Relembrando Kelley Jones – Sessão Gordo Saudosista!

Quem teve a chance de ler e colecionar as histórias do Batman na década de 90 pôde entrar em contato com um grande artista, de estilo muito peculiar, sombrio e extravagante chamado Kelley Jones.

Foi nesse gibizinho que tive meu primeiro e inesquecível encontro com Kelley Jones
Foi nesse gibizinho que tive meu primeiro e inesquecível encontro com Kelley Jones. P.S. Essa arte horrível não é dele, coloquei essa imagem apenas para que vocês saibam que gibi procurar no Sebo.

Lembro até hoje do impacto ao ler a primeira HQ desenhada pelo cara, uma edição de Batman número Zero, publicada pela Editora Abril logo após o lançamento da Saga Zero Hora, que veja só, rebootava o Universo DC em meados de 96. Os gibis daquela época ainda eram publicados naquele formatinho bizarro que não mantinha as cores originais e tinha que ser porcamente recolorizados aqui no Brasil. Pois bem, mesmo com as questões gráficas locais agindo contra ele, sua arte me deixou intrigado inicialmente e posteriormente embasbacado. Ninguém ousava desenhar daquele jeito nas outras revistas que eu colecionava. Aquelas formas definidas mais pelas suas sombras do que pelos seus traços, o cuidado meticuloso na renderização dos ambientes com linhas paralelas, milhares delas, traçadas a mão, aquele alto-contraste impactante deixando as cenas assustadoras, mas ao mesmo tempo delicadas, os movimentos de capas e tecidos inimagináveis, as composições ousadas e sempre diferenciadas, Jones é ímpar!

Mas aí o moleque olha para a arte do cara e me solta: “Mas o desenho dele é desproporcional como o do Mestre Liefeld, e você está aí pagando pau”.

Não amigo, Rob Liefeld desenha daquele jeito por que ele não estudou pra desenhar de outra forma, é o que ele consegue fazer e só. Kelley Jones esmiuçou cada músculo do corpo humano e extrapolou, exagerou, estilizou, de forma a criar uma assinatura de impacto. É possível reconhecer e apreciar o que ele faz sem que se tenha uma assinatura ao lado do desenho, pois ele mesmo é a identidade do autor.

Alien, um dos primeiros grandes sucessos.
Alien, um dos primeiros grandes sucessos.

Nascido em 23 de Julho de 1962 em Sacramento na California, auto-didata, Jones começou a desenhar quadrinhos não por paixão absoluta, mas para poder pagar a faculdade. Porém, após ilustrar histórias da clássica série Sandman de Neil Gaiman, o Monstro do Pântano e Alien, ganhando reconhecimento imediato o ilustrador não teve como segurar a sua boa onda e passou a ilustrar clássicos para a DC, Marvel e Dark Horse. Confira a lista de trabalhos do cara aqui .

Kelley ainda realiza alguns trabalhos esparsos para as grandes editoras, principalmente a DC, mas infelizmente nada de primeiro escalão. Suas publicações mais recentes podem ser encontradas em meio à saga Convergence, na edição especial do Monstro do Pântano.

O melhor Batman. Virou uma das mais fantásticas estatuetas da coleção Batman: Black and White.
O melhor Batman. Virou uma das mais fantásticas estatuetas da coleção Batman: Black and White.

Recentemente a Graphitti Designs lançou um compilado em tamanho gigante e capa dura compilando uma seleção incrível de artes do autor como elas foram originalmente concebidas. Um sonho de 125 dólares, que caso você encontre em alguma loja disponível para folhear, não perca a chance, é uma experiência incrível visualizar as suas artes nesse formato.

Fiquem agora com uma seleção de imagens concebidas por ele, e fica a torcida para que volte a ilustrar algum título mensal ou graphic novel em breve. O público, e o Gordo, sentem a sua falta Mr. Jones!