbilt” foi lançada em 1974 e é conhecida pelo trecho em que entoa “Ho, hey ho”, momentos nos quais a geral no Serra Dourada era iluminada e chamada a cantar em uníssono. Curiosamente esse mesmo refrão monossilábico é reutilizado ao final da música “Picasso’s Last Words (Drink to Me)“, do mesmo album, mas numa cadência mais lenta. Não é das canções mais famosas de Paul, sua letra é quase um “Hakuna Matata” setentista que nos convida à uma vida junto à natureza, sem preocupações, sem pressa.

Eleanor Rigby

Ah, look at all the lonely people”…

Quem nunca se arrepiou com a melancolia carregada pelos violinos certeiros que complementam os versos poderosos de “Eleanor Rigby”? Mais uma do meu top 10 pessoal e um dos pontos altos do show, a multidão chorava e berrava os versos do refrão com uma empolgação incomparável.

Lançada em 1966 no álbum Revolver, um dos mais aclamados pela crítica, a canção escrita por McCartney falava sobre as questões incômodas da velhice e a solidão de uma maneira fatalista que não condizia com o que se esperava de grupos de rock da época e foi de fato que ajudou a enfatizar os Beatles como um grupo muito além do pop-rock que surgia.

O álbum “Revolver” foi um marco nesse sentido. Eleanor Rigby, pra quem não sabe, é o nome da mulher solitária que protagoniza a música ao lado do Padre McKenzie, que se chamaria McCartney na versão original. Eleanor veio da atriz Eleanor Bron, que estrelou o filme “HELP” ao lado dos Beatles e Rigby veio de uma loja em Bristol. Há um fato bizarro de uma lápide no cemitério de Liverpool que contem o nome “Eleanor Rigby”encrustado nela e curiosamente a pessoa que ali jaz, viveu uma vida tão solitária quando a da protagonista dessa fodástica canção.

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Being for the benefit of Mr. Kite

Esta música é um exemplo oposto de colaboração da dupla, uma vez que fora totalmente composta por John Lennon, mas é creditada à dupla  e tivemos o prazer de ouvir a segunda execução ao vivo da obra.

A inspiração para essa canção, a mais complexa do álbum “Sgt. Pepper’s Lonely Hearts Club Band” lançado em 1967, veio de um pôster de um circo do século 19 comprado por Lennon em um antiquário. Todos os elementos destacados no cartaz foram contemplados na letra da canção e o arranjo remete à músicas de parques de diversão e circo e foi uma das músicas que mais tempo “cozinhou” em estúdio dado à quantidade de instrumentos e efeitos de órgãos e harmônicas que Lennon mesclou ao arranjo. Curiosamente essa canção foi banida da BBC por conta do cavalo, “Henry, the Horse”, que utilizava duas palavras sinônimas de heroína numa mesma frase. Lennon negou esse intuito até a morte.

Something

Preciosidade composta por George Harrison, lançada em 1969 no álbum “Abbey Road”, “Something” foi interpretada ao vivo por McCartney em Goiânia na famosa versão do ukulelê, que transformou o estádio inteiro em um luau gigante antes da entrada peculiar da guitarra que emocionou os fãs de Harrison.

Something” foi tão popular na história dos Beatles, que Lennon e McCartney a elegeram como a melhor música que os Beatles tinham a oferecer e um sem número de grandes intérpretes cantaram suas versões de “.. I don’t want to leave her now…” como Elvis, Sinatra, Ray Charles, James Brown, Tina Turner, Eric Clapton e muitos outros, tornando essa a segunda canção mais “coverizada” dos Beatles, perdendo apenas para “Yesterday”.

Por muito tempo se perpetuou uma lenda de que a inspiração de Harrison para essa música vinha de sua esposa à época, Pattie Boyd, que inclusive chegou a confirmar isso em sua biografia, mas Harrison a desmentiu em 1996 em uma entrevista, ao revelar que no momento da composição, ele pensava mesmo era em Ray Charles.

Obla di obla da

Mais uma dos Beatles, lançada em 1968 no álbum branco, “The Beatles”, “ob-la-di, ob-la-da, life goes on, bra”, algo como “a vida segue brow”, derivou da influência que o reggae começou a desempenhar na Grã-Bretanha em idos de 60-70. A própria expressão-título veio de uma frase de um amigo “regueiro” de Paul, o tocador de conga Jimmy Scott-Emuakpor.

Acho que nunca escrevi uma sentença única com tantas aspas na vida quanto essa última.

Enfim…voltando ao assunto, um fato impagável da primeira demo dessa canção ocorreu em 1968, na casa de George Harrison, quando após dias de incansáveis experimentações de Paul com a música, mesclando trilhas, duplicando vozes, adicionando instrumentos, John Lennon, totalmente atordoado de maconha e irritado com a masturbação criativa de Paul, entrou na sala, sentou-se ao piano e tocou a introdução da música num tempo muito mais rápido e batendo com força nas teclas do piano. Essa é a versão que acabou sendo gravada e distribuída.

