Oscar 2015 – Confira tudo o que rolou na primeira cobertura CNC da cerimônia de premiação pelo Facebook!

Image: 87th Annual Academy Awards - Show

A cerimônia do Oscar de 2015 foi quadrada em tudo que ela podia ser. Começou bem, com um musical completo, uma letra hilária fazendo ao mesmo tempo uma homenagem e uma auto-crítica a Hollywood. Neil Patrick Harris se mesclando a filmes de diversas áreas no melhor estilo das antigas montagens com Billy Cristal. Anna Kendrick e Jack Black se unindo ao apresentador nessa memorável ainda que típica cerimônia de abertura. Curti, o cara parecia estar levando o programa na direção certa. O problema é que dali em diante ele desvaneceu, reaparecendo em inserções totalmente sem sal, com piadas bobas e momentos constrangedores, deu muita saudade de Ellen Degeneris e até mesmo de James Franco, o que mostra como a situação ficou feia.

No mais, o mesmo de sempre, homenagens aqui e ali, prêmios técnicos e sono, muito sono. O CnC realizou sua primeira cobertura em tempo real no Facebook e agora consolidamos todos os vencedores e comentários da noite que deveria ser a mais galamourosa para os fãs de cinema do mundo todo, mas que mais uma vez se mostrou decadente e irrelevante. Uma pena.

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Curiosidade #1 – Pato Donald já apresentou o Oscar.

Sim, o Oscar já teve sua quota de apresentadores bizarros. Quem não lembra da performance desastrosa do supracitado James Franco e Anne Hathaway em 2012? Esse ano quem comandou a festa foi Neil Patrick Harris, mas em 1958, uma versão animada do Pato Donald apresentou o prêmio na TV, em conjunto com Bob Hope, Jack Lemmon, Rosalind Russell e o grande James Stewart.

Alguém entendeu o por quê do pato no meio dessa trupe? É, você não foi o único.

Premiação

Melhor Ator Coadjuvante

E o J. J. Jameson levou o prêmio no papel de Vernon Schillinger, quer dizer…

O cara mandou bem pra caramba em Whiplash, mas eu sou putinha de Boyhood nesse Oscar e acho que Ethan Hawke merecia mais. Enfim, ainda concorriam nessa categoria com ele Robert Duvall (“O juiz”), Edward Norton (“Birdman“) e Mark Ruffalo (“Foxcatcher“).

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Melhor Figurino e Melhor Maquiagem e Cabelo

Era óbvio e ululante que nenhum filme poderia bater O Grande Hotel Budapeste nas categorias relacionadas a produção visual, e os prêmio de Melhor Figurino dado a Milena Canonero assim como o de Melhor Maquiagem E Cabelo entregue a Frances Hannon e Mark Coulier são mais do que merecidos.

Os trajes, assim como a caracterização dos personagens, todos em consonância com a chave tonal do filme são fodásticamente lindos.

Sem chance alguma de real concorrência, na primeira categoria ainda tinhamos Mark Bridges (“Vício inerente”), Colleen Atwood (“Caminhos da floresta”), Anna B. Sheppard, Jane Clive (“Malévola”) e Jacqueline Durran (“Sr. Turner”), enquanto na segunda vinham Bill Corso e Dennis Liddiard (“Foxcatcher”) e Elizabeth Yianni-Georgiou e David White (“Guardiões da Galáxia“)

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Melhor Filme Estrangeiro

O Brazil não cavou uma vaga com seu Hoje Eu Quero Voltar Sozinho, mas o ganhador, Ida, é excelente e já era previsto sua premiação.

Pra quem ainda não o assistiu, a película se passa na Polônia em 1962 e foca na história de Anna, uma bonita jovem de 18 anos que irá em breve celebrar os votos definitivos para se tornar freira no convento onde vive enquanto órfã desde criança. A madre superiora obriga-a, no entanto, a conhecer antes a única familiar viva, a tia Wanda. Juntas, as duas mulheres embarcam numa viagem à descoberta de si próprias e do passado que têm em comum.

Concorriam ainda na categoria Leviatã (Rússia), Tangerines (Estônia), Timbuktu (Mauritânia) e Relatos Selvagens (Argentina).

