The Dark Eye: Demonicon – Review

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Então, eu peguei esse tal de TDE: Demonicon em um desses Humble Bundles da vida, que nem lembro o nome. O game é bem desconhecido por aqui, já que é uma produção alemã. Mas, como sou aficcionado por RPGs, fui logo conferir.

No começo o game é genérico até dizer chega, e o protagonista é tão carismático quanto um aipo. Mas depois de um tempo, a história do jogo foi realmente crescendo em mim (ui!), e quando fui perceber tinha zerado o game em pouco menos de 20 horas, boa parte delas nesse feriadão de Carnaval.

The Dark Eye

Pra quem não sabe (eu não sabia), The Dark Eye é uma longeva série de RPGs alemães, sucesso absoluto lá na terra do Chucrute. Pra vocês terem uma idéia, ela chega a vender mais que D&D por lá. Pois é…

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Em termos de adaptações para jogos eletrônicos, The Dark Eye pode não ter lá taaaantos games quanto D&D, mas nem por isso tem poucos. A mais famosa adaptação é uma velha conhecida do pessoal que joga PC Master Race lá das antigas: a série Realms of Arkania.

Outras adaptações vêm alcançando relativo sucesso com a plataforma steam, como Blackguards, Drakensang e o próprio Demonicon.

Assim como D&D, TDE possui diversos ‘cenários de campanha’, mundos ou continentes variados, mas que fazem parte de um mesmo universo. Nesse interim, Demonicon seria mais ou menos o equivalente ao Dark Sun de D&D: uma terra inóspita, de recursos escassos e onde apenas a sobrevivência do mais forte é garantida. Bom, era essa a idéia pelo menos…

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Nota sobre a produção

O game começou a ser produzido láááá pelos idos anos de 2010 por um estúdio pequeno chamado Silver Style Studio, e seria publicado pela TGC.

Contudo, a TGC entrou em bancarrota na metade daquele ano, e a Kalypso Media (não, não é aquela do Chimbinha) comprou o projeto, os 17 carinhas que estavam envolvidos e formou um novo grupo, Noumena Studios, com cerca de 50 desenvolvedores. Esse ‘upgrade’ deu ao game ares de gente grande (mas ainda longe de ser um título AAA).

TDE: Demonicon não é necessariamente um jogo novo, ele foi lançado para o PC em 2013 e para PS3 e Xbox 360 em 2014. Mas como o game é um ilustre desconhecido do circuito “mainstream” resolvi fazer um review mesmo assim.

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A História

TDE: Demonicon conta a história de Cairon e Calandra, um casal de irmãos que acabam se envolvendo com magia negra e forças sinistras. Além disso, eles possuem um romance incestuoso no melhor estilo Game of Thrones. Tudo bem que lá pelas tantas você descobre que eles não são irmãos de verdade, mas nem por isso é menos doentio.

Na real, os irmãos fazem parte de um seleto grupo conhecido como “The Awakened” – “os Despertados”, “os Acordados”, algum treco assim. Na verdade isso quer dizer que desde crianças os personagens foram preparados para receber uma espécie de pacto com o Capiroto, que lhes confere poderes e habilidades especiais. Cairon e Calandra foram então “sequestrados” por seu pai adotivo (um véio que esqueci o nome) e levados para longe dessa putaria toda.

É óbvio que o sossego não ia durar, e o que parece começar com uma singela tentativa de Cairon “melar” o casamento de Calandra, acaba desencadeando uma guerra contra o Capiroto em pessoa.

Prepare-se para derramar sangue, suor e lágrimas ao combater hordas de inimigos em um território inóspito e de recursos escassos (bom, nem tanto), e fazer dificílimas escolhas morais que mudarão completamente o rumo da batalha (novamente, nem tanto assim).

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Jogabilidade

A jogabilidade é em terceira pessoa, bem similar aos “Dragon Ages” da vida e outros action RPGs. A parte de ação flui surpreendentemente bem, apesar dos combos “duros”. Jogando no gamepad, você possui apenas dois “skill rings” (acionados por RB e RT ou R1 e R2), uma pra golpes com arma e outros pra magia – e conveniente existem apenas quatro magias, o que simplifica bastante. O botão de esquiva pode não funcionar 100%, mas ajuda bastante.

A evolução do personagem pode causar estranheza no começo, mas depois que você pega “as manhas” fica bem fluido. Você não customiza seu personagem no começo do game, ele será sempre do sexo masculino, se chamará Cairon e não possui uma classe definida. Você vai moldando seus poderes e habilidades conforme progride. Dependendo de suas escolhas você também pode ficar com uma aparência mais demoníaca.

Aliás, essas decisões que definem o rumo da história são interessantes e dão uma dimensão a mais ao game, mas como falei na abertura deste review os personagens são pouco mais carismáticos que portas de madeira, então você raramente se importará – ou se arrependerá – de ter seguido pelo caminho A ao invés do B.

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Gráficos, Trilha Sonora e tudo mais

Por ser um game feito por um estúdio pequeno, era de se esperar que ele não tivesse a qualidade de um jogo AAA. E é exatamente o que acontece aqui.

Não que TDE: Demonicon tenha gráficos ruins, pelo contrário: são até bem competentes. Mas os personagens são um tanto “duros” e sem expressão (Calandra por exemplo possui um excelente visual, decote e um belo par de peitos, mas é tão sensual quanto uma boneca inflável); os cenários também são bem detalhados porém genéricos e totalmente estáticos.

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Destaque na parte gráfica fica por conta do visual das armaduras de Cairon, (quase) sempre bem caprichados. A melhor armadura do game é literalmente uma carcaça de demônio.

Outra menção honrosa vai para as belíssimas “cutscenes” desenhadas à mão que aparecem em momentos cruciais do game. Normalmente um recurso preguiçoso, mas aqui foram tão bem feitas que ficaram muito melhores do que se fossem feitas com os modelos 3D do próprio jogo.

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A trilha sonora se não sobressai, também não se destaca. Agora, os efeitos sonoros são EXTREMAMENTE irritantes (principalmente das zumbis que explodem), se puder diminua o volume.

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Veredito

Se eu tivesse que definir TDE: Demonicon em uma palavra, seria MEDIANO. O game está na média na maioria dos quesitos, e se sobressai em alguns poucos, seja de maneira positiva ou negativa. Apesar de possuir uma história interessante, dificilmente ele chama a atenção do grande público.

Apesar disso, se você é fã de RPGs como eu, ou simplesmente gosta de jogos que primem pela evolução totalmente customizada de personagem (diferente dos tradicionais level ups e skill points), deveria dar uma chance para Demonicon. Ainda mais que ele está sempre a preços atrativos na Steam ou em algum Humble Bundle da vida.

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