Capas25-27

Band on the run

Canção título e sucesso mór do álbum homônimo, “Band on the run” é praticamente um tríptico musical, com seções que apesar de não apresentarem uma continuidade narrativa direta, são tematicamente interligadas, explorando a velha história das bandas famosas que comprometem sua liberdade artística com as armadilhas e negociações perniciosas do show-business, o seu desejo de se livrar disso tudo e o sabor do sucesso quando tal liberdade é retomada.

Paul tocou na íntegra os 5:09 minutos da canção nos shows que fez no Brasil, e não a versão de 3:50 que suprimia pedaços da segunda e terceira partes da música e que fora editada para ser tocada nas rádios à época de seu lançamento.

Hi hi hi

Longe de ser um dos maiores sucessos da carreira de Paul, “Hi hi hi”, lançada em 1972 foi escrita por Paul e Linda, não chegou ao topo das paradas e ainda foi afetada por um boicote da BBC de Londres, que censurou a música devido à frase “We’re gonna get hi hi hi” que faria apologia às drogas e aos trechos de conotação sexual “ofensivos”como “gonna do ya sweet banana” e principalmente “get you ready for my body gun”, que na realidade fora composta como “Get you ready for my polygon”, de qualquer maneira risível se comparado à qualquer letra de funk de hoje em dia.

Back in the USSR

Música de abertura do “White Album”, “Back in the USSR” foi executa sem o indefectível som de turbina de avião na entrada da execução, mas trouxe agito e imagens prosaicas da antiga União Soviética projetadas a partir do mega palco do show.

A letra conta a história de um cantor que retorna à atual Rússia e exalta o quanto a vida lá é boa para ele, o quanto as garotas soviéticas são calorosas e receptivas e o saudosismo de peculiaridades de seu país, como o som das “balalaikas”, as quais ele sente saudades. A idéia original de Paul era falar de lugares como a Ucrânia, como se estivesse se referindo à California.

É curioso saber que McCartney compôs essa canção quando os Beatles se encontravam na Índia, estudando meditação transcendental, algo que em nível algum casa com a proposta de “Back in the USSR”.

O calendário das gravações do “Álbum Branco”, para tentar amenizar o clima de tensão entre os quatro gigantes, fora organizado de tal forma que todos eles puderam tocar seus projetos paralelos. Mesmo assim, Ringo acabou dando um piti e pulando fora dos trabalhos e a bateria da gravação original fora tocada pelo próprio Paul.

Na década de 60 os Beatles foram considerados pelo governo Russo como má influência derivada da cultura ocidental, e em 1980 McCartney fora proibido de se apresentar em Moscou, realizando essa façanha somente em 2003, já com 60 anos e trazendo o estádio abaixo em euforia com a execução dessa música.

Capas28-30

Let it be

Momento espiritual, que quase elevou o estádio aos céus, “Let it Be” é possivelmente uma das canções dos rapazes de Liverpool mais exploradas por outros artistas e um raro caso de melodia que fica bem em qualquer versão, mais intimista só no pianinho, mais gospel-show, voz e violão, não adianta, ela é imbatível dada a qualidade da composição de letra enxuta que atravessa as décadas cada vez mais forte.

Vigésimo lugar na lista da Rolling Stone de melhores músicas de todos os tempos, ganhadora do Oscar e Grammy Awards pelo documentário de mesmo nome lançado em 1971, o que não falta é badalação e respeito por essa composição de McCartney.

Lançada em 1970, como parte do álbum homônimo, “Let it be” foi o último single dos Beatles com McCartney ainda membro integrante do grupo. A inspiração para a música surgiu durante a tensa época de gravação do “White Album”, quando Paul sonhara com sua mãe, que lhe trazia conforto com as palavras “it will be all right, just let it be”. John Lennon, em entrevistas, chegara a afirmar que Paul escrevera essa obra de tanta vontade que ele tinha de ter a sua própria “Bridge over Troubled Waters”, música de “Simon & Garfunkel, mas ele se enganara. “Bridge…”, apesar de ter sido lançada pouco antes de “Let…”, fora composta seis meses depois que a segunda foi gravada.

A execução em Goiânia foi mágica, a introdução surgiu com os famosos acordes no pianinho, encaixado por um órgão de igreja sintético, seguido por imagens de luz de vela projetadas, que logo deram lugar à milhares de celulares ligados por todo o estádio, transformando o show numa vigília monumental.

