Vingadores: A Era de Ultron – Review (por Balão)

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Vingadores: A Era de Ultron finalmente chegou. E com ele, vem aquela “responsa” de ser melhor e maior que o primeiro. Será?

O filme começa com a heroizada reunida para resgatar o cetro de Loki de um castelo aleatório do Leste Europeu, base do Barão Von Strucker (comandante da Hidra, velho conhecido dos fãs de quadrinhos), e logo já temos o primeiro contato com os gêmeos Pietro e Wanda Maximoff (Mercúrio e Feiticeira Escarlate, respectivamente) – ainda como “vilões”. Essa introdução é uma espécie de continuação direta da cena pós-créditos vista em Capitão América: Soldado Invernal e já serve para dar o tom da película: apesar dos personagens terem adquirido uma profundidade maior ao longo desses últimos 3 anos, o massa-véio não foi deixado (nem um pouco) de lado.

O xabu começa mesmo quando Tony Stark e Bruce Banner usam o cetro de Loki (pra quem não lembra, já especulavam que dentro do cetro havia uma jóia do infinito – aqui a suspeita é confirmada) para criar a inteligência artificial perfeita, com o intuito de comandar a “Legião de Ferro” – uma espécie de força tarefa de drones para manter a paz. É óbvio que isso não tem como dar certo, e adivinha à quem que eles dão à luz? Isso mesmo, Ultron.

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Deus EX Machina

Uma máquina senciente já não é novidade no cinema e na literatura. Desde os recentes Chappie e Transcendence, até alguns mais antigos como Inteligência Artificial, Exterminador do Futuro ou até mesmo Pinóquio (aqui citado à exaustão, por sinal), sempre tivemos histórias de robôs que queriam ser “meninos de verdade”.

O próprio Ultron já não é novidade: criado em 1968 por Roy Thomas e John Buscema, o personagem surgiu como criação de Hank Pym, e por ter parte de sua consciência, tinha uma relação quase que familiar com alguns membros dos Vingadores. No filme ele teve sua origem alterada, aqui ele é “filho” de Tony Stark por razões óbvias (e que faz até mais sentido do que sua origem nas HQs).

vingadores-iron-monstraoHulkbuster

Apesar de não ser novidade para ninguém, sim, a Hulkbuster está no filme. Um dos fan-services mais esperados desde que o Universo Marvel começou nos cinemas finalmente se concretiza. O resultado? Uma das melhores (se não a melhor) cena de ação do longa. A situação da luta também não é forçada, tudo funciona dentro do contexto da história e de maneira bem orgânica.

Em resumo: não é uma cena aleatória inserida no meio do filme só para apaziguar a fúria dos fãs (Venom em Homem-Aranha 3 manda lembranças).

avengers-age-of-ultron-aaron-taylor-johnson-elizabeth-olsenFeiticeira Escarlate & Mercúrio

E os novatos? Eles começam como “capangas” do Barão Von Strucker, remontando à sua origem como vilões e terroristas (lembrem-se que originalmente eles são filhos do Magneto) nos quadrinhos. No filme, eles nutrem um ódio mortal de Tony Stark e acabam unindo-se à Ultron em um primeiro momento, pois no passado o vilarejo deles foi bombardeado por mísseis da Stark Enterprises. Piegas, eu sei.

Mas a redenção vem quando eles percebem que a visão de “salvação” de Ultron é destruir a porra toda e começar do zero, então eles unem forças com seus antigos desafetos para salvar o mundo! Yay! \o/

E os gêmeos também rendem boas cenas de ação: Mercúrio como velocista usa e abusa dos “slow-motions”, assim como sua contra-parte no último filme dos X-Men; Já Wanda (uma das mutantes mais poderosas da HQs) aqui teve seus poderes “nerfados” ela não consegue mais moldar a realidade ao seu bel-prazer, mas possui telecinese e um certo grau de telepatia, que faz com que os inimigos tenham alucinações (por isso o Hulk ficou zureta e foi preciso da ajuda da Hulkbuster para pará-lo). Num primeiro momento a personagem fica meio apagada na trama, mas é no terceiro ato que seu real potencial é revelado.

Desnecessário só foi o sotaque de “leste europeu” forçadasso que tentaram colocar nos personagens.

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O Visão

Um dos maiores mistérios do filme, o andróide pouco aparecia nos materiais de divulgação e trailers do filme. A razão é bem justificável, já que ele é uma das peças-chave da trama.

Nas HQs, Visão foi criado por Ultron como uma espécie de “Cavalo de Tróia” para os Vingadores. No filme, ele também é criado pelo robozão, porém para servir como um corpo perfeito (falei que ele queria ser um menino de verdade?). *SPOILER* É óbvio que o plano não dá certo, e Tony Stark consegue transferir a consciência de JARVIS para o andróide. *FIM DO SPOILER*

Visualmente (sem trocadilho), o Visão está impecável. Bem próximo de seu visual (ahn? ahn?) das HQs, mas de maneira bem crível e orgânica para uma adaptação “live-action”, sem carregar no CG.

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Ultron

Mas e o Ultron como vilão, funciona? Admito que no começo a faceta meio cínica (e até piadista) de Ultron me incomodou um pouco. Ele não é aquele vilão sisudo e sombrio que muitos esperavam (principalmente após os primeiros trailers). Depois fica bem evidente que Ultron é realmente um “filho” de Stark, e absorveu muito de sua personalidade ainda que de maneira deturpada.

Como ele tem uma relação quase de pai e filho com o Tony Pinga, fica fácil esquecer em alguns momentes que ele é um robô de 3 metros de altura, onipresente e que quer destruir o mundo. O que acaba fazendo com que seus momentos de “ameaça” sejam ainda mais marcantes.

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Dramalhão Mexicano

Vingadores: A Era de Ultron é um filme mais profundo que seu antecessor. Não me levem a mal, gosto muito do primeiro filme, mas olhando friamente, ele não passava de um fan-service de duas horas e meia. Aqui os personagens estão mais desenvolvidos, e possuem dramas e conflitos mais palpáveis (principalmente após as alucinações da Feitoca), aproximando eles de nós, meros mortais.

Acho que é aqui que a trama escorrega um pouco: ela consegue gerar alguns bons momentos de drama, só para serem interrompidos por alguma gag ou piadinha aleatória que corta completamente a tensão do momento. É um filme de super-herói afinal de contas, mas que mal teria se levar um pouquinho mais a sério aqui ou ali?

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Veredito

Mas e aí? O filme é “bão” mesmo? Agradar a todos os fanboys sempre é uma tarefa complicada. E devo admitir que eu, como um desses fanboys chatos, fui ao cinema com as expectativas BEM altas.

O filme tem seus problemas sim, principalmente aos olhos mais clínicos de nerds amargurados: as gags fora de hora, as cenas de ação excessivamente longas, uma overdose de personages. Mas, como eu já comentei quando abri o review, grande parte é devido àquela “responsa” de ser maior que o primeiro. Mas isso não compromete (nem um pouco) a experiência final. Vingadores: A Era de Ultron é um grande filme de herói e, acima de tudo, um grande filme.

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