Confira o trailer de Ida:

Melhor Curta-Metragem Live Action e Documentário

Essas são duas categorias muito safadas, pois a maior parte das pessoas não tem acesso a esses filmes e os próprios votantes da Academia só sabem do que se trata por que recebem todos eles em DVD no conforto do seu lar e mesmo assim duvido que eles assistam a todos antes de votar.

Dito isso, os vencedores desse ano são The Phone Call de Mat Kirby na categoria Live Action e Crisis Hotline: Veterans Press 1 de Ellen Goosenberg Kent na categoria documentário.

Bora caçar e assistir a esse e todos os outros? Segue a lista:

Aya
Boogaloo and Graham
Butter lamp (La lampe au beurre de Yak)
Parvaneh
Joanna
Our curse
The reaper (La Parka)
White earth

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Melhor Edição de Som e Melhor Mixagem de Som

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Whiplash é para o som, aquilo que O Grande Hotel Budapeste é para a imagem, mas nessa área só levou o prêmio de Melhor Mixagem De Som (Craig Mann, Ben Wilkins e Thomas Curley), o de Edição De Som teve que dividir com American Sniper, entregues à Alan Robert Murray e Bub Asman.

Mas afinal, qual a diferença entre Edição de Som e Mixagem de Som? Duas categorias do Oscar que são comumente confundidas, até mesmo por Rubens Ewald Filho.

O Editor de Som pode ser considerado um análogo ao Diretor de Arte de um filme. O mesmo tipo de construção e composição visual que o segundo realiza, o primeiro o faz através da composição de efeitos sonoros, música ambiente e tudo que ajude a mergulhar o telespectador na ambientação da cena, através da audição.

Já o Mixador de Som, pode ser comparado da mesma maneira ao Diretor de Fotografia de um filme. Ele é o responsável por determinar quais daquelas dezenas de sons que fazem parte de uma cena terão maior destaque, de forma a induzir a percepção da audiência.

Cofira quem concorreu com Whiplash e American Sniper nessas categorias:

Melhor edição de som
Alan Robert Murray e Bub Asman (“Sniper americano”)
Martín Hernández e Aaron Glascock (“Birdman”)
Brent Burge e Jason Canovas (“O hobbit: A batalha dos cinco exércitos”)
Richard King (“Interestelar”)
Becky Sullivan e Andrew DeCristofaro (“Invencível”)

Melhor mixagem de som
John Reitz, Gregg Rudloff e Walt Martin (“Sniper americano”)
Jon Taylor, Frank A. Montaño e Thomas Varga (“Birdman”)
Gary A. Rizzo, Gregg Landaker e Mark Weingarten (“Interestelar”)
Jon Taylor, Frank A. Montaño e David Lee (“Invencível”)
Craig Mann, Ben Wilkins e Thomas Curley (“Whiplash”)

Melhor Atriz Coadjuvante

O elenco concorrente a Melhor Atriz Coadjuvante desse ano é infinitamente mais estelar que o de Atriz Principal e o prêmio para Patricia Arquette me fez vibrar no sofá. Ela é uma das grandes responsáveis por eu ter me apaixonado por Boyhood e honestamente merecia concorrer na categoria principal dado o tamanho e a relevância de seu papel no filme.

Na televisão, Patricia ficou famosa pelo papel da psíquica Allison DuBois no seriado Medium, exibido de 2005 à 2011 e agora prepara-se para protagonizar o novo CSI: Cyber no papel da Agente Especial Avery Ryan.

Concorriam com ela Laura Dern (“Livre”), Keira Knightley (“O jogo da imitação”), Emma Stone (“Birdman“) e Meryl Streep (“Caminhos da floresta”), só feras radicais!

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Melhores Efeitos Visuais

Esse é realmente é o único prêmio pelo qual Interestelar merecia ser indicado e que bom que ganhou, pois em comparação com seus “colegas” de competição ele é o único filme que procurou soluções fora do comum, ainda que calcadas na realidade e trouxe soluções visuais realmente novas para a tela, como o buraco negro de Gargantua e o robô Kit-Kat TARS. Veja quem foram os concorrentes da categoria:

