Comic Con Experience – Eu não estou só!

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O Batmóvel clássico da série de TV dos anos 60.

Por muitos e muitos anos me achei estranho pelo fato de gostar de quadrinhos, de ficção científica, séries de TV, cinema, enfim. Sinto um ar de reprovação e por vezes indiferença das pessoas próximas quando mostro minhas miniaturas de super-heróis e outros personagens da fantasia ou meu acervo de gibis. Raramente encontro alguém que compartilhe comigo esses prazeres, que converse comigo sobre as séries de televisão resumindo-se meu círculo de adeptos a um triangulo formado com meu filho Leandro (que eu juro, jamais forcei a ter este gosto) e a meu amigo Grilo, hoje morando no Canadá e que confiou a mim a guarda de parte de seu acervo de quadrinhos.

Era só.

Mas há poucos dias li na Folha de São Paulo a coluna de Alexandre Schwartsman, doutor em economia pela Universidade da Califórnia e ex-diretor de Assuntos Internacionais do Banco Central, entre outros predicados, que começava assim: “Além de HISTÓRIAS EM QUADRINHOS e mitologia grega, sou fã confesso de ficção científica…”     . Viva! mais um vértice em busca do círculo de fãs do mundo da fantasia. É verdade que um círculo tem infinitos vértices, pelo que me lembro das aulas de geometria no segundo grau, mas, gente, acho que agora encontrei muitos vértices. milhares, sem exagero. Para minha felicidade resolvi visitar a Comic Con Experience que rolou em São Paulo no último fim de semana, dos dias 4 à 7 de Dezembro de 2014  e descobri que não estou só. Pelo contrário, encontrei muitos fãs de quadrinhos, alguns ainda mais estranhos que eu. E quando digo estranho refiro-me ao termo em inglês GEEK, que é como somos conhecidos mundo afora. EU SOU UM GEEK! E estou muito feliz com isso.

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Vou contar a vocês o que é ser um GEEK.

Ser um GEEK é chegar na Comic Con Experience, olhar de longe aquela fila interminável e que crescia a cada minuto serpenteando o pátio do Centro de Convenções Imigrantes e não se importar nem um pouco com o calor ou a demora. Ficar assistindo na fila o desfile de personagens do meu imaginário e fotografar o Flash, o Lanterna Verde, quatro ou cinco Batmans, outros dez ou doze Supermans, o Darth Vader e o Darth Maul, a Princesa Léia em suas duas vestes (uma delas nem tão veste) famosas, Jedi e membros da Stormtrooper, IT, o Palhaço Assassino e o Capitão América. A Hermione e o Harry Potter, o Menino Maluquinho, X-Mens e Avatares; a Malévola, a Louca dos Gatos, uma Mulher nem tão Maravilha mas igualmente fascinante e muitos outros personagens que nem conheço mas fiquei curioso em conhecer. É um mundo que não tem fim, graças a Deus! Foi incrível ver como fãs se empenham em viver um personagem que existe apenas na fantasia mas que ali torna-se uma realidade fantástica. As vezes a caracterização é tosca, noutras muito bem trabalhada, mas todas são importantes no mundo da imaginação. Achei o mais criativo o “Lampião Verde“, um misto de Lanterna Verde com cangaceiro. Por mim levava o premio de originalidade, se houvesse. Mas, francamente, é desnecessário um concurso de Cosplays, afinal, todos já estão ali realizando um sonho com o simples fato de se verem valorizados por pessoas que gostam disso.

Bandidos tremei! Aí vem o ... Lampião Verde!
Bandidos tremei! Aí vem o … Lampião Verde!

Ser um GEEK é procurar uma miniatura de personagem diferente de todas, uma que ninguém tem (acho que consegui a minha do Esquálidus); ou uma edição limitada como a que comprei do Jabba fumando seu narguilé. São muitas e de todos os tipos. Adorei meus bonequinhos do The Big Bang Theory (sim, sou bazingueiro) e o que há tempos eu procurava: o Garfield. Perfeito. Tem pra todos os gostos. Os super-heróis são um mais fantástico que o outro, verdadeiras obras de arte, fosse apenas pela minha vontade venderia um carro pra gastar tudo de uma vez só. Mas tem peças muito caras. A mais cara de todas era um Homem de Ferro maior que eu, simplesmente perfeito: R$ 22.000,00. Eu não teria nem onde colocá-lo. A cada loja uma novidade mais bonita que a outra e uma fila maior que a outra. Mas vale a pena, a única preocupação na fila é chegar a tua vez e descobrir que a peça que queria esgotou. Perdi pelo menos duas, assim. Mas consegui comprar uma edição limitada de um Mickey da Iron Studios segurando a revista numero 1 do Pato Donald no Brasil. De quebra veio um fac-simile da revista. Para guardar com muito carinho.

Esqualidus
Esuálidus. Relíquia em cerâmica, tesouro garimpado na CCXP.

 

Ser GEEK é se emocionar ao ver o Don Rosa a um metro de distancia, rabiscando alguns desenhos para quem ficou pelo menos 3 horas na fila (não foi meu caso) – sou fã, e tenho a coleção completa, do Carl Barks, criador do Tio Patinhas, Pardal, Irmãos Metralhas, Don Rosa tem um estilo parecido e é um dos grandes da atualidade; ver o Brad Dourif de pertinho, que interpretou Grima Schlangenzunge em Senhor dos Anéis, ou o maluco gago e inseguro em Um Estranho no Ninho é fascinante. Mais fascinante ainda é tirar uma foto abraçado com Édgar Vivar, o Senhor Barriga do Chaves, um programa infantil e nem tão inocente, que marcou época na história da televisão e até hoje, 35 anos depois do último episódio, é visto pelas crianças. Só mesmo as obras dos gênios duram tanto. Uma simpatia o “Senhor Barriga“.

O Mestre Don Rosa, ao fundo.
O Mestre Don Rosa, ao fundo.

Ser GEEK é ter um arrepio ao ver o Batmóvel original da série dos anos 60 com Adam West e Dick Grayson ou o carro do Scooby Doo. O carro do Mad Max, o escudo do Capitão América e o martelo de Thor (originais do cinema, sim).

Ser GEEK é lamentar não ter tido tempo de assistir as palestras, tirar fotos com outros artistas e desenhistas, não enfrentar a longuíssimas filas das revistarias (essa eu lamentei demais), não tirar mais fotos com cosplays, não comprar mais miniaturas.

Ser GEEK é jurar que no próximo ano estarei lá e muito mais preparado para aproveitar ao máximo a ComicCon Experience.

Agora já não me acho estranho, encontrei minha turma, a turma dos sonhos e da fantasia. Afinal, temos que fingir ser adultos todos dias, é muito bom, as vezes, poder ser a criança que eu sou.