DC YOU – Mês 1 – Semana 1 – Review

Dc-You Banner

Nossos leitores fiéis já sabem que eu sou o maior DeCenete aqui do site e que eu vinha aguardando ansioso como uma puta velha em fim de expediente o lançamento da nova leva criativa da Casa do Superman, Batman e companhia após a saga Convergence  (veja todos os detalhes aqui e aqui). Pois bem, a hora da verdade chegou. Foram lançados em 3 de Junho de 2015 os primeiros 10 gibis dessa nova fase da Editora. Eu sentei a bunda na privada e estourei três hemorróidas para dar conta de ler tudo isso e assim poder compartilhar minhas primeiras impressões com vocês.

A idéia dessa série de posts semanais será cobrir de forma dinâmica os lançamentos da DC pelos próximos 6 meses, filtrando os que me agradam. Em cada post você lerá comentários e impressões sobre cada título assim como uma nota de satisfação do Gordo (eu), que será medida em cuias, de 0 a 5. O gibi que tiver menos de 2 cuias será sumariamente eliminado desse exercício.

Ao fim desses seis meses saberemos quantos títulos efetivamente serão merecedores de continuar a serem colecionados por esse Gordo que vos escreve e quantos serão relegados ao poço dos “reboots esquecíveis” e cujas edições eu venderei a dez centavos cada no sebo explorador da esquina. No último reboot eu terminei com 5 revistas de um total de 52 títulos mensais, será que dessa vez a DC conseguirá me segurar por mais tempo?

Portanto, sem mais delongas, vamos aos comentários dessa primeira leva:


action comics  41

Action Comics #41

Mantendo a competente dupla formada por Greg Pak nos roteiros e o mais novo Frank-Quitely-Wannabe, Aaron Kuder, nos desenhos, Action Comics começa um passo a frente dos eventos ainda a serem apresentados na revista Superman, um herói sem poderes, com novo visual e temido pelo povo são conceitos já apresentados em outras fases do personagens, mas um grande e surpreendente diferencial é que aqui ele parecem estar sendo desenvolvidos da maneira correta. O texto de Pak nos coloca de fato na pele do alienígena que pela primeira  vez experimenta as sensações de ser humano de maneira muito eficiente. Ao mesmo tempo, somos apresentados a um Clark Kent, que, ainda que visualmente e conceitualmente diferentes consegue evocar a voz do azulão clássico de outrora, sem soar artificial, um personagem crível. Junte a isso uma nova leva de coadjuvantes e um Jimmy Olsen novamente catapultado a condição de melhor amigo (de verdade) do herói e temos uma das melhores edições focadas no personagem em anos e um primeiro passso na direção correta desde o advento dos Novos 52.
Notas-401

Bat-Mite (Bat Mirim) #1 (de 6) e Batman Beyond #1…

Sneak Peek Bat-Mite e Sneak Peek Batman Beyond

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…são duas revistas que prometiam nos levar a diferentes áreas do Universo DC, mas são comprometidas pelo mesmo escritor. Respeito Dan Jurgens pela sua história, mas fato é que qualquer título capitaneado por ele tende a nos trazer um texto retrógrado, burocrático e datado, o oposto de tudo que Dan Didio nos induz a crer que será o destino no novo UDC. Bat-Mirim foca no humor estilo Animaniacs, com direito a um “Olááá Enfermeira” no meio da história, mas falha miseravelmente nas piadas. Já Batman Beyond coloca Tim Drake, 35 anos no futuro, vestindo o uniforme de Terry McGinnis e conhecendo versões re-interpretadas e batidas de Superman (um zumbi-robô com pernas de aranha metálica) e Bárbara Gordon (comissária de polícia). Infelizmente dois conceitos ótimos, com artistas adequados mas prejudicados por um roteiro fraco.
Notas-10

Bizarro #01 de 6

Sneak Peek Bizarro

bizarro
Jimmy Olsen pegado a estrada com Bizarro e seu “Chupacabra“de estimação rumo ao Canadá, ou “América Bizarra“, encontrando coadjuvantes como um vendedor de carros usados com complexo de Rei Tut que recebe poderes mágicos de alienígenas sacanas e tudo isso coroado com a arte do brasileiríssimo Gustavo Duarte (de Chico Bento Pavor Espaciar)? Não tem como não amar.
O texto de Heath Corson é hilário e ele cosegue atenuar a chatice que poderia ser ter que interpretar os diálogos do protagonista. O humor é muito gráfico e o ritmo dinâmico remete muito à fase áurea dos desenhos animados tresloucados do Cartoon Network da década de 90.O único ponto fraco da edição e que a impede de ganhar a nota máxima está na arte. O colorista não favorece muito o traço do Gustavo, insistindo em usar efeitos de textura de Photshop dos mais batidos e a narrativa as vezes é confusa. Gosto muito do estilo de Duarte, mas ele devia estudar e desenvolver um pouco mais o seu storytelling para não perder a intenção do roteirista. Em alguns momentos, você deixa de rir de uma situação por que não entende “de prima” a seqüência da ação. No mais, um dos títulos mais ousados e gostosos de ler nessa primeira leva.
Notas-401