Melhores efeitos visuais
Dan DeLeeuw, Russell Earl, Bryan Grill e Dan Sudick (“Capitão América 2: O soldado invernal“)
Joe Letteri, Dan Lemmon, Daniel Barrett e Erik Winquist (“Planeta dos macacos: O confronto“)
Stephane Ceretti, Nicolas Aithadi, Jonathan Fawkner e Paul Corbould (“Guardiões da Galáxia“)
Paul Franklin, Andrew Lockley, Ian Hunter e Scott Fisher (“Interestelar“)
Richard Stammers, Lou Pecora, Tim Crosbie e Cameron Waldbauer (“X-Men: Dias de um futuro esquecido”)

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Melhor Curta-Metragem e Longa-Metragem de Animação

A Disney, dona da ABC, principal rede veiculadora da cerimônia do Oscar, veja só, levou os dois prêmios nas categorias de animação: Melhor Curta de Animação: Feast e Melhor Longa-Metragem De Animação: Big Hero 6. Mas tudo bem, eles mandaram bem pra caramba nos dois filmes, principalmente em Feast, que na minha opinião aponta o futuro do visual das animações deles, um equilíbrio perfeito entre o 2D e o 3D.

Melhor animação em curta-metragem
The bigger picture
The dam keeper
Feast
Me and my moulton
A single life

Melhor animação
Operação Big Hero
Como treinar o seu dragão 2
Os Boxtrolls
Song of the sea
The Tale of the Princess Kaguya

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Melhor Direção de Arte

Oscar de Melhor Design De Produção para O Grande Hotel Budapeste! Parafraseando Madonna, WHAT A SHOCKER… porém merecido, muito merecido! Seus concorrente “O jogo da imitação”, “Interestelar”, “Caminhos da floresta” e “Sr. Turner” não podiam nem sonhar.

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Melhor Fotografia

O prêmio de Melhor Fotografia até surpreendeu, e foi mais que merecido, o apuro técnico de Birdman para alcançar as transições de cena ainda simulando o take único dependia de uma Diretor De Fotografia genial e Emmanuel Lubezki deu conta bem bonito!

Os demais concorrentes são todos muito bons também, e eu até cheguei a pensar que os diretores de Ida tinham alguma chance:

Robert Yeoman (“O grande hotel Budapeste“)
Lukasz Zal e Ryszard Lenczewski (“Ida“)
Dick Pope (“Sr. Turner“)
Roger Deakins (“Invencível“)

Birdman

Melhor Montagem

O prêmio de Melhor Montagem ficou com Whiplash, que se mostrou o azarão da noite. Tom Cross leva o prêmio na sua primeira indicação ao Oscar. Junto dele, concorreram também:

Joel Cox e Gary D. Roach (“Sniper americano“)
Sandra Adair (“Boyhood“)
Barney Pilling (“O grande hotel Budapeste“)
William Goldenberg (“O jogo da imitação”)

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Melhor Documentário de Longa-Metragem

CitizenFour é o ganhador, mas com certeza é mais um daqueles que ganhou por ignorância dos votantes em relação aos concorrentes. Os vazamentos de Edward Snowden ainda são notícia recente na “Murika“, mas Last Days, que reconta a história dos últimos dias dos americanos na Guerra do Vietnã e a lambança deixada pelos governos conservadores assim como o Sal Da Terra, dirigido por Wim Wenders com um gostinho brasileiro mereciam muito mais levar essa estatueta pra casa, tanto por relevância e originalidade como por execução. Guarde os nomes de todos os concorrente para procurar depois:

O sal da terra
CitizenFour
Finding Vivian Maier
Last days
Virunga

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Melhor Canção Original

Melhor momento da noite, o Oscar fazendo piada dele mesmo, ou no caso de John Travolta, que no prêmio do ano passado, ao anunciar Idina Menzel no palco para cantar a vencedora Let It Go, sofreu o efeito de algum de seus remédios tarja preta e a chamou de Adele Dazeem. Aqui a própria Idina retorna ao palco e chama por seu amigo Galom Dazeem (ou algo assim), e quem entra? John Travolta, claro!

O vencedor na categoria Melhor Canção foi Glory, de John Stephens e Lonnie Lynn, trilha sonora do filme Selma. Foi uma premiação justa considerando a falta de personalidade de suas competidoras, além de trazer os artistas negros para primeiro plano, em um Oscar que esse ano fora acusado de excessivamente branco.

Ainda no prêmio de Melhor Canção, tivemos uma apresentação agoniante de Adam Levine interpretando Lost Stars de Gregg Alexander e Danielle Brisebois (“Mesmo se nada der certo”), “Grateful“, de Diane Warren (“Além das luzes”) interpretada pela mediana Rita Ora.

