The Hateful Eight – Brasil pode não ver o próximo filme de Tarantino nos cinemas.

hateful-hp

Quentin Tarantino alcançou um patamar de controle sobre a sua obra que poucos criadores da área do cinema conseguiram até hoje. Além dos direitos de imagem, ele também detém 100% de poder de decisão sobre a distribuição de seus filmes.

Isso é muito relevante em se tratando de filmes que podem ter sua experiência prejudicada devido à exibição em salas que não atendam parâmetros técnicos mínimos.

No caso do mais recente filme de Taranta (confira todos os detalhes já divulgados sobre The Hateful Eight aqui), a captação das imagens está sendo realizada através de filmes, películas mesmo, mas de 70mm. Devido a um acordo entre a Kodak e Hollywood, essa tecnologia analógica de filmagem teve sua vida extendida graças à paixão de alguns diretores pelo formato. O problema, para nós brasileiros, é que nos termos de distribuição do filme, recentemente publicado por Mr. Quentin, os cinemas que se disponham a exibir o filme em sua estréia, são obrigados a fazê-lo nesse formato. Considerando que desde 1993 não existe um único cinema no Brasil que possua um projetor de filmes em 70mm, isso significa que muito provavelmente ficaremos de fora do circuito inaugural de mais essa obra Tarantinesca e assim como Kill Bill só possamos ir ao cinema muito tempo depois do resto do mundo para quem sabe assistir a uma cópia reduzida à 35mm do filme.

Outro fato peculiar sobre a distribuição do filme, ainda não confirmado, é que aparentemente há um acordo inédito de alcance global sendo negociado pelo diretor com o Netflix, para realizar a distribuição do filmes pelo sistema de video on demand, VOD. A conferir.

Da Wikipedia: O que significa exatamente o filme ser captado em 70mm?

frame_comparison_1_0

70 mm é uma bitola cinematográfica, a maior de todas as bitolas, introduzida nos anos 1950 para a filmagem de grandes espetáculos, fornecendo uma imagem de qualidade superior à do 35 mm tradicional, mais larga (a largura do fotograma é mais do dobro da sua altura) e com espaço para 6 pistas de som – isto, muito antes da tecnologia digital.

Tal como é usado nas câmaras, a película é de 65 mm (2,6 polegadas) de largura. Para a projeção, o filme original de 65 milímetros é impresso em 70 mm (2,8 polegadas). O adicional de 5 milímetros são para 4 tiras magnéticas que prendem seis faixas de som. Embora em recentes impressões, 70 milímetros usam codificação de som digital, a grande maioria de 70 mm existente antecedem esta tecnologia.

Cada quadro é de cinco perfurações, com um aspecto ratio de 2.20:1. A grande maioria dos cinemas são incapazes de lidar com o filme 70 mm, e assim os originais filmes 70 milímetros são mostrados usando impressões de 35 milímetros no normal CinemaScope / Panavision em relação de aspecto de 2.35:1, ou, nos últimos anos, por meio de projetores digitais que passaram a ser usados nesses locais.

A partir dos anos 1970, passou a ser basicamente uma bitola de cópias: os filmes são rodados em 35 mm e, eventualmente, ampliados a 70 mm para exibição em salas especiais. No Brasil, desde 1993, não existe mais nenhuma sala que projete filmes em 70 mm.