Convergence: a DC Comics é des-rebootada! Isso é bom ou ruim? *** SPOILERS à vista***

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Convergence, a mini-série safada em oito edições que foi desenvolvida para marcar a mudança dos escritórios da DC Comics, de Manhattan para a cidade de Burbank na California, escrita por Scott Lobdell e o novato Jeff King, acompanhados por um batalhão de artistas dos mais variados estilos e níveis de qualidade chegou ao fim em Maio, desfazendo A Crise nas Infinitas Terras e tornando cânone tudo que já foi publicado pela companhia em toda a sua história.

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Por um lado isso é uma coisa maravilhosa de Meu Deus, pois pode siginificar o fim das linhas editoriais engessadas e uma maior liberdade criativa aos criadores da DC. Por outro lado, Dan Didio continua dando as cartas, então pode ser que no fundo nada mude, apenas fique mais “zoneado”, com um milhão de linhas temporais paralelas e histórias rocambolescas de heróis viajando através das realidades.

Mas afinal, o que foi essa tal de Convergence?

Durante oito edições semanais, enroladas e cíclicas, acompanhamos um quinquilhão de versões dos heróis DC tentando salvar o Multiverso de virar um só pela enésima vez enquanto todos os gibis mensais da editora foram interrompidos e substituídos por histórias com personagens de diversas realidades alternativas da editora, mas principalmente os heróis da Terra pós-Crise nas Infinitas Terras.

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A trama em si é uma caricatura de mega-sagas anteriores, que já lidaram de todas as maneiras possíveis com o tema e que no fim das contas só serviram para dar um pouco de trabalho para o pessoal do Marketing da DC, pois nem para ponto de entrada de novos leitores essas mega-sagas serviam, no máximo despertavam algum interesse de vermes como eu que vão e vem com seus hábitos de colecionador de gibis.

Convergence começou como uma boa idéia da mente de Keith Giffen, mas infelizmente virou uma aberração. O propósito original da saga era apenas dar aos leitores uma oportunidade de se despedir do universo de heróis que ficou pra trás quando Os Novos 52 foram lançados, há 4 anos atrás. As revistas de linha seriam substituídas por tramas que finalizariam ou simplesmente revisitariam com uma veia nostálgica o antigo Universo DC pós crise que os fãs tanto sentem falta, mas uma legião de escritores medianos e artistas tapa buracos transformaram essa iniciativa em algo descartável e acima de tudo sem graça.

Pera lá Gordo! SHAZAM foi duca!
Pera lá Gordo! SHAZAM foi duca!

OK, baixou o espírito do Mamika rancoroso em mim, mas pra não dizer que nada se salva, recomendo uma conferida nas duas edições de Superman ilustradas pelo mestre Lee Weeks, o traço do cara nunca envelhece e nos permite rever um Superman de respeito e não essa aberração perdida e cheio de traços dispensáveis dos Novos 52. Além disso SHAZAM também nos levou de volta à pegada mais inocente de outrora acompanhado do ótimo traço de Evan Shaner, que aqui emula um Mike Mignola de início de carreira, uma vez que o Batman de Gotham by Gaslight marca presença nessa revista. Pra me fazer um pouco mais feliz, pude também me deleitar com uma história inédita de Greg Rucka, revisitando suas crias, a QuestãoRenee Montoya e Batwoman com desenhos de Cully Hammer. Até hoje não perdôo o Dan Didio por ter deixado o talento de Rucka ter escapulido da DC, por puro capricho. Pra quem não sabe, o cara é responsável pela melhor fase da Mulher Maravilha de todos os tempos além de ser co-criador de Gotham Central, aqui publicado como Gotham City Contra o Crime. Quadrinhos de primeira qualidade.

It's Superman, bitch!
It’s Superman, bitch!

Mas é isso. De resto, o que fica de bom de mais esse capítulo caótico da DC é realmente a possibilidade desprendida de atrair bons criadores que em tese poderiam brincar com os heróis, nas versões que lhe derem na telha, para contar a história que eles realmente querem. Se isso se concretizar, e algumas das edições a serem lançadas em Junho apontam para essa direção,  poderemos observar um rebuliço no mercado semelhante ao causado pela Marvel no início dos anos 2000, quando Joe Quesada assumiu a editora e passou a priorizar criadores com estilos diversos ao invés de priorizar uma unidade criativa e uma cronologia intrincada. Foi nessa época que eu de fato passei a ter interesse em alguns escritores e artistas os quais sou apaixonado e sigo cegamente até hoje: Grant Morrison, Frank Quitely, Jae Lee, Garth Ennis e foi a partir dessa época que passei a acompanhar revistas em quadrinhos seguindo as equipes criativas e não os personagens e acontecimentos.

Um exemplo do por que essa abordagem pode funcionar na nova DC é algo que a Marvel fez nos anos 2000, mas que largou mão depois de alguns anos, estou falando dos X-Men de Grant Morrison e Frank Quitely e a fase de Joss Whedon e John Cassidy. A primeira tem uma forte e direta influência na segunda, personagens, conceitos, visuais, mas nada que dependa estritamente da cronologia dos fatos, apenas a idéia geral do status quo de cada personagem e as abordagens pictóricas que foram parcialmente assimiladas pela segunda equipe e transformada em algo novo, tão bom quanto o primeiro, mas que funcionam muito bem independentemente uma da outra.

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Por outro lado a DC parece querer realmente agradar a todos, e para tentar se redimir com os taradinhos por cronologia de plantão e que não vivem sem uma linha temporal primordial, manterão o universo dos Novos 52 criado após o evento Flashpoint, Ponto de Ignição no Brasil, que continuará sendo desenvolvido em pelo menos metade dos seus títulos mensais, com viradas criativas de impacto como o Bat-Coelho Azul Gigante de Ferro ou o Superman de cabelo escovinha e novas equipes criativas, de níveis de qualidade variados.

É esperar pra ver, nessa quarta feira os novos títulios começam a chegar às bancas norte americanas e o Cocô na Cuia dará uma olhada e trará suas primeiras impressões reais sobre essa nova fase Dcnética.

Fique de olho.