Green Arrow #0414599894-green+arrow+01

Essa versão rejuvenescida do Arqueiro ainda não me desceu bem, sinto falta do quarentão liberal hipster-comunistinha-com-cavanhaque da fase pré-Novos 52, de qualquer maneira, o novelista Benjamin Percy assume os roteiros da revista do herói, levando-o para um lado muito mais sombrio e detetivesco, o que não é nada mal, considerando o passado recente do personagem. Patrich Zirker reinventa sua arte e traz um trabalho muito bom no retrato dessa nova fase e seu traço, agora mais detalhado, rebuscado e sombrio caiu como uma luva para o estilo condensado que Percy começa a desenvolver nesse gibi. O escritor carrega na pegada literária e até consegue impressionar em alguns bons momentos, cheguei até a anotar uma ou duas frases enquanto lia, pois as mesmas chegavam a ser poéticas, só que isso pode vir a ser um grande problema se ele não trabalhar mais para encontrar a voz certa dos personagens. Há momentos em que Oliver parece estar declamando um texto dramático de algum filme da década de 1940 e isso em nada combina com o personagem, que encarna um playboy de 25 anos. De qualquer maneira, a dupla entrega uma edição de estréia satisfatória, com um novo vilão misterioso e instigante e ainda que o tom do gibi em nada se distancie das boas histórias do Batman dos anos 90 por exemplo, me deixou com vontade de conferir a próxima edição.
Notas-35

Green Lantern #041

Sneak Peek Green Lantern

Hal Jordangreen lantern 41 agora é um renegado. Não sei direito o que o cara fez, mas por algum motivo ele perdeu seu anel, roubou uma manopla com poderes similares ao de seu anel, que pertencia à Tropa, deu uma sova em seu amigo e exilou-se no espaço. O personagem adotou um visual de forasteiro, que obviamente envolve um sobretudo com capuz e madeixas que cresceram de uma edição para a outra. Robert Venditti tenta dar gibi uma pegada “Star Wars” e “Guardiões da Galáxia“, mas não consegue imprimir personalidades suficiente aos personagens, tampouco nos introduz a uma trama instigante.

Para piorar, a arte de Billy Tan continua a mesma, ou seja, com cara de anos 90, mal acabada e genérica, o que faz com que ele não dê conta de prover o entretenimento que esse tipo de história traria, leia-se design de espécies alienígenas bizarras, naves espaciais e mundos distantes, algo que Omega Men conseguiu muito bem.

Notas-10

 Justice League #41

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O gibi da Liga da cronologia principal da editora, continuação dos Novos 52, segue ainda sob a batuta de Geoff Johns e a arte do ótimo Jason Fabok, uma espécie de David Finch sem preguiça e com uma narrativa superior. Somos apresentados ao primeiro capítulo oficial da saga “The Darkseid War“, onde o clássico vilão de Apokolips enfrentará o Anti-Monitor, pegando os heróis da Liga no meio da guerrinha.
Há uma série de releituras dos Novos Deuses apresentados nessa edição, que, ainda que não estejam à altura da versão de Grant Morrison em termos de modernidade ou mesmo façam jus ao clássico de Jack Kirby, não deixam a peteca cair. Kanto ganha um visual mais arrojado e menos patético, Sr. Milagre mantém um uniforme muito próximo do seu original, porém com o tratamento Novos 52 de hachuras e cavidades. Já Darkseid, aparentemente mantém o design horrendo de Jim Lee, mas por incrível que pareça ele realmente parece ameaçador nessa edição, Fabok conseguiu ilustrá-lo de maneira magistral. A trama começa bem, mas Geoff Johns é famoso por isso, ele consegue preparar o palco e posicionar os atores como ninguém, somente acompanhando as próximas edições para saber quão bem essa trama pode ou não se desenvolver. Começou bem, com a reapresentação da mais recente formação da Liga, agora com Lex Luthor à sua frente. Os Novos Deuses vem sendo re-introduzidos aos poucos e de forma muito orgânica e quanto à Grail, a filha de Darkseid com uma amazona chamada Myrina, sua primeira aparição é um clichê de histórias de times de super heróis, a vilã que dá uma surra na equipe enquanto recicla comentários sobre cada personagem, que ela de alguma maneira conhece profundamente. De resto temos a chegada do Anti-Monitor. Gostei. Quadrinhos de super heróis DC de raíz, bem executada, sem arroubos de originalidade mas extremamente satisfatória.
Notas-35

lobo_cv7_ds1Lobo #7

Esse Lobo-Emo advindo dos Novos 52 realmente não dá. Li o Sneak Peek, tentei dar uma chance para o gibi, mas não consegui passar da metade. O personagem é uma caricatura ruim do que ele já foi no passado, o novo visual é péssimo, já nasceu datado, o texto de Cullen Bunn é clichê e cheio de piadas recicladas que não combinam com o visual soturno e meia-bomba desenvolvido por Cliff Richards. Dou nota mínima para esse só de raivinha por me ter feito gastar 3 dólares nessa empreitada.
Para compensar, fiquem com uma foto do Lobo clássico em toda a sua glória para compensar…
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Notas-00