Live and let die

Trilha sonora do filme “Com 007 Viva e Deixe Morrer” de 1973, o primeiro com Roger Moore no papel principal e composto por Paul e Linda, “Live and Let Die” literalmente incendiou o palco e trouxe o público para o chão depois de flutuar com “Let it Be”, num espetáculo pirotécnico digno dos shows do Kiss.

Era só o começo espetacular e espetaculoso dos números de encerramento. Também readaptada por muitas bandas, foi com Guns N’Roses que ela voltou ao centro das atenções e tornou-se altamente popular à geração noventista, sendo inclusive nomeada ao Grammy, feito que a versão do próprio McCartney já havia alcançado à sua época.

nanana

Hey Jude

O que não faltou nessa noite foram momentos emblemáticos, alvoroços coletivos e uníssonos empolgados, mas “Hey Jude” trouxe à tona uma força até então escondida no público que lá estava. Com certeza ajudada pela versão brasileira de Kiko Zambianchi dos anos 80, hit da novela “Top Model”. Escrevo isso por que atentando às tiazeiras animadassas cantando ao meu redor, só se ouviam palavras em português “…sabe a vida ainda é bela…”, enquanto Paul entoava “… take a sad song, and make it better…”.

A canção original iria se chamar “Hey Jules” e fora escrita para confortar o filho de John Lennon, Julian, durante o divórcio de seus pais que haviam sido afetados pelo furacão Yoko (how cute?). Jules foi descobrir isso vinte anos depois e Lennon morreu achando que a música havia sido feita em homenagem à ele mesmo.

Tendo mais de sete minutos em sua versão original, a maior parte tomada por na na na nas, essa é a típica música para agitar um show de estádio e talvez uma das primeiras desse gênero que acabou virando padrão, pois tudo que é composição comercial hoje em dia acaba encaixando o seu próprio na na na em algum lugar.

Encerrava-se aqui a seleção “oficial” de duas horas do melhor show de todos os tempos, mas era óbvio que ao menos uma sessão de Bis com mais clássicos eternos iria rolar e Paul não decepcionou, trazendo não uma, mas duas sessões que adicionaram mais de 40 minutos ao espetáculo.

BIS #1

Capas31-33

Day tripper

Day Tripper” foi lançada em 1966 como um single, de dois lados A’s, complementado por “We can work it out”, idealizado por Lennon e composição conjunta com McCartney, que acabou sendo o vocalista principal da gravação original, contrariando a máxima dos Beatles em que o criador da canção seria sempre o vocalista principal.

A música traz de volta o tema da liberdade para curtir a vida como um hippie sem comprometimentos, alguém que abandona tudo e pega a estrada sem rumo, sem preocupações, apenas aproveitando o momento.

Posteriormente McCartney foi mais fundo e afirmou que a canção trata também sobre o uso de drogas e pessoas que não se comprometem nem mesmo à idéia do Hakuna Matata, “She is a big teaser”, aquelas que chegam, balançam o seu status quo, te levam à uma viagem sem volta e te largam depois de uma noite de selvageria. Pronto, praticamente adaptei a música para o português em uma frase.

Lovely Rita

Advinda do caldo criativo de “Sgt. Pepper’s Lonely Hearts Club Band“, escrita totalmente por Paul e originalmente lançada em 1967, “Lovely Rita” é a prova de que Paul consegue buscar inspiração em qualquer tipo de situação, nesse caso a música nada mais é do que uma resposta dele à uma guardinha de trânsito que multou seu carro estacionado do lado de fora do lendário “Abbey Road Studios”. Não deixa de ser uma forma elegante de extravasar toda a raiva contida numa daquelas situações irritantes comum a todos.

A guarda original não se chamava Rita, de fato seu nome era “Meta Davies”, mas Paul achou que ela tinha cara de Rita e assim ficou. O trabalho de gravação da música envolveu muita experimentação com guitarras remixadas, criando distorções que posteriormente inspiraram Pink Floyd na gravação de “Pow R. Toc H.”. Essa canção é mais uma das inéditas em shows do Paul, executada pela segunda vez ao vivo.

Get back

A fodástica batida lenta da abertura de “Get Back” botou o estádio em polvorosa novamente. Essa música foi lançada em 1969 como single e utilizada como o encerramento do álbum “Let it be”em 1970, o último dos Beatles antes do fim do grupo. O processo criativo de “Get Back” é marcante no sentido de que todo o seu processo de evolução, desde sua origem numa sessão de improviso até o lançamento em single foi extensivamente documentado em filmagens amadoras e não oficiais, que estão disponíveis até hoje e que inclusive serviram de base para um livro que relatou toda a saga.