Por fim, o segundo momento mais surreal da noite (nada baterá Lady Gaga cantando The Sound of Music) ficou por conta de ”Everything is awesome“, de Shawn Patterson (“Uma aventura Lego”). Essa cena com o Batman não sairá da minha cabeça por alguns anos:

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Melhor Trilha Sonora

O Grande Hotel Budapeste leva o prêmio que, pensando bem, deveria ter sido de Interestelar. Mas quem liga? Depois de assistir Lady Gaga interpretando de maneira bizarra, de tão normal que ela estava, as músicas de A Noviça Rebelde, seguido da própria Julie Andrews anunciando o prêmio, a gente não precisa de mais nada.

Os demais concorrentes nessa categoria foram:
Alexandre Desplat (“O jogo da imitação“)
Hans Zimmer (“Interestelar“)
Gary Yershon (“Sr. Turner“)
Jóhann Jóhannsson (“A teoria de tudo“)

Melhor Roteiro Original e Adaptado

Roteiro Original quem levou foi Birdman, escrito por Armando Bo, já o Adaptado foi uma grata surpresa, Graham Moore por O Jogo Da Imitação, não que o roteiro do filme seja um primor, não é, o filme é todo convencional e tem sorte de basear sua história numa biografia interessante, mas o discurso proferido por Graham sobre ser diferente, permanecer diferente e mostrar ao mundo que isso é ok emocionou a platéia e trouxe lágrimas ao rosto de todos (que apareceram na câmera). Confira os demais indicados:

Melhor roteiro original
Richard Linklater (“Boyhood“)
E. Max Frye e Dan Futterman (“Foxcatcher“)
Wes Anderson e Hugo Guinness (“O grande hotel Budapeste“)
Dan Gilroy (“O abutre“)

Melhor roteiro adaptado
Jason Hall (“Sniper americano“)
Paul Thomas Anderson (“Vício inerente“)
Anthony McCarten (“A teoria de tudo“)
Damien Chazelle (“Whiplash“)

2014, THE IMITATION GAME

Melhor Diretor

E a melhor direção ficou mesmo com o criador de Birdman, Alejandro González Iñárritu. Eu acho um equívoco da Academia não premiar Richard Linklater, Birdman repetiu uma fórmula que o próprio Hitchcock já havia utilizado com muito mais maestria e menos recursos em Festim Diabólico e seu roteiro é pretensioso e vazio, enquanto Boyhood é singelo, profundo e acima de tudo, original. Só lamento!

Concorrentes de Alejandro a Melhor diretor:
Richard Linklater (“Boyhood“)
Bennett Miller (“Foxcatcher: Uma história que chocou o mundo“)
Wes Anderson (“O grande hotel Budapeste“)
Morten Tyldum (“O jogo da imitação“)

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Melhor Ator

Eddie Redmayne levou o prêmio por sua boa e sofrida interpretação de Stephen Hawkings em A teoria de tudo.

Concorreram também:
Steve Carell (“Foxcatcher“)
Bradley Cooper (“Sniper americano“)
Benedict Cumberbatch (“O jogo da imitação“)
Michael Keaton (“Birdman“)

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Melhor Atriz

Juliane Moore merecia um Oscar apenas por ter nascido, mas confesso que não via ela levando a estatueta essa noite, porém a história de Alice Howland, uma doutora em Linguistica que descobre possuir o Mal de Alzheimer ainda jovem, permitiu à atriz mostrar uma atuação visceral e angustiante que serve de aula de interpretação à todas as mocinhas que competiam com ela.Concorreram ainda:
Marion Cotillard (“Dois dias, uma noite“)
Felicity Jones (“A teoria de tudo“)
Rosamund Pike (“Garota exemplar“)
Reese Witherspoon (“Livre“)

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Melhor Filme

E Birdman rapou o prêmio de melhor filme de 2015. Novamente, não mereceu! Fiquem ligados essa semana no www.coconacuia.com.br que o Gordo aqui publicará um artigo cheio de choro e mimimi do por que Boyhood merecia ter levado os prêmios que foram dados ao filme de Alejandro.

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No mais é isso, a cobertura CnC do Oscar 2015 fica por aqui. Até o ano que vem galera, ou não, muito pelo contrário!