 Midnighter #1

Eu sei que sou suspeito pra escrever sobre esse título, mas a verdade é que esse é um dos gibis que eu mais ansiava ler desde o anúncio de DC YOU e a espera fez por merecer!
É em Midnighter, ou Meia-Noite, número 1 que você encontrará a melhor arte dessa primeira leva de novos quadrinhos. ACO é o nome do artista e ele nos traz uma mistura do melhor dos traços de J.H.Williams com Duncan Fegredo em layouts limpos e experimentais, porém funcionais e dinâmicos, além de lindos, bem acabados, arte final na medida, cores competentes, uma tetéia. Já o texto de Steve Orlando nos remete à um Garth Ennis em início de carreira com uma pegada meio Warren Ellis e uma criatividade sem fim para o nome dos dispositivos de defesa da Jardineira, a pseudo-mãe de Meia-Noite. A trama nesse primeiro número é acelerada, tresloucada e soube incluir a tão propagandeada diversidade da DC de forma natural, como parte integrante da história e das caracterísitcas dos personagens. Pra completar, essa dupla criativa sabe como conceber uma boa piada sem muito eforço:
 midnighterO protagonista ainda remete muito à sua antiga versão do gibi Authority, ele ainda é uma versão mais gay e porra louca do Batman, com poderes turbinados, um verdadeiro “bed-es-móda-foca” sarcástico e docilmente sociopata. Apolo, seu ex-namorado dos tempos de Wildstorm não dá as caras, ainda, mas Meia-Noite vai à caça, criando inclusive um perfil no GrindR.
A revista é foda! Tudo pode acontecer a partir daqui, mas considero esse gibi histórico, talvez o primeiro título realmente moderno da DC Comics em anos, e não pelo tema, longe disso, mas pela maneira como a história é contada. Um enorme passo à frente em sua proposta de abrigar novos criadores e prover liberdade criativa para os mesmos. Quem ganha e agradece são os leitores! Que os mesmos saibam retribuir comprando e dando longa vida aos bons produtos.
Notas-5

omega manOmega Men #1

O último título da semana é mais um derivado da linha dos Lanternas e nos leva novamente ao Espaço Sideral, mas de uma forma surpreendente. No Sneak Peek presenciamos a morte de um dos meus personagens favoritos da DC Comics. Quando li sobre isso em algum site norte-americano lembro que fiquei com muita raiva, pô, mal começaram a bagaça e já estão caindo nos clichês. Mas vou te falar, o texto de Tom King e a narrativa em câmera parada dessa primeira história me conquistou. Que ritmo. Que impacto.

Já a primeira edição trouxe algumas mudanças em relação ao preview, o artista Barnaby Bagenda abandona o arte-finalista Jose Marzan Jr e o resultado é primoroso. As cores de Romulo Fajardo Jr atuam muito melhor na arte a lápis e o aspecto final é caprichado, por vezes me lembrando os bons momentos de Saga (da Image Comics), que usa outra técnica, mas enfim… Em termos de roteiro, o primeiro número enfoca numa ação básica de invasão e evasão perpretada pelos Omega Men, mas Tom King, o mesmo de Grayson, trabalha muito bem a apresentação do elenco e reserva uma boa virada ao final da edição, me deixando com ainda mais vontade de voltar. Mais uma boa surpresa dessa nova leva.
Notas-45
PS. A capa mais linda está nessa edição.

Placar Geral

Então é isso galera, na primeira parte dessa jornada deixo para trás Lobo, Bat-Mirim, Batman do Futuro e com pesar no coração, o Lanterna Verde Hal Jordan. Darei mais uma chance no próximo mês para o Arqueiro Verde e a Liga da Justiça de Geoff Johns e aguardarei com ansiedade as próximas edições de Action Comics, BizarroOmega Men e claro, Midnighter. Contando os dias para o último.
Na próxima semana teremos o novo Batman-Coelhão de Scot Snyder, Sessão 8 de Garth Ennis e muito mais. Fique de olho!
Revista Junho
Action Comics 4.0
Bat-Mite 1.0
Batman Beyond  1.0
Bizarro 4.0
Green Arrow 3.5
Green Lantern 1.0
Justice League 3.5
Lobo 0.0
Midnighter 5.0
Omega Men 4.5