BIS #2

34-36

Yesterday

Lançada em 1965 no álbum “Help!”, canção exclusiva e xodó pessoal de McCartney durante todo o processo de composição, mesmo sendo credita à dupla L&M, re-interpretada mais de 2200 vezes, sendo uma das músicas mais re-gravadas do mundo, “Yesterday” foi a primeira canção dos Beatles a ser totalmente cantada e tocada por um único membro do grupo, ainda que acompanhado por um quarteto de cordas. O resultado final ficou tão destoante do som habitual dos Beatles à época que o restante do grupo vetou o lançamento do “single” no Reino Unido.

Diz a lenda que a melodia completa surgiu para o músico durante um sonho que ele tivera quando passara uma noite na casa de sua então namorada “Jane Asher”. Assim que acordou, McCartney correu para o piano e a tocou do começo ao fim, com medo de esquecer a melodia. Daí surgiu uma obsessão do compositor pela sua cria, realizando extensivas consultas e pesquisas para garantir que sua criação não era um plágio inconsciente (descobri que esse fato se chama “cryptomnesia”, valeu Wikipedia) e utilizando de todos os recursos e tempo disponíveis para finalizar a música, o que irritou muita gente que trabalhava com o artista à época, inclusive George Harrison, que impaciente exclamou, em tradução livre – “Porra, ele tá sempre falando dessa merda dessa música, tá se achando o Bethoven”.

Yesterday” até então era carinhosamente apelidada de “Scrambled Eggs”, ovos mexidos. Lennon e McCartney seguiam um processo peculiar de composição em que a letra era improvisada das maneiras mais absurdas, apenas para que a sonoridade não fosse perdida e posteriormente eles moldariam a poesia de acordo. “Yesterday, all my trouble seemed so far away”, por exemplo, era “Scrambled Eggs, Oh my baby how i love your legs”.

Em 2000, durante a preparação para o lançamento de “The Beatles Antology”, McCartney pediu à Yoko Ono permissão para mudar os créditos da música, registrado originalmente como Lennon-McCartney, para McCartney-Lennon, mesmo a música tendo sido composta apenas por Paul. A Vaca não permitiu.

A apresentação ao vivo pareceu acalmar até os gafanhotos que ainda infestavam o palco, mas começaram a voar ao redor de Paul produzindo um efeito quase onírico em sua apresentação quase toda focada na voz e violão.

Helter Skelter

É aqui que os “Révi-metinhos”da vida devem se curvar e agradecer à McCartney por no ano de 1968, ter composto e lançado como parte do álbum “The Beatles”, aquela que é considerada pelos historiadores da música como a precursora do estilo “Heavy Metal”.

Produzida para ser a canção mais barulhenta e “suja”possível dos Beatles, “Helter Skelter” surgiu quase que num despeito de Paul ao ler uma entrevista de Pete Townshend, onde ele descrevia seu single “I can see for miles”como a música mais potente, barulhenta, suja e crua que o “The Who” já havia gravado. Determinado a superá-lo, Paul escreveu essa peça que se refere ao mesmo tempo ao brinquedo de parque homônimo, um escorregador em espiral, mas também refere-se ao movimento de queda, to topo ao poço numa queda em espiral, evocando a desordem, o caos. Foi também uma resposta de Paul aos inúmeros críticos que o acusavam de saber apenas escrever baladas.

Golden Slumbers/Carry that Weight/The End

Para encerrar da maneira mais perfeita possível, Paul finalizou com o famoso Medley de 3 músicas. “Golden Slumbers”, “Carry that Weight” e “The End” numa seqüência progressiva que encerrava o álbum de 1969, “Abbey Road”. “Carry that weight” é uma das poucas gravações que contam com os vocais dos quatro Beatles e é um melancólico atestado de reconhecimento dos quatro músicos de que eles jamais conseguiriam alcançar individualmente tudo o que eles conseguiram realizar como um conjunto, teriam que portanto “carregar o peso”dessa constatação. “The End” tem um nome que lhe serve com perfeição, afinal foi a última música gravada pelos 4 de Liverpool antes da separação.

PAUL E A MULTIDAO

Nunca houve um grupo que pudesse superar a importância que os Beatles tiveram para o Rock e todas as suas vertentes e ter a honra de assistir uma apresentação tão impecável e levada do começo ao fim com a intensidade surpreendente de um jovem de 20 anos num corpo de 70 por um dos últimos remanescentes do quarteto e talvez o seu mais talentoso representante, fez desse o show mais marcante desses meus 30 anos de paixão às artes e espero ter trazido a você que acompanhou esse extenso texto até aqui um pouco da emoção que me atingiu durante os mais de 180 minutos em que flutuei no Estádio Serra Dourada e quiçá um pouco a mais de informação sobre esse, que é realmente O Cara.

Grande abraço do Gordo, que vai agora ouvir o “White Album” pela quatrocentésima vez

  • rose

    Piá, amei cada paragrafo escrito por vc , foi como se rememorasse cada instante do show, e para quem perdeu, poderá imaginar com riqueza de detalhes,
    bjo